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Quando me
perguntam qual a minha nacionalidade, eu respondo:
brasileira!
Quando
perguntam minha ascendência, eu repito: brasileira!
Alguns
dizem que, assim, eu nego minhas raízes, mas não! Raízes têm
a ver com o solo onde se nasce e floresce, e não com a
origem da semente. O café, o açúcar, o futebol e tantas
outras coisas também não surgiram no Brasil, mas alguém
consegue mencioná-los sem pensar em nossa pátria? Assim, não
sei se sou boa semente, mas é esse solo que me alimenta e dá
força! Só que existem pessoas que, apesar de aqui terem
prosperado e encontrado a felicidade, insistem em atribuir
sua “glória” a sua origem estrangeira, como se isso, a
priori, as valorizasse. Alguns crêem tanto nisso, que
ensinam a mesma cartilha aos seus filhos, aqui nascidos,
como se não fossem brasileiros.
Será que
esqueceram que, na maioria dos casos, eles próprios, ou seus
ancestrais, vieram tentar a sorte no Brasil porque não
tinham oportunidade em seus países? Não eram explorados,
maltratados, desprezados e humilhados por seus patrícios
mais afortunados ou nobres? Não eram plebe rude, submissa e
faminta, em terras que não podiam possuir e onde não havia
mobilidade social nem esperança? Mas foi aqui que
encontraram solo fértil para plantar seus sonhos e, com
méritos inegáveis, trabalharam a terra. Num primeiro
momento, é compreensível que, por diferenças culturais,
religiosas e de idioma, se aglutinassem em comunidades
fechadas; mas as gerações que se seguiram formaram,
naturalmente, esse grande amálgama que é o povo brasileiro.
Europeus, orientais, africanos e índios fundiram uma das
nações mais tolerantes do mundo. Mas ainda encontramos, com
freqüência, aqueles que se esbaldam no carnaval para,
depois, sentenciarem que o Brasil é um país imoral e
promíscuo. Persistem os que exaltam os “valores morais” de
países, que mal se lembram ou conhecem, mas que não praticam
aqui. Continuam os que lucram nesta terra, mas aplicam em
paraísos fiscais ou nos países que os tratavam como
bastardos, apenas para provarem, aos seus antigos algozes,
que “venceram na vida”. São “brasileiros” na saúde e na
alegria, mas estrangeiros na doença e na tristeza...
Se essa
terra me suporta e sustenta, o mínimo que posso fazer para
agradecer-lhe é pisá-la com respeito! Afinal, mãe não é a
que pari, é a que cria!
Ainda
existe muito preconceito, rancor e irracionalidade em nosso
país, frutos, em grande parte, da herança cultural de nossos
antigos e novos colonizadores; mas estamos muito mais
próximos de uma evolução positiva, que de um retrocesso.
Cada vez
mais, estamos aprendendo a valorizar as pessoas, não pelo
que elas dizem, aparentam, professam ou por seus sobrenomes,
tanto mais “respeitáveis” quanto mais difíceis de
pronunciar; mas pelo que são capazes de ser e fazer como
simples, únicos e universais seres humanos. Cresce, também,
a quantidade de pessoas dispostas a acreditar em potenciais,
identificar talentos e garimpar as pedras preciosas anônimas
de nosso povo, em vez de contentarem-se com as jóias falsas
e patéticas de impérios decadentes, compostas de parasitas e
alienados, legítimos herdeiros do ditado: “Pais ricos,
filhos nobres, netos pobres!”. Mas essa nova disposição não
poupa da prova! E para provar sua capacidade e lutar contra
preconceitos o brasileiro continuará tendo que adaptar,
criar, correr, equilibrar, dar saltos mortais carpados e,
depois de todo esse esforço hercúleo, ainda sorrir e abrir
os braços para o mundo, realizando que não há obstáculo que
não possa superar!
Nossa
equipe de ginástica artística: concentrada, altiva, serena e
acima de todos os preconceitos e limitações, é o melhor
exemplo desse enorme e, por isso mesmo, temido e reprimido
potencial! Quem desdenha quer comprar...
Não faz
sentido viver à sombra de memórias, sendo fanfarrões ou
choramingas de conquistas ou sofrimentos que não são nossos.
Esse passado estrangeiro só é importante se ajudar a
construir um futuro melhor. Precisamos legar mais que isso
aos nossos filhos! E que isso não seja, apenas, a
possibilidade de uma dupla cidadania, que mais parece uma
rota de fuga que um compromisso de fé...
Imaginem
um país que consiga unir todas essas múltiplas e
“exclusivas” virtudes e tradições, nutrindo-as com os sais
minerais da vontade, capacidade e ternura sem limites, dos
quais o solo do Brasil é pródigo!
Fomos
“descobertos”, mas ainda precisamos nos descobrir como
nação!
O povo
brasileiro, nato ou não, é maravilhoso! Só precisa aprender
a dar valor a si próprio, para levar esta gentil pátria
amada ao “Olímpo” das nações! |