Como sempre, minha preocupação
quando me sento para escrever alguma coisa
é poder colaborar com o leitor em
alguma dificuldade que encontra no decorrer
do seu cotidiano, principalmente se a profissão
exercida por ele for a de professor.
Neste artigo, procurarei refletir sobre
uma questão que avassala as salas
de aula e seus respectivos dirigentes: “Como
posso agir para incentivar meus alunos a
adquirirem o gosto pela leitura?” Minha
resposta é muito simples: “Você
gosta de ler, professor? Você lê?
Lê o quê? Conhece os clássicos
da Literatura Infantil? E as coleções
novas, que surgem a cada instante?” Se a
resposta for não, então é
muito difícil resolver o seu problema,
uma vez que, se eu não gosto de ler
não tenho meios de incentivar as
minhas crianças a lerem e nem sei
o que indicar como leitura adequada ao estágio
de desenvolvimento psicológico no
qual ela se encontra. Eis a questão.
A literatura e a escola compartilham um
aspecto muito comum: sua natureza formativa.
Essa é uma relação
que precisa ser preservada. Tanto a obra
de ficção quanto a instituição
de ensino estão voltadas à
formação do indivíduo
ao qual se dirigem. Embora se tratem de
produções oriundas de necessidades
sociais que explicam e legitimam seu funcionamento,
sua atuação sobre o recebedor
é sempre ativa e dinâmica,
de modo que este não permanece indiferente
a seus efeitos. Que esta é a meta
da educação todos sabem, enfatizando-se
em tal caso sua finalidade conformadora
a padrões de existência e pensamento
em vigor.
A Literatura sintetiza, por meio dos recursos
da ficção, uma realidade que
tem amplos pontos de contato com o que o
leitor vive quotidianamente. Desse modo,
por mais que a fantasia do leitor seja exagerada
ou mais distanciadas e diferentes as circunstâncias
de tempo e espaço dentro das quais
uma obra é conhecida , o sinal de
que ela sobrevive é o fato de que
ela continua a se comunicar com o destinatário
atual, porque ainda fala do seu mundo, com
suas dificuldades e soluções,
ajudando-o, pois, a conhecê-lo melhor.
Vejam o exemplo do conto de fadas...
A escola tem uma finalidade também
sintetizadora, pois transforma a realidade
viva nas distintas disciplinas ou áreas
de conhecimento que são apresentadas
ao estudante. A peculiaridade, nesse caso,
é que, durante o processo de síntese,
ocorrem inversões que maculam seu
objetivo cognitivo. Assim, interrompem-se
ou atenuam-se os vínculos com a vida
atual e é enclausurado ou intensificado
o enclausuramento da criança, porque,
convertida em aluno, ela se isola ainda
mais da sociedade e introduz-se num meio
sobre o qual igualmente não exerce
nenhum poder.
Assim, embora tenham funções
compartilhadas, escola e literatura não
se identificam, se bem que aquela tenha
sido o pretexto para justificar o uso da
obra de arte ficcional em sala de aula com
intuito unicamente pedagógico. O
texto literário é o último
que poderá romper as barreiras entre
a escola e a coletividade, reintroduzindo
o estudante no presente e fazendo com que
ele exerça um papel ativo neste processo
de transferência.
O professor precisa fazer opções
para a mudança desse rumo, opções
essas delimitadas, de um lado, pela escolha
do texto e, de outro, pela adequação
desse último ao leitor. Desta maneira,
as fronteiras se estendem da valorização
da obra à relevância dada ao
procedimento da leitura.
Agora, o problema a ser encarado é
esse: a seleção dos textos,
que advém de critérios de
discriminação. O professor
que se vale do livro para a veiculação
de regras gramaticais ou normas de obediência
e bom comportamento oscilará da obra
escrita de acordo com um padrão culto,
mas adulto, àquela criação
que tem índole edificante. Todavia,
é necessário que o valor por
excelência a guiar esta seleção
se relacione à qualidade estética.
Porque a literatura infantil atinge o estatuto
de arte literária e se distancia
de sua origem comprometida com a pedagogia,
quando apresenta textos de valor artístico
a seus pequenos leitores. E não é
porque estes ainda não alcançaram
o status de adultos que merecem uma produção
literária menor.
Assim sendo, não vejo diferença
entre os critérios que permitem o
discernimento entre o bom e o mau texto
para crianças e aqueles que distinguem
a qualidade de qualquer outra modalidade
de criação literária.
O destaque, na minha opinião, fica
no ponto de partida para a revelação
de uma visão original da realidade,
atraindo seu beneficiário para o
mundo com o qual convivia diariamente, mas
que desconhecia. Neste sentido, o índice
de renovação de uma obra ficcional
está na razão direta de sua
oferta de conhecimento de uma circunstância
da qual o leitor faz parte, de um modo ou
de outro.
A relação entre o leitor e
a obra emerge exatamente desta coincidência
entre o mundo representado no texto e o
contexto do qual participa seu destinatário.
Quanto mais este demanda uma consciência
do real e um posicionamento perante o mesmo,
tanto maior é o subsídio que
o livro de ficção tem a lhe
oferecer, em decorrência de suas virtualidades
sintetizadoras do todo social, anteriormente
descritas. E a criança é um
indivíduo que se ressente desta abertura
de horizontes, conseqüência lógica
da situação clausular a que
foi lançada.
Em vista disto, a maior carência é
o conhecimento de si mesma e do ambiente
no qual vive, que é primordialmente
o da família, depois o espaço
circundante e, por fim, a História
e a vida social. A ficção
lhe sugere uma visão de mundo que
ocupa as lacunas resultantes de sua restrita
experiência existencial, através
de sua linguagem simbólica. Logo,
não se trata neste momento de privilegiar
um gênero ou uma espécie em
detrimento de outras, uma vez que seus problemas
peculiares necessitam ser examinados à
luz dos resultados alcançados por
cada escritor; trata-se, sim, de admitir
que, seja através do conto de fadas,
da reapropriação de mitos,
fábulas e lendas folclóricas,
ou do relato de aventuras, o leitor reconhece
o contorno dentro do qual está inserido
e com o qual compartilha sucessos e dificuldades..
Vejamos o porquê dessa afirmação.
É o convívio com o texto que
dimensiona sua adequação ao
leitor, o que implica, evidentemente, alargamento
de horizontes, se o último preencher
o requisito relativo à qualidade
literária. Assim, não se trata
de dar relevância a obras que justifiquem
a condição da criança
na sua marginalidade ou compensem sua inferioridade
social através da elevação
moral ou caráter exemplar do herói
mirim. Tais obras, se afastam do modelo
edificante que dá prioridade à
emissão adulta, integram-se a um
protótipo pedagógico, uma
vez que, de algum modo, uma lição
é dirigida ao destinatário.
Sim, com certeza, esta adequação
se situa num nível superior: diz
respeito ao grau de abertura para a realidade
vivenciada pelo recebedor do texto, qualquer
que seja a sua natureza, individual ou social.
É aí, nesse suposto intercâmbio
cognitivo entre o texto e o leitor onde
está implicado o fenômeno da
leitura enquanto tal. Podemos fazer esta
afirmativa, uma vez que a leitura não
representa a absorção de uma
certa mensagem, mas antes uma convivência
particular com o mundo criado através
do imaginário. A obra de arte literária
não se reduz a um determinado conteúdo
reificado, mas depende da assimilação
individual da realidade que recria. Se a
obra de arte, em sua totalidade, não
for compreendida transforma-se numa leitura
não autêntica. Daí surgem
algumas conseqüências, quais
sejam: a) não é conveniente
que o professor que utiliza o livro em sala
de aula seja igualmente redutor, transformando
o sentido do texto num número limitado
de observações tidas como
corretas (vê-se esse procedimento
nas “fichas de leitura”, cujas respostas
são uniformizadas, a fim de que possam
passar pelo crivo do certo e do errado);
b) o papel do professor, no caso, é
o de detonar das múltiplas visões
que cada criação literária
sugere, enfatizando as variadas interpretações
pessoais, porque estas decorrem da compreensão
que o leitor alcançou do objeto artístico,
em razão de ter um universo representado
em sua percepção.
Todo o tipo de obra de arte ficcional –
é o caso da literatura infantil –
cai num exercício de hermenêutica,
pois é mister dar relevância
ao processo de compreensão; é
esta que complementa a recepção,
na medida em que não apenas evidencia
a captação de um sentido,
mas as relações que existem
entre a significação e a situação
atual e histórica do leitor. Sendo
dessa maneira, o professor deve, não
apenas ensinar a criança a ler corretamente,
uma vez que tem, a seu alcance, a concretização
e expansão da alfabetização,
isto é, o domínio dos códigos
que permitem a mecânica da leitura.
Ele também precisa fazer emergir
do deciframento e compreensão do
texto, através do estímulo
à verbalização da leitura
procedida, auxiliando o aluno na percepção
dos temas e seres humanos que afloram em
meio à trama ficcional..
Somente a partir desse estágio é
que se pode falar em leitor crítico.
Parece exagero aplicar tal denominação
às crianças. Normalmente,
priva-se a criança de uma interação
com o meio social; e, posteriormente, ela
é considerada incapaz de assumir
uma postura questionadora. Entretanto, se
o livro fornece condições
para a compreensão – de seu mundo
interior, num primeiro momento, como propõe
Bettelheim, depois transcendendo o ambiente
familiar – ele também transmite a
seu destinatário um lastro a partir
do qual se funda uma concepção
autônoma e, portanto, crítica
da vida exterior.
Nesta medida, a função formadora
da literatura infantil não se confunde
com uma missão pedagógica,
pois dá conta de uma tarefa a que
está voltada toda a cultura – a de
“conhecimento do mundo e do ser”, como sugere
Antônio Cândido, o que representa
um acesso à circunstância individual
por intermédio da realidade criada
pela fantasia do escritor. E tem mais –
propicia os elementos para a emancipação
pessoal, o que é a finalidade implícita
do saber. Se a escola integra-se a este
projeto liberador, rompe suas limitações,
inerentes à situação
com a qual se comprometeu na sua gênese.
É esta possibilidade de superação
de um estreitamento de origem o que a literatura
infantil oferece à educação.
A literatura infantil deve ser aproveitada
na sala de aula como elemento propulsor
que levará a escola à ruptura
com a educação contraditória
e tradicional. Deve romper com o modelo
de súdita do ensino de boas maneiras,
de se comportar e ser ou de falar e escrever.
A legitimação do uso do livro
na escola nasce, de um lado, da relação
que estabelece com seu leitor, convertendo-o
num ser crítico perante sua circunstância:
e, de outro, do papel transformador que
pode exercer dentro do ensino, trazendo-o
para a realidade do estudante e não
submetendo este último a um ambiente
rarefeito do qual foi suprimida toda a referência
concreta.
Ora, se esta é a contribuição
da literatura infantil à educação
da criança, em 1º grau, cabe
verificar como se comporta no momento em
que se transforma em disciplina componente
do currículo de um curso universitário.
Pensemos um pouco sobre isso. A literatura
infantil foi concebida, originalmente, como
objeto exclusivo das crianças. Quando
se percebeu que era produzida pelos adultos,
mas, como se vê, manipulada por eles,
tendo em vista a dominação
da infância, passou a receber um status
científico, isto é, foi integrada
ao âmbito universitário. Há,
porém, um problema: esta integração
só é eficaz quando acompanhada
de uma reflexão sobre os efeitos
que desencadeia no ensino do primeiro grau
e sobre a organização interna
da disciplina ou dos cursos a elas ligados,
a fim de instrumentalizá-la para
o enfrentamento das dificuldades que assolam
o trabalho com as crianças e os produtos
culturais a elas dirigidos. Penso que devam
ser investigadas as seguintes questões:
a) por que a disciplina deve ser integrada
aos currículos de terceiro grau,
nos cursos de Letras, ou então, nos
de Comunicação Social, Biblioteconomia,
Pedagogia ou afins; b) em vista da natureza
singular desta modalidade artística,
o que deve constar como conteúdo
programático de um curso sobre o
assunto, a fim de ser preservada a autonomia
do gênero e, ao mesmo tempo, sua utilidade
na escola.
Como o ensino superior visa preferencialmente
a preparação de docentes para
o exercício do magistério
em primeiro e segundo graus, precisa dotar
o professor de instrumentos adequados ao
cumprimento de sua função
didática. Isso justifica a incorporação
da literatura infantil aos currículos
de Letras. E, quando se trata do uso do
livro para crianças em sala de aula,
há critérios que devem ser
relevantes para o professor, quais sejam:
1. saber escolher obras apropriadas ao leitor
infantil;
2. saber empregar recursos metodológicos
eficazes, que estimulem a leitura, suscitando
a compreensão das obras e a verbalização,
pelos alunos, do sentido apreendido.
Como conseqüência, para contar
com a realização destas tarefas,
o futuro docente precisa ter, das disciplinas
universitárias, algum instrumental
proveniente dos campos, respectivamente,
literário e pedagógico, quais
sejam:
1. o conhecimento de um acervo literário
representativo (reafirmo o dito no início
do artigo – o professor lê?);
2. o domínio de critérios
de julgamento estético, que permitam
a seleção de obras de valor;
3. o conhecimento do conjunto literário
destinado às crianças, considerando-se
sua trajetória histórica (origem
e evolução), assim como os
autores atuais, nacionais e estrangeiros,
mais representativos;
4. a manipulação de técnicas
e métodos de ensino diversificados
que socorram e auxiliem o professor no processo
de incremento e estímulo à
leitura. Por parte do professor, isto significa
o reconhecimento de que a leitura é
uma atividade decisiva na vida dos alunos,
na medida em que, como se viu, permite a
eles um discernimento do mundo e um posicionamento
perante a realidade. É pela mesma
razão que invalidam-se a concepção
e o emprego do livro como instrumento de
transmissão de normas, sejam lingüísticas
ou comportamentais, ressaltando-se, em lugar
disso, o seu destino questionador e cognitivo.
Tomei conhecimento de uma pesquisa realizada
pelo Centro de Pesquisas Literárias
da PUC-RS, versando sobre o uso do livro
infantil em sala de aula pelo magistério
de primeiro grau na Região Metropolitana
de Porto Alegre, que constatava que estas
metas não são atingidas regularmente.
Na pesquisa, constataram-se os seguintes
fatos:
a) no que diz respeito à atualização
dos professores, observou-se que eles estão
desatualizados em relação
aos novos autores da literatura infantil,
uma vez que predominam em larga escala as
indicações de Érico
Veríssimo e Monteiro Lobato entre
os escritores-nacionais e as de Maurice
Druon e Saint-Exupéry, entre os estrangeiros.
b) utiliza-se títulos idênticos
em séries diferentes, o que indica
o desinteresse do professor em relação
à especificidade do grupo de alunos
com que trabalha. Para atestar o fato, o
artigo mostra a adoção do
livro As aventuras de Tibicuera, de Érico
Veríssimo, em terceira, quarta, quinta
e sexta séries, enquanto que O menino
do dedo verde, de Maurice Druon aparece,
simultaneamente, em quarta, quinta, sexta,
sétima e oitava séries.
c) tais repetições evidenciam
a negligência a respeito da adequabilidade
ou não dos textos aos leitores..
Há ainda indicações
que destoam visivelmente da faixa etária
a que se destinam, como o emprego de Clarissa,
de Érico Veríssimo, em quarta
série, e Música ao longe,
do mesmo escritor, em sétima série.
Não posso afirmar se os professores
recorrem a estes livros para estimular o
gosto pela leitura e não para convertê-los
em modelos para a transmissão de
padrões gramaticais, uma vez que
o aspecto metodológico não
foi investigado, segundo o que pude perceber
na leitura do artigo. Prefiro pensar, no
entanto, que a primeira hipótese
seja a verdadeira. É questionável,
porém, que atinjam tal meta, pois
a repetição das mesmas obras
e a falta de integração aos
interesses da criança esterilizam
a motivação do leitor. E,
se a desatualização pode não
causar problemas nos anos iniciais do primeiro
grau, ela é mortal na adolescência;
e neste período, de sexta a oitava
série, destaca-se o aproveitamento
de obras como Éramos Seis, de Maria
José Dupré, Pollyana, de Eleonor
Porter, ou O pequeno príncipe, de
Antoine Saint-Exupéry.
Por aí percebe-se um flagrante contraste
entre o que os cursos superiores de Letras
podem almejar e a realidade do magistério,
pois estão ausentes o conhecimento
de um acervo literário representativo
e o domínio de critérios de
seleção. Desse modo, é
a introdução da literatura
infantil alçada à condição
de participante do currículo do ensino
universitário, que pode servir como
subsídio para a solução
desta dificuldade e concretização
das metas da educação de 3º
grau. Por sua vez, sua estrutura, enquanto
área do saber científico,
deve levar em conta a prioridade dos interesses
teóricos e históricos, investigando
a peculiaridade do gênero e sua evolução
e abdicando dos laços com a pedagogia
que marcaram seu nascimento e que, ao persistirem,
impedem sua conjunção ao campo
estético. Este procedimento assegura
a autonomia da modalidade artística,
assim como seus vínculos com a literatura,
constituindo-se no fundamento para o entendimento
e descrição da qualidade dos
textos para a infância.
A legitimação da abordagem
científica do gênero leva-nos
de volta à questão do ensino,
porque é esta limitação
teórica o ponto de partida para um
currículo mínimo de uma disciplina
eventualmente denominada “Literatura Infantil”,
e porque na medida em que se enfatiza sobejamente
a necessidade de reconhecimento da ótica
do aluno como condição para
se alcançar o estímulo à
leitura, é preciso que esta disciplina
estabeleça quais metas didáticas
são válidas para a utilização
do livro infantil na escola.
A discriminação de um conteúdo
programático desse modo, recai sobre
estes dois conjuntos de temas, determinando
sua estrutura fundamental: a preservação
da abordagem teórica, verificando
o conceito e a história da literatura
infantil, e a discussão das possibilidades
de emprego dessa em sala de aula. Por conseguinte,
o âmbito propriamente literário
abarca os seguintes assuntos:
a) conceituação da literatura
infantil, que leva em conta tanto as questões
de ordem histórica, examinando a
origem e desenvolvimento do gênero,
quanto às de ordem estética;
b) descrição dos subgêneros
literários que fazem parte da literatura
infantil, investigando o problema do conto
de fadas (sua caracterização
histórica, antropológica e
social; as relações com a
fantasia infantil), as dificuldades com
a poesia, a ótica realista e a história
de aventuras (e seus tipos derivados, como
o relato policial ou a ficção
científica);
c) história da literatura infantil
(incluindo e enfatizando a tradição
nacional) e um estudo singularizado de textos
(crítica literária), o que
propicia tanto o conhecimento quantitativo
– vale dizer, o conjunto literário
destinado à infância – como
os critérios qualitativos de discernimento
estético.
O questionamento do emprego do livro na
escola pertence ao seguinte setor:
a) de abordagem das relações
entre literatura e o ensino, legitimando
a função da leitura em virtude
das motivações dos recebedores
crianças e sugerindo livros, assim
como atividades didáticas, a fim
de alcançar o uso da obra literária
em sala de aula com objetivos cognitivos,
e não apenas pedagógicos;
b) de consideração da relevância
do confronto entre a criação
para crianças e o livro didático,
tornando o último passível
de uma visão crítica e o primeiro,
o ponto de partida para a consideração
dos interesses do leitor e da importância
da leitura enquanto desencadeadora de uma
postura reflexiva perante a realidade.
A literatura infantil, alçada à
disciplina de terceiro grau, pode também
colaborar na inversão do percurso
tradicional e um destino histórico,
ao transformar a pedagogia num prestimoso
ajudante, na medida em que auxilia na efetivação
de suas metas. Só assim então,
propiciando meios para a escolha de textos
atuais e adequados, é atingido o
alvo maior do ensino superior, sendo criadas
condições, simultaneamente,
para a modificação de uma
situação que, como se sabe,
não traz nenhuma vantagem para a
própria educação, muito
menos ainda para a criança.
Bibliografia:
ARIÉS, Philippe. História
social da criança e da família.
Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise
dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz
e Terra, 1978.
CANDIDO, Antônio. “A literatura e
a formação do homem”. In:
Ciência e Cultura. São Paulo,
set. 1972, v. 24 (9).
CHARLOT, Bernard. A mistificação
pedagógica. Rio de Janeiro: Zahar,
1979.
COSTA, Jurandir Freire. Ordem médica
e norma familiar. Rio de Janeiro: Graal,
1979.
JAUSS, Hans-Robert. “La literatura como
provocación de la ciencia literaria”.
In: La literatura como provocación.
Barcelona: Península, 1979.
SHORTER, Edward. The making of the Modern
Family. Glasgow: Fontana-Collins, 1979.
WAGNER, Elísia da Silva. “Literatura
infantil na sala de aula”. In: Letras de
Hoje. Porto Alegre: Pontifícia Universidade
Católica, junho de 1979 (36).
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil
na escola. 10ª ed. São Paulo:
Global, 1998. (Teses; 1).