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| ::Esportes:: |
No basquete, tamanho não é sinônimo
de talento
Ronei
Thezolin - Assessor de imprensa da Unicamp
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Depois de analisar dezenas de fitas de vídeo
de partidas de basquete e avaliar a aptidão
de 225 atletas de equipes brasileiras, o professor
de educação física Vagner
Roberto Bergamo, da PUC de Campinas, chegou
a uma curiosa conclusão: embora a altura
seja uma ferramenta importante, a inteligência,
a liberdade de ação e a agilidade
de marcação do adversário,
associada à perspicácia de prever
jogadas e antecipar possíveis lances
são alguns componentes que caracterizam
a evolução do atleta brasileiro
de basquete, uma das modalidades esportivas
mais populares do país.
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A altura deixou de ser o elemento
principal quando vista de modo isolado.
Com o tempo, outros fatores considerados
talvez até mais significativos
como a inteligência espacial,
a astúcia e a habilidade na
execução de bons lances,
aliaram-se à performance do
atleta.
Em sua tese de doutorado "O perfil
físico e técnico de
atletas de basquetebol feminino: contribuições
para identificação do
talento esportivo múltiplo",
orientada pelo professor Roberto Rodrigues
Paes, da Faculdade de Educação
Física (FEF) da Unicamp, Bergamo
não descarta que a altura continua
sendo um componente fundamental para
o atleta. Principalmente na figura
do pivô, jogador que serve de
base para os rebotes defensivos e
segurança dos companheiros
para os arremessos na finalização
das jogadas no rebote ofensivo.
Bergamo diz que o atleta de hoje deve
ser mais completo, uma vez que os
espaços de jogo estão
ficando cada vez mais reduzidos devido
à ênfase dada ao condicionamento
físico do atleta. Isso se dá
em virtude da necessidade de um jogador
ser dotado de outras habilidades como
noção espacial, percepção,
e tomada de decisão extremamente
rápida para resolver problemas
táticos num jogo. O desenvolvimento
de suas competências dentro
do esporte – relacionamento social,
como o atleta age em grupo, como resolve
problemas táticos que porventura
surjam durante a partida – deve começar
na sua formação. “Ou
seja, o aprendizado deve estar voltado
para as ações do jogo,
onde estão presentes essas
competências, diferentemente
do processo atual que começa
com o treinamento propriamente dito.
Quando focalizamos esse treinamento
específico do esporte ou da
sua posição, estamos
reduzindo os recursos táticos
do jogador. Isso vale dizer que ao
enfatizarmos os gestos técnicos
descontextualizados da afetividade
da ação do jogo não
estamos instrumentalizando essas crianças
a resolver problemas que surgirão
na prática do basquetebol,
considerado um esporte repleto de
imprevistos”, diz o pesquisador.
Com isso, o jogador deve ser trabalhado
no seu conjunto, desde a sua formação,
para que aprenda não só
a desempenhar uma função
específica, mas que consiga,
com o desenvolvimento, apreender outras
habilidades dentro da quadra, como
noção de tempo, de espaço,
a relação inter e intrapessoal,
“que são as inteligências
inerentes ao atleta, e igualmente
importantes para um trabalho coletivo,
em que os atletas saibam ocupar o
vazio que por ventura lhe seja concedido”,
salienta.
Bergamo conclui, no entanto, que jogadores
de menor estatura, mas com muito mais
habilidade e inteligência, acabam
tendo mais sucesso que os jogadores
apenas mais altos, que não
apresentam tais aptidões. Hoje
o que se leva em conta é o
conjunto de competências técnicas,
físicas, táticas e psicológicas.
“Selecionar uma criança só
pelo fato dela ser alta não
significa que ela será fatalmente
uma grande jogadora”, deduz o pesquisador.
Essa criança é alta
para uma determinada idade, que poderá,
com o passar dos anos, não
crescer mais. Há, no entanto,
crianças que vão desenvolver
outros recursos, que são mais
baixas e que precisam de outras habilidades
podem, ao longo do tempo, crescer
e se tornarem grande jogadores.
Paula - Um dos maiores ícones
do basquete no Brasil foi a armadora
Paula (Maria Paula Gonçalves
da Silva), atleta cuja altura não
era lá essas coisas: 1,74 m.
Para Roberto Bergamo, Paula era uma
dessas atletas raras, que possuía
uma “inteligência diferenciada”
das demais jogadoras de sua época,
“não por causa de sua condições
físicas, mas devido à
sua sagacidade com a bola”. Brilhou
por 28 anos, conquistando os mais
cobiçados títulos. Entre
eles os de campeã pan-americana
(1991), de campeã mundial (1994),
e de vice-campeã olímpica
(1996).
Dotada de uma cognição
desenvolvida, associada a uma percepção
aguçada, a atleta “jogava pela
equipe toda”, conforme avalia o professor
Bergamo. Era capaz de perceber, de
imediato, para onde essa marcação
se deslocava, no exato momento que
a bola era passada de um lado a outro
da quadra.
E, quando driblava, provocava um deslocamento
no jogo que era um verdadeiro tabuleiro
de xadrez, onde os jogadores representam
as peças que se movimentam
de acordo com a posição
da bola.
“Paula era capaz de observar, rapidamente,
onde é que poderia surgir um
espaço para passar a bola à
jogadora melhor colocada para recebê-la”,
lembra o pesquisador. Ele diz que
Paula jogava imbuída de uma
inteligência tridimensional,
que conseguia ver movimentos mesmo
com as jogadoras paradas.
Dona de uma técnica refinada,
podia ser até uma jogadora
não muito veloz, mas tinha
a perspicácia de antever as
jogadas e antecipava os lances. Ao
antecipar e recuperar a bola, num
espaço curto que é a
quadra de basquete, as adversárias,
mesmo as mais velozes, não
conseguiam recuperar a bola.
Serviço
Título: “O
perfil físico e técnico
do basquetebol feminino: contribuições
para identificaçãodo
talento esportivo múltiplo”.
Autor:
Vagner Roberto Bergamo
Orientador: Roberto Rodrigues Paes
Unidade: Faculdade de Educação
Física (FEF)
(Antonio Roberto Fava)
Contato com a Assessoria de Imprensa
da Unicamp
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