|
|
| ::Cultura:: |
Mulheres que fizeram história
e são nomes de ruas, praças e avenidas de São Paulo
por
Coordenadoria Especial da Mulher da Prefeitura de São Paulo |

Foto: Jaqueline Novaes |
|
A
Coordenadoria Especial da Mulher, para comemorar o Dia
Internacional da Mulher, lançou o calendário "As
mulheres que estão no mapa". O material traz 11 retratos
e uma breve biografia de 16 mulheres que nomeiam ruas,
praças e outros espaços públicos da cidade. Estão no
calendário: Anália Franco, Anita Malfatti, Pérola
Byington, Olga Benário, Dina Sfat, Pagu, Bartira,
Ernestina Lesina, Maria Lopes, Teresa Carini, Teresa
Fabri, Veridiana da Silva Prado, Margarida Maria Alves,
Carolina Maria de Jesus, Luísa Mahin e Sonia Maria Lopes
Moraes Angel Jones. |
|
|
Janeiro
- Anália Franco
(Avenida Anália Franco, no Tatuapé, zona leste da
cidade)
Escritora, professora e jornalista, nasceu em Resende em
1º de fevereiro de 1856. Colaborou em jornais literários
e na imprensa feminista. Em 1901, criou a Associação
Feminina Beneficiente e Instrutiva de São Paulo,
preocupando-se com a miséria e a erradicação do
analfabetismo. Em 1903, foi pioneira na criação de
creches para filhas e filhos de mães que trabalhavam
fora. Em 1906, adquiriu uma fazenda na Móoca e ali
inaugurou uma colônia para mulheres. Dessa iniciativa
surgiram uma orquestra e um grupo dramático musical.
Expandiu seu trabalho centrado na educação e na
solidariedade. Morreu em 20 de janeiro de 1919.
Fevereiro
- Anita Malfati
(Rua Anita Malfati, na Casa Verde, zona norte da cidade)
Uma das mais importantes artistas plásticas brasileiras,
nasceu em 2 de dezembro de 1889, na cidade de São Paulo.
Iniciou seus estudos artísticos com a mãe e continuou-os
na Academia Real de Berlim, na Alemanha, e no Art
Students League e na Independent School of Arts, em Nova
York. Em dezembro de 1917, realizou a famosa Exposição
de Pintura Moderna - onde Anita Malfati foi atacada por
Monteiro Lobato e defendida por Oswald de Andrade, Mário
de Andrade, Menotti del Pichia e outros intelectuais e
artistas modernistas. Foi uma das participantes
históricas da Semana de Arte Moderna em fevereiro de
1922, autora do desenho de abertura do Catálogo da
Exposição. Morreu em São Paulo, em 6 de novembro de
1963.
Março
- Patrícia Galvão, a Pagu
(Rua Patrícia Galvão, em Itaquera, zona leste da cidade)
Jornalista, escritora e ativista política, nasceu em São
João da Boa Vista, SP, em 1910. Começou a atuar como
jornalista aos quinze anos, colaborando com o Jornal do
Brás.
Aos dezoito anos participava do movimento modernista e
em seguida do movimento antropofágico, ao lado de Oswald
de Andrade, que depois se tornou seu companheiro.
Ingressaram juntos na militância política no Partido
Comunista Brasileiro, partido com o qual romperam anos
mais tarde. Pagu participou de greves, manifestações
políticas de protesto e solidariedade, fundando com
Oswald o jornal O Homem do Povo que, por proibição da
polícia, durou apenas dois anos. Escreveu o romance
Parque Industrial, criticando a sociedade paulistana,
abordando a condição dos trabalhadores e trazendo uma
nova visão da mulher. Feminista, compromissada com a
produção cultural, impulsionou diversos grupos de teatro
amador e estudantil, assumindo a direção da União do
Teatro Amador de Santos, antes dirigida apenas por
homens. Morreu em dezembro de 1962.
Abril
- Bartira
(Rua Bartira, em Perdizes, zona oeste da cidade)
Índia Tupiniquim, viveu no século XVI. Era filha do
cacique Tibiriçá, da região da capitania de São Vicente.
Foi batizada com o nome de Isabel Dias. Em 1515,
casou-se com João Ramalho, português que vivia entre os
índios. Eles tiveram muitos filhos e foram considerados,
por muitos estudiosos, formadores das famílias
paulistanas. Assim, Bartira foi denominada, em muitos de
seus textos, a "Mãe do Povo Brasileiro".
Maio
- Trabalhadoras: Ernestina Lesina, Maria Lopes, Teresa
Carini e Teresa Fabri
(Rua Ernestina Lesina, Rua Maria Lopes, Rua Teresa
Carini e Rua Teresa Fabri, em Cidade Tiradentes, zona
leste da cidade)
Ernestina Lesina, anarquista, dedicada à defesa das
mulheres operárias do começo do século, foi uma das
fundadoras do jornal operário Anima Vita em São Paulo.
Foi uma brilhante oradora em manifestações de
trabalhadores, defendendo a emancipação das mulheres e
da classe operária. Participou da formação da Associação
de Costureiras de Sacos, em 1906, lutando pela redução
da jornada de trabalho e pela organização sindical. As
mulheres trabalhadoras tiveram papel decisivo nas greves
de 1901 a 1917, denunciando maus-tratos e exploração,
sobretudo das costureiras e têxteis. Maria Lopes, também
teve papel de destaque nas lutas dos trabalhadores.
Operária paulista, assinou, em 1906, junto a outras
ativistas anarquistas, como Teresa Carini e Teresa Fabri,
um Manifesto às Trabalhadoras de São Paulo, publicado no
jornal anarquista A Terra Livre, incentivando as
costureiras a denunciarem as degradantes condições de
vida, jornadas longas e baixos salários.
Junho
- Veridiana da Silva Prado
(Rua Dona Veridiana, em Higienópolis)
Inconformista e incentivadora do desenvolvimento
cultural, artístico e político, nasceu em 1825 em São
Paulo. Casou-se aos 13 anos, com um meio irmão do pai
por imposição da família, tradicional e abastada. Viveu
em fazenda da família até 1848, quando transferiu-se
para a capital preocupada com uma boa educação para seus
seis filhos. Chocou a sociedade da época quando resolveu
separar-se e assumir a chefia da família. Esteve
diversas vezes em Paris e, em 1884, de volta a São
Paulo, mudou-se para um palacete, que ficou conhecido
como Chácara Dona Veridiana. A Chácara tornou-se ponto
de encontro de intelectuais, artistas, políticos e
cientistas, sediando reuniões sociais e culturais,
impulsionando debates políticos e literários. Dona
Veridiana chegou a ser ameaçada de morte por seu estilo
insubmisso ao papel tradicional das mulheres.
Julho
- Pérola Byington
(Praça Pérola Byington, centro da cidade)
Nasceu em dezembro de 1879, em Santa Bárbara, SP,
descendente de imigrantes norte-americanos. Em 1930, com
a sanitarista Maria Antonieta de Castro, fundou a
Cruzada Pró-Infância, entidade voltada ao combate da
mortalidade infantil, cujos índices eram assustadores na
época. Lutou pela institucionalização do Dia e da Semana
da criança, não por motivos comerciais, mas com o
objetivo de chamar a atenção sobre os problemas da
infância. Procurou influenciar autoridades para a
execução de programas voltados ao cumprimento de
direitos adquiridos pelas mulheres. Desde 1933 defendia
a importância da educação sexual. No Brasil, foi uma das
primeiras a defender a divulgação das causas da
mortalidade no parto e pós-parto, com a finalidade de
melhorar o pré-natal. Nessa defesa, em julho de 1938, na
Semana das Mães, fez uma intervenção pública,
enfrentando críticas. O Hospital Pérola Byington, criado
pela Cruzada Pro-Infância, é hoje administrado pelo
Estado e tornou-se referência no atendimento à saúde das
mulheres e particularmente das que são vítimas de
violência .
Agosto
- Margarida Maria Alves
(Rua Margarida Maria Alves, em Vila Matilde, zona leste
da cidade)
Trabalhadora rural e sindicalista, nasceu em 1933, na
Paraíba. Destacou-se na luta dos trabalhadores rurais do
brejo paraibano por direitos trabalhistas, como o
registro em carteira, jornada de oito horas, 13o.
salário, férias, repouso remunerado. Teve participação
importante na criação e fortalecimento dos sindicatos
rurais e foi uma das fundadoras do Centro de Educação e
Cultura do Trabalhador Rural. Era presidente do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande,
região canavieira da Paraíba, quando foi assassinada, em
12 de agosto de 1983, por um pistoleiro, a mando de
latifundiários. Sua morte, até hoje impune, segue
provocando protestos e manifestações dos trabalhadores
rurais e do movimento de mulheres no Brasil. Seu nome
inspirou as duas Marcha das Margaridas, importante ação
do movimento nacional de trabalhadoras rurais.
Setembro
- Olga Benário
(Rua Olga Benário, na Brasilândia, zona norte da cidade)
Militante comunista alemã, nasceu em Munique, em 1908.
Aos quinze anos aderiu à Juventude Comunista,
tornando-se ativista do movimento comunista
internacional. Presa algumas vezes em seu país, após
ações e manifestações políticas, refugiou-se em Moscou,
onde conheceu o líder Luis Carlos Prestes, já no Partido
Comunista Brasileiro -PCB. Em 1934,veio para o Brasil
com Prestes, com orientação do partido para zelar por
sua segurança. Tornou-se depois sua companheira.
O Partido Comunista Brasileiro, organizou a Aliança
Nacional Libertadora (ANL), um movimento anti-fascista
com caráter massivo que, a partir de 1935, promoveu
levantes armados e revoltas. A repressão ao movimento
foi dura e ambos foram presos. Olga estava grávida. Uma
campanha de solidariedade não conseguiu impedir que o
governo brasileiro a deportasse para a Alemanha, para
ser entregue aos nazistas, em setembro de 1936. Em uma
prisão de mulheres em Berlim teve sua filha Anita
Leocádia Prestes que foi salva por uma campanha
internacional liderada por Leocádia Prestes, mãe de
Prestes, sendo a ela entregue em 1938, quando tinha 14
meses. Depois disso, Olga foi transferida para vários
campos de concentração, sendo assassinada em 1942.
Outubro
- Dina Sfat
(Rua Dina Sfat, no Jardim Míriam, zona sul da cidade)
Atriz, nasceu em 28 de outubro de 1938, em São Paulo.
Estreou em 1961, na peça Os fuzis da senhora Carrar, de
Bertold Brecht, no Festival Nacional de Estudantes de
Porto Alegre. Em 1966, começou a atuar na televisão com
a novela Ciúme, na TV Tupi. Trabalhou ainda em novelas
na TV Record e na TV Excelsior e atuou em diversos
filmes, recebendo prêmios nacionais e internacionais.
Atuou também no Teatro de Arena em São Paulo. Defendeu a
liberdade de expressão durante o regime militar, quando
estava no auge de sua carreira na televisão. Participou
também da luta das mulheres por uma cidadania plena,
posando para a capa da Revista Isto É com um cartaz em
defesa da descriminalização do aborto. Teve câncer de
mama e continuou a trabalhar até sua morte, em março de
1989.
Novembro - Carolina Maria de Jesus
(Rua Carolina Maria de Jesus, em Sapopemba, zona leste
da cidade)
Escritora, nasceu em 1914, na cidade de Sacramento, em
Minas Gerais. Era descendente de escravos, trabalhava na
lavoura com sua mãe e mantinha o hábito de fazer
anotações sobre as experiências que vivia. Em 1947,
mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como empregada
doméstica, auxiliar de enfermagem e artista de circo.
Desempregada, foi morar na favela do Canindé, onde teve
seus filhos. Sustentava-se com o que tirava do lixo. Em
maio de 1958, foi descoberta pelo jornalista Audálio
Dantas que, à sua revelia, publicou trechos de seu
diário no jornal Folha da Noite. Com a enorme
repercussão, em 1960 seus textos foram publicados em
Quarto de Despejo, livro que vendeu 90 mil exemplares e
foi traduzido para 29 idiomas. Publicou mais alguns
livros, sem alcançar o mesmo sucesso obtido com o
primeiro. Em 1976, Quarto de Despejo recebeu nova edição
e Carolina voltou a ser centro das atenções. Morreu em
13 de fevereiro de 1977, em São Paulo, deixando 15
livros escritos.
Luísa
Mahin
(É nome de uma Praça na Vila Cardoso/ região da
Freguesia do Ó)
Africana da nação nagô-jeje, depois de liberta, fez de
sua casa quartel general de todos os levantes escravos
que abalaram a Bahia entre 1800 e 1940 , tendo sido uma
das articuladoras da Revolta dos Malês, em 1835 . Foi
presa no Rio de Janeiro e, provavelmente, deportada para
a África
Dezembro
- Sonia Maria Lopes Moraes Angel Jones
(Rua Sonia Maria Lopes Moraes Angel Jones, na Chácara
das Corujas, zona sul da cidade)
Nascida em novembro de 1946, no interior do Rio Grande
do Sul, lutou contra a ditadura militar no país quando
estudante universitária e professora. Foi presa em 1969.
Depois de absolvida, passou a viver na clandestinidade e
exilou-se na França. Retornou ao Brasil, para participar
da luta de resistência à ditadura, depois que seu
companheiro, Stuart Angel Jones, foi preso, torturado e
assassinado. Militante da organização de esquerda Ação
Libertadora Nacional (ALN), foi assassinada em 1973, aos
27 anos, em São Paulo. Os militares informaram que foi
morta em combate. Na realidade, foi capturada e
barbaramente torturada até a morte pelos órgãos da
repressão. Sonia foi enterrada como indigente no
cemitério de Perus e seus restos mortais foram
localizados graças aos esforços das entidades que atuam
em apoio às famílias de mortos e desaparecidos
políticos. Sobre essa história foi realizado o vídeo
Sonia morta e viva, de Sérgio Waismann.
|
|
|
|
|
| |
|
Prefeita
lança projeto "São Paulo em Versos Femininos"
08/03/2004 - Comunicação e Informação
Recitando o poema Canção
para as mulheres, de Lya Luft, a prefeita Marta Suplicy
lançou nesta segunda-feira (8) o projeto "São Paulo em Versos
Femininos". O evento foi realizado ao meio-dia, na Praça do
Patriarca. A proposta do projeto é incentivar as mulheres a
mostrar suas poesias e sair do anonimato, com a publicação dos
seus textos no Jornal do Ônibus, afixado às terças-feiras, em
toda a frota municipal. As inscrições podem ser feitas pelos
Correios, na Coordenadoria da Mulher, nos Centros Educacionais
Unificados (CEUs) ou em uma das 13 Casas de Cultura da
Prefeitura.
"Queremos atrair para o projeto
as mulheres que escrevem versos à noite, pela manhã, às vezes
no próprio trabalho ou na hora do almoço e não têm coragem de
mostrar para ninguém. Elas guardam o texto porque acreditam
que ninguém vai gostar. Também queremos atrair aquelas que têm
versos escritos, que são muito bons, mas que não conseguem
editora. E ainda aquelas que pensam em escrever, mas nunca
tiveram coragem de pegar a caneta e fazê-lo. Queremos que São
Paulo seja cantada pelas mulheres paulistanas", declarou a
prefeita. Segundo o regulamento, os textos selecionados pela
comissão julgadora serão publicados, semanalmente, um de cada
vez, entre abril e agosto.
Durante a solenidade de
lançamento do projeto, as atrizes Eva Wilma e Leona Cavalli
recitaram poesias de Cora Coralina, Hilda Hilst, Lya Luft e de
cinco poetas paulistanas que terão seus textos publicados na
primeira etapa do concurso: Alice Ruiz, Maria Rita Kehl,
Dalila Teles Veras, Klébi Nori e Renata Pallottini. O primeiro
texto que circulará no Jornal do Ônibus é de Alice Ruiz.
"São Paulo em versos femininos"
é um projeto exclusivo para mulheres que moram na Capital e
que têm mais de 16 anos. As candidatas deverão escrever
poesias sobre a cidade de São Paulo: lugares, percepções ou
vivências da cidade.
As interessadas podem retirar o
regulamento e a ficha de inscrição na Coordenadoria Especial
da Mulher, no Departamento Cultural do CEUs ou nas Casas de
Cultura da Prefeitura. As regras foram disponibilizadas ainda
na página da Coordenadoria da Mulher. O endereço é www.
prefeitura.sp.gov.br/mulher.
Para participar do concurso, as
candidatas devem enviar duas cópias das poesias com título,
sem identificação, num envelope. Num outro envelope, devem
colocar a ficha de inscrição com os dados pessoais e o título
da poesia. Dessa maneira, será garantido o anonimato das
inscritas na hora da seleção. Serão selecionadas 22 poesias.
A seleção
dos textos será feita pelas poetas Alice Ruiz, Maria Rita Kehl,
Dalila Teles Neves, Renata Pallottini. Também participam da
comissão julgadora o poeta e crítico João Bandeira, diretor do
Centro Cultural Maria Antonia, e pelo promotor cultural Edson
Lima, criador do Projeto Autor na Praça.
|
|
|
|
|
institucional |
 |
|
|