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No
mundo atual, extremamente capitalista, o emprego do
tempo livre, com a condição intrínseca de decidir
sobre o que fazer, foi modificado para reproduzir as
necessidades programadas e orientadas para a
produtividade e consumo, com o apoio de fortes
esquemas mercadológicos, a dimensão ideológica do
lazer.
Wanderley Guilherme dos Santos (em “O estado social
da nação”, 1985) situando o “tempo” e o “uso
do lazer” entre os demais indicadores relevantes
para aferir o estado social da nação, a partir de um
núcleo universalmente aceito, coloca em xeque o lazer
no Brasil, afirmando que o mesmo está para muitos
como uma questão privada. O alcance do lazer turístico
fica fora de cogitação para a maior parcela da
população, conforme demonstram os dados censitários
referentes à População Economicamente Ativa (PEA).
Com a disseminação da informática, internet e
pontos de acesso gratuitos, o turismo virtual passa a
ser uma possibilidade para quem não tem tempo e/ou
dinheiro. A sinestesia, tão valorizada nos tempos pós-modernos,
é substituída por algo de igual hierarquia, segundo
a opinião pública: a praticidade, o alcance do
objetivo. De alguma forma a pessoa viajou e conheceu
outros lugares, sendo capaz de dialogar e discutir com
quem esteve em carne e osso. Emoções hoje se criam
também através de pílulas. Não só de experiências.
O que pode evitar os inconvenientes de uma viagem. A
mobilidade urbana implica número tão elevado de
deslocamentos motorizados, que os congestionamentos,
os ruídos e a contaminação atmosférica parecem
ter-se incorporado, irremediavelmente, à vida os
grandes conglomerados urbano-industriais, provocando a
necessidade vital de outra mobilidade: a do fim de
semana, para o necessário relaxamento e descanso. Aí
surge outro problema intenso: o tráfego intenso nas
rodovias de ligação com o litoral ou outros locais
procurados nos finais de semana provoca novo congestionamento, oferecendo risco de vida a seus usuários.
Irritabilidade, tensão nervosa e estresse são
adquiridos justamente quando se buscam
descanso e entretenimento.
São obrigações primeiras QUALIDADE DE VIDA E LAZER
para um Estado responsável e para uma nação que
tenham a justiça social como meta, em seu sentido
mais amplo que necessidades básicas, dadas pela
natureza a qualquer ser vivo e que apenas o mais
inteligente dos seres nega a seus iguais.
O Turismo é um fator socioeconômico importantíssimo
que intensifica e aperfeiçoa a mobilidade humana.
Passou-se de uma sociedade em que as pessoas apenas se
mudavam de casa para uma que faz turismo de massa. Não
existe praticamente lugar de nossa geografia onde não
se observe a influência desse fenômeno em maior ou
menor intensidade. Uma das formas mais importantes de
mobilidade é o Turismo.
O turismo de massa conferiu fisionomia marcadamente móvel
e dinâmica ao mundo. Os fins de semana se converteram
num fator de mobilidade trepidante, uma espécie de válvula
de escape em busca da tranqüilidade da praia ou do
campo. Para o homem contemporâneo, o descanso é uma
necessidade e é a oportunidade de encontrar a si
mesmo, seu semelhante e a natureza. Ele tem
necessidade vital de sair da cidade porque esta está
cada vez mais desumanizada. A especulação econômica
tornou muitas delas inabitáveis por falta de áreas
verdes. Além da monotonia, o ritmo de
trabalho durante toda a semana exige também uma
ruptura libertadora que o capacite para o
desenvolvimento de outros aspectos fundamentais da
vida, como o descanso, o desfrute e a contemplação
da natureza, a formação cultural, o trabalho social
livre (ajudar e cuidar do outro faz bem à alma), o
entretenimento, a prática de esportes (antidepressivo
natural).
Mas o sair de casa hoje é um conceito relativo. Pode
estar mais evasivo alguém conhecendo a Rússia através
do computador do que um executivo fazendo turismo de
negócios em Tóquio e pensando na filha que está no
hospital no Brasil.
Os conceitos de turismo e lazer tendem vir a se
confundir. O lazer diz respeito àquele tempo de que
dispomos para fazer qualquer coisa que nos agrada, até
mesmo fazer nada. O turismo exige saída por mais de
24 horas da cidade cotidiana e pode abrigar remuneração.
Com a internet e o advento do turismo virtual, até
mesmo o turismo na própria cidade pode vir a existir,
preenchendo o quesito evasão e descoberta, além de
saída de rotina. “O Urbenauta”, de vivência e
autoria de Eduardo Fenianos, mostra bem isso, através
de filme e livro. A questão do olhar e da interpretação
é desvendada de uma forma poética e o conhecimento
acontece através de distâncias próximas aos
caminhos rotineiros.
Fazer a opinião pública consumir mais produtos turísticos
é interessante para todos os setores da sociedade,
seja econômica ou socialmente, sem falar em outros
aspectos como o da interculturalidade. É uma forma de
democratizar conhecimento.
Prazer e paixão hoje podem ser programados, seja
através de injeção de substâncias, de mudança de
paradigmas – cada vez mais flexíveis e frágeis –
no modo de encarar a vida e interpretar um mesmo
olhar, seja numa viagem interior ou exterior.
Guiar a opinião pública não é o mais sensato
dentro de um contexto tão carente de limites e com
fronteiras tão tênues. A WEB é reflexo de tal
colcha de retalhos, sem controle substancial.
Apresentar possibilidades – de forma inteligente e
pensada, verdadeira e sem frieza desumana– fazendo o
público se sentir dono de seu pensar e escolher é
muito mais lucrativo e pode ser uma oportunidade num
país onde não mais faltam escolas, vagas ou
programas de alfabetização (de acordo com órgãos
oficiais nacionais e internacionais), mas educação.
O turismo pode ser um grande passo para tanto. A
tecnologia uma ferramenta e a opinião pública uma
aliada.
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