|
|
| ::Nossa Língua:: |
A QUE PONTO CHEGAMOS - Ao ponto / a ponto de
por Maria Tereza de Queiroz Piacentini |

Foto: Jaqueline Novaes |
"Roubaram
as roupas da cachorrinha. A que ponto chegamos!"
Terminou assim o comentário do jornalista Luiz Carlos
Prates (Diário Catarinense) sobre um inédito caso de
furto. Isso vem a propósito da dúvida que assaltou a
Assessora Jurídica Cláudia N.M. da Cunha, do
Tribunal de Justiça de Santa Catarina: Como é
correto escrever e por que: ‘chegando ao ponto de’
ou ‘chegando a ponto de’. |
|
|
Assinale a primeira opção, Cláudia. A questão é que existem três
expressões parecidas:
1) AO PONTO. Diz-se de carne medianamente
passada: "Quero minha picanha ao ponto".
2) A PONTO DE.
a) Locução que significa prestes a; em perigo de;
segue-lhe um verbo no infinitivo:
• Jota estava a ponto de afogar-se quando
chegou o salva-vidas.
• Estivemos a ponto de comprar a casa que
ruiu na última enchente – sorte nossa.
• Estávamos a ponto de sair de casa quando
chegou uma visita.
b) Locução de valor consecutivo [recordemos as
conjunções consecutivas: tão... que, tal... que,
tanto... que, tamanho... que], com sentido equivalente
a a pique de; também seguida de um verbo no
infinitivo:
• O sujeito ficou superfurioso, a ponto de
agredir fisicamente o árbitro (que esteve a
ponto de perder sua imparcialidade).
• Jota indignou-se tanto a ponto de interromper
o discurso do paraninfo.
• O programa – que é não-governamental – vem
cumprindo sua missão de maneira invejável, a
ponto de suscitar muitas imitações.
• A inflação recrudesceu, a ponto de o
presidente convocar reunião de emergência com
a equipe econômica.
3) PONTO. Substantivo com o sentido de ‘limite,
situação extrema’e que pode ser definido (o
ponto, esse ponto, que ponto, tal ponto etc.); muito
usado com o verbo ‘chegar’ :
• Bateu na mulher – nunca pensei que fosse chegar
a esse ponto.
• O desequilíbrio o levou ao ponto da violência
física.
• O condomínio tradicional perdeu importância nos
últimos 40 anos diante da avassaladora presença dos
empreendimentos imobiliários subordinados à Lei n.º
4.591/64, a tal ponto que hoje se costuma
adjetivá-lo como milenar, antigo etc.
• A lei não chega ao ponto de exigir a
assinatura do destinatário.
Sendo assim, analise cuidadosamente o caso antes de
trocar precipitadamente o "ao ponto de" que
seu computador assinala em verde por "a ponto
de", visto que Você pode estar com a razão! |
|
|
|
 |
| ::dislexia:: |

|
|
|
 |
|

|
|
Maria
Tereza de Queiroz Piacentini,
autora dos livros "Só Vírgula" e "Só
Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da
Cunha, www.linguabrasil.com.br
|
| |
| |
institucional |
 |
|
|