|
Quando fitopatógenos –
microrganismos causadores de doenças em plantas – estão
presentes na água usada para irrigação, eles facilmente
contaminam a lavoura e podem atingir o solo, de onde se
espalham para outras áreas. Aquecer a água em um
aparelho especial que aproveita a energia solar é uma
forma eficiente e barata de eliminar microrganismos,
prevenindo a introdução e disseminação de doenças nas
culturas agrícolas. É o que mostra estudo realizado por
Maria Aparecida Tanaka e sua equipe, do Instituto
Agronômico de Campinas (SP).
Para combater fitopatógenos já instalados na cultura ou
no solo, é preciso aplicar produtos químicos caros e
tóxicos, tanto para as plantas quanto para o próprio
homem. Por isso, a prevenção – que consiste em eliminar
ou reduzir o número de microrganismos presentes na água
de irrigação – é a melhor alternativa. O tratamento da
água pode ser feito, por exemplo, através da aplicação
de cloro, mas esta substância, na dosagem necessária
para matar os fungos e bactérias, também é venenosa para
as plantas.
O aquecimento da água é um método seguro para as plantas
e para o homem, porém fatal para os fitopatógenos, já
que proteínas fundamentais desses microrganismos perdem
suas funções quando submetidas ao calor. “A maioria dos
microrganismos fitopatogênicos apresenta ponto térmico
letal a temperaturas na faixa de 45 a 60 graus Celsius”,
dizem Maria Aparecida e sua equipe em artigo publicado
na edição de julho a agosto da revista Fitopatologia
Brasileira. “O tratamento térmico da água com a
utilização da energia solar constitui uma opção
promissora e tecnicamente viável de controle”,
acrescentam. A energia do sol é renovável e não polui,
além de ser gratuita e abundante no Brasil.
Maria Aparecida e sua equipe testaram a eficiência de um
equipamento solar para a eliminação de fitoptógenos da
água de irrigação. “O equipamento foi montado com
coletores solares planos e o aquecimento da água obtido
empregando-se dois princípios integrados de transmissão
de calor, em circuito térmico fechado”, afirmam os
pesquisadores no artigo. “A energia térmica gerada nos
coletores é transferida à massa de água em circulação,
até ser atingida a temperatura programada”, explicam. O
equipamento apresenta ainda dispositivos especiais,
capazes de garantir a elevação da temperatura de toda a
água, sem a formação de zonas menos quentes, onde os
microrganismos conseguiriam sobreviver.
Água contendo microrganismos causadores de doenças em
culturas de morango, soja, feijão, alface, berinjela e
quiabo foi aquecida por 10 minutos no equipamento solar.
“A maioria dos patógenos testados não sobreviveu ao
tratamento térmico a temperaturas acima de 50 graus
Celsius”, afirmam Maria Aparecida e sua equipe no
artigo. “Embora mais estudos sejam necessários para
confirmação da viabilidade técnica do equipamento, os
resultados obtidos indicam que a sua utilização é
promissora para a desinfestação da água para ser
empregada na irrigação e em outras finalidades
agrícolas”, concluem.
Agência Notisa
|