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Na virada deste século muito do que estava apenas no campo
da ficção passou a ser realidade. O que existia
antes somente como promessa no campo virtual ganhou a
dimensão do real graças as novas tecnologias
desenvolvidas e colocadas à disposição do homem.
Novos paradigmas foram estabelecidos a partir da
globalização do conhecimento. Estamos ainda
assistindo o processo de transformação do mundo e
vem ocorrendo de maneira tão rápida que estamos
ainda engalfinhando neste mundo cibernético. Temos,
contudo, o privilégio de participar do alvorecer da
cibercultura e por esta razão estaremos, cremos,
muito mais próximos do processo que viverão nossos
filhos do que ocorreu entre nossa geração e a de
nossos pais(1).
Foi graças as novas tecnologias que, como diz
Manuel Castells pudemos compartilhar deste mundo
globalizado. Ö mundo encolheu e podemos ter acesso a
ele de dentro de nossa casa. As redes interativas de
computadores estão hoje crescendo espontaneamente,
promovendo a integração global, criando novas formas
de interação humana, moldando nossas vidas e ao
mesmo tempo sendo moldadas por elas. A revolução
ainda não terminou e há quem diga, como Nicholas
Negroponte, que ainda neste milênio, “vamos nos
surpreender falando tanto ou mais com as máquinas do
que com outros seres humanos”. Esperamos, contudo,
que isso não signifique que venhamos a conhecer mais
a máquina do que o ser humano. Que tenhamos mais
intimidade com a primeira do que com o segundo.
A informatização nos permite navegar por
mundos desconhecidos, num processo contínuo de
descobertas, compartilhando experiências e nos
integrando à toda a humanidade, na ânsia de saber,
conhecer, desvendar e descobrir. Nada está tão longe
que não podemos ver e nem tão próximo que não
tenha ainda segredos a desvendar.
O espaço geográfico passou a ter outro significado. O
tempo também ganhou nova importância. O ciberespaço
promoveu a anulação de ambos, na medida que é flexível
no tempo, não localizável no espaço e
desterritorizado. Através do ciberespaço tudo está
à nossa disposição em tempo real.
Este mundo virtual tem origem no sonho humano, portanto, a
virtualidade faz parte da natureza do homem. Foram as
tecnologias criadas que permitiram o surgimento do
ciberespaço. É um espaço de comunicação aberta
que permite a interconexão global, ocasionando a
comunicação em larga escala: de muitos para muitos.
Pierre Levy o define como “o espaço de comunicação
aberto pela interconexão mundial de computadores e
das memórias dos computadores”.
Certamente irá se tornar a memória da humanidade já que
os múltiplos saberes e a complexidade e volume das
informações disponíveis não podem mais se
sustentar apenas na memória humana.
O ciberespaço é um enorme hipertexto, aberto a múltiplas
conexões e outros hipertextos. O leitor é ao mesmo
tempo um ator e um autor, agente de interação com as
inúmeras interfaces. Dentro da área do saber e do
conhecimento a virtualidade não é uma exclusividade
do ciberespaço. Na leitura clássica (livros), o
texto e o leitor propiciavam um processo de
engajamento semelhante. A leitura é feita de
interconexões à memória do leitor que a remete para
fora da linearidade do texto.
A velocidade com que a informação circula está
estritamente ligada a rapidez com que você acessa os
computadores à distância e os diversos recursos
disponíveis ao teu alcance. As grandes companhias
podem dispor de todas as informações e de tudo o que
acontece em suas unidades ao alcance do braço.
Comunidades dispersas podem conectar-se em instantes, pois
o ciberespaço é transnacional e a partir dele
passamos a redimensionar nossa interação baseada em
informações digitais, coletivas e imediatas.
E
o real é clone do virtual...e vice-versa...universos
replicantes.
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