Mulheres
de amigos destroem a amizade.
No princípio ocupam timidamente uma
parte do amigo,
aninham-se nele,
aguardam,
observam,
e aparentemente participam do círculo.
Esse pedaço do amigo não nos pertencia-
nada notamos.
Mas logo a coisa muda:
Elas tomam um aposento após o outro,
penetram mais fundo,
logo têm o amigo inteiro.
Ele está mudado; é como se tivesse
vergonha de sua amizade.
Assim como antes envergonhava-se do
amor diante de nós,
agora envergonha-se da amizade diante
do amor.
Não nos pertence mais.
Ela não está entre nós - já o levou.
Ele não é mais nosso amigo:
é seu marido.
Um leve melindre permanece.
Tristemente o seguimos com os olhos.
A da cama tem sempre razão.
(traduzido por Paulo César Souza e
publicado no Folhetim – Folha de São
Paulo – sexta-feira, 19 de fevereiro
de 1988).