ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.42 fevereiro de 2004

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::Turismo::

Estrangeiro no próprio habitat
por Ana Marina Godoy


Cena de O passageiro - profissão repórter (1975) com J.Nicholson e M. Schneider

Nesta edição, Ana Marina Godoy, nossa editora de Turismo, dá dicas especiais para as pessoas que não desbravaram sua própria cidade. Não percam esta oportunidade!
 

Muitas vezes, é só com a visita de um parente ou de um amigo distante que se percebe o quanto se é forasteiro na própria cidade. Existem muitas coisas a serem exploradas, com curiosidade e disposição de turista, desde os pontos turísticos mais conhecidos até aspectos paisagísticos que você nunca teve tempo de apreciar porque a pressa o persegue.
Interessante seria se você tivesse a mesma ansiedade do pré-viagem a uma cidade estrangeira, anotando sugestões de amigos, organizando um “banco de dados” a respeito do lugar, registrando durante a viagem o que vivencia, experimentando tudo o que podia. Mas são poucos os ousados (ou precavidos?) assim.
Desativando os pensamentos e posturas comuns, é bem possível deixar as preocupações de lado – por uma tarde, se for o disponível – e os costumes habituais em casa, indo de cabeça aberta e atentando às particularidades que tornam esta cidade especial.
Este tipo de roteiro é ótimo para namorados que, em final de semana, apelam para os programas de sempre, ou também para animar a criançada em férias.
Para dar uma ajudinha, organize uma agenda que pode ser alterada ou completada da forma que sua imaginação permitir, escolhendo os roteiros e organizando o tempo como se fossem ingredientes de um sanduíche que deverá ser ao seu gosto para ser bem saboreado. Mesmo que suas férias estejam distantes, não deixe de aproveitar o final de semana para se desestressar.
Para os sábios, o tempo de ócio bem vivido é parte de um processo de trabalho produtivo! Economize no hotel, mas não deixe de se divertir. E bom passeio!


DICAS PARA A SUA VIAGEM
- Faça um diário sem palavras, com o que coletar, sejam propagandas, rótulos de bebidas, santinhos, a entrada do cinema, etc;
- Fotografe o que ninguém imaginaria registrar. E não se deixe inibir pelo frio ou pela chuva;
- Experimente conhecer bairros afastados do centro da cidade e a região metropolitana;
- Não leve em sua bagagem qualquer espécie de receio ou preconceito, mas sempre mantenha a cautela de turista, principalmente com a máquina fotográfica e com a carteira;
- Estar com um mapa da cidade é sinal de bom planejamento;
- Pesquise previamente o que será o seu programa naquele dia (história,fundação, utilidade/fins, etc);
- Esteja precavido com um cartão telefônico para emergências (há locais onde o celular não funciona);
- Experimente deixar o carro em casa;
- Perceba que a cidade se expressa através de seus detalhes e características;
- Escolha entre ir com alguém ou sozinho, mas vá sempre em boa companhia;
- Converse com estranhos convidativos - aqueles não tão estranhos assim – que demonstram estar com vontade de trocar idéias. Pergunte, pesquise, observe;
- Sinta-se como um URBENAUTA (como no livro de Eduardo Fenianos)!


BÚSSOLAS

A lista telefônica pode dar ótimas sugestões de roteiros. É só abrir! Em todas as bancas de jornais existem guias (de vários tamanhos, tipos, cores, com CD Rom ou não, incluindo mapas e dicas) de sua cidade que podem aguçar a criatividade e incentivá-lo na criação do seu roteiro, da sua especialidade, com gosto próprio: a sua especiaria!

::Leia também nesta edição::
Oração pelas cidades e por cidadãos
por Ana Marina Godoy

Ana Marina Godoy é turismóloga formada pela UFPR, profissional de marketing através de MBA pela Fundação Getúlio Vargas e consultora em ambas as áreas.
anamarinagodoy@ig.com.br

Leia mais nesta edição:
Oração pelas cidades e por cidadãos

A cidade é mais que um fenômeno: é um ente. Mais do que uma criação ou arte humana – como gatos que derramam leite e desperdiçam, à toa, apaixonados pelas lambidas individualistas de ida com sede ao pote do chamado progresso -, é cenário da sinestesia intensa que acontece nesta pós-modernidade.
Continua...

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