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::Colunistas - Madalena Carvalho:: |
Ferramentas para a transformação interior
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"Como seria doce viver entre nós, se a contenção exterior
sempre representasse a imagem dos estados do coração, se a
decência fosse a virtude, se nossas máximas nos servissem de
regra, se a verdadeira filosofia fosse inseparável do título
de filósofo!"
Rousseau: Discurso sobre as Ciências e as Artes
Quando olhamos o mundo, no estágio em que se encontra, de
poucos afetos, de relacionamentos superficiais e muitas
vezes interesseiros, de completo desamor, nos vem a
pergunta: O que aconteceu com o ser humano? Teria deixado
este de "SER humano"?
Lamentavelmente a resposta imediata é "sim"; e pior, com a
triste sensação de que estamos vivendo em um mundo
irremediavelmente sem conserto. Quando abrimos os jornais e
lemos as manchetes ou assistimos o noticiário o que vemos
são as tragédias, as desigualdades, a violência. Filhos que
matam seus pais, pais que matam seus filhos; discussões
frívolas que levam a morte.
Estes acontecimentos não são o triste privilégio de uma
cidade ou país isoladamente, há uma profunda igualdade de
fatos espalhados pelo mundo todo. A incapacidade humana de
amor a seus semelhantes ocorre nas cidades do Brasil, nos
campos de batalha do Iraque, nos atentados na América e na
Europa.
Diante de tudo isso uma outra pergunta é fundamental: O que
podemos fazer para construir um mundo melhor? Há quem diga
que nada é possível, mas não podemos nos juntar a voz dos
descrentes e que em nada contribuem para a harmonia do
planeta.
Como
bem disse Rousseau no seu Discurso sobre as Ciências e as
Artes: como seria doce viver se as nossas máximas nos
servissem de regra. De nada adianta termos discursos
politicamente corretos se nada fazemos em prol do outro, do
meio ambiente, do planeta.
O
Homem precisa de uma roupagem nova, precisa libertar-se de
comportamentos adquiridos ao longo do tempo e que o
distanciou de si mesmo. Nós podemos nos transformar, evoluir
interiormente e assim contribuir para a construção de um
mundo mais humano, igual e fraterno.
Não
há uma regra, cada um pode fazer seu próprio caminho, basta
apenas não imaginarmos que algo extraordinário deva ser
feito. Como bem disse Renato Russo: quem me dera apenas uma
vez que o mais simples fosse visto como o mais importante.
Regras não há, mas ao pensarmos no simples podemos começar
usando algumas ferramentas para a nossa transformação
interior, podemos imaginar dez pontos iniciais e depois
buscarmos o décimo primeiro, segundo, numa jornada sem fim,
porque este crescimento é contínuo e ilimitado. Como
sugestão, porque não começarmos:
Aplicando a justiça! Certo dia Mêncio, discípulo de
Confúcio, lhe perguntou: - Mestre, com o que devo pagar
o mal? Se pago o bem com o bem, devo pagar o mal com o
mal? Confúcio respondeu: Pague o bem com o bem, e o mal
pague com justiça.
Exercitando a caridade! Recentemente a televisão
mostrou a reportagem de uma senhora que estava com uma
depressão severa e que pegou um cãozinho para lhe fazer
companhia, e só quem sabe o poder que estas criaturas
têm, sabe como podem contribuir para a cura de uma
doença como a depressão. Esta senhora, certamente estava
evoluída interiormente, pois não guardou o benefício só
para si, e hoje leva o cão a um hospital de crianças
para que elas também tenham a oportunidade de se curar
por um meio tão simples. Ela sabe que a caridade não se
faz só com a mão no bolso.
Buscando a sabedoria! Há quem pense que a sabedoria
só ocorre na idade adulta e não é assim, Rousseau também
dizia que "não há verdadeira felicidade sem sabedoria e
esta pode ser encontrada em qualquer estágio da vida".
Que possamos continuamente buscar a sabedoria, não a
erudição, mas a temperança, a sensatez.
Crescendo em amizade! Que triste quando ouvimos
alguém dizer que seus amigos se conta nos dedos da sua
mão. Triste porque deveríamos ter um número incontável
de amigos verdadeiros... e isto é possível, basta
criarmos as condições para que a verdadeira amizade
floresça. Amigos são os que permanecem ao nosso lado
independente das circunstâncias, por mais adversas que
estas se apresentem.
Vivendo com entusiasmo! O crescimento interior
depende, em parte, da energia que colocamos nele e viver
sem entusiasmo é viver sem esta energia, precisamos
trazer à tona o que de mais precioso existe em nós, que
é a capacidade de crer no nosso deus interior. Buscar na
essência etimológica desta palavra a força necessária
para viver feliz.
Aproveitando intensamente o presente! Por mais que
saibamos que nada podemos fazer para modificar o passado
e que o futuro não nos pertence, temos muitas vezes a
tendência de vivermos em um destes momentos; ou nos
atormentamos com as imagens do passado ou sonhamos com
uma parte da vida que ainda não chegou e assim
desperdiçamos momentos significativos. Viva o presente,
de preferência amando, porque esta existência é muito
curta para centrarmos nossas energias fora do amor.
Sabendo reconhecer as fraquezas! Ninguém é perfeito,
mas também não precisamos nos acomodar com as
imperfeições, o crescimento interior acontece
paulatinamente, mas a partir do momento que reconhecemos
os pontos que precisamos melhorar, acelera o processo de
transformação.
Promovendo a paz!
A paz começa em casa
e se projeta pelo mundo. A paz no trânsito, na escola,
no trabalho, na sociedade. Que possamos verdadeiramente
buscar e promover a paz, para que não tenhamos que
escrevê-la em lençóis brancos estendidos sobre
tragédias.
Mantendo a mansidão do espírito!
Manter a
mansidão do espírito não é ser inerte, mas ter
equilíbrio suficiente para enxergar além de qualquer
acontecimento, é ter uma visão estratégica em longo
prazo, que permita ser e ficar equilibrado. Manso de
espírito é quem está muito perto de uma profunda
evolução pessoal.
Sendo altruísta!
Embora todos os
aspectos anteriores sejam características de pessoas
altruístas, precisamos pensar no altruísmo como fonte de
vida. Sem dúvida que parece uma grande utopia falarmos
assim em um mundo tão perverso e desprovido dos melhores
sentimentos. Mas façamos a nossa parte ensinada por
Confúcio: Até que o sol brilhe, acendamos uma vela.
Sem
regras, construamos o nosso caminho, pensando em uma vida
melhor, em um mundo novo, cheio de alegria, de felicidade e
paz. Permitindo que alguns chamem a isso de utopia, e que
nós possamos chamar a isso de amor.
E finalizando com Gibran:
Não digais – "Encontrei
a verdade". Dizei de preferência – "Encontrei uma verdade".
Não digais – "Encontrei o caminho da alma". Dizei de
preferência – "Encontrei a alma andando em meu caminho".
Porque a alma anda por todos os caminhos. A Alma não marcha
em linha reta nem cresce como um caniço. A alma desabrocha
tal um lótus de inúmeras pétalas. |
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Madalena
Carvalho
Consultora, Palestrante e Conferencista
madalena@estadao.com.br
E-mail alternativo/messenger:
mlima@hotmail.com
Madalena
Carvalho é consultora, palestrante e conferencista. Todos os
artigos são temas de cursos e / ou palestras.
Em 06 e 07 de julho será a Presidente de Mesa da Conferência
Nacional " Estabeleça Estratégias para a Gestão Eficaz da Área
de Educação Corporativa", evento organizado pelo IBC Brasil.
Seus próximos eventos abertos e in company são: Espiritualidade
Corporativa, Desenvolvimento de Analistas de Treinamento,
Formação de Instrutores de Treinamento, Reuniões Produtivas e
Eficazes, Habilidades Gerenciais Básicas.
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