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De um articulista do jornal Diário Catarinense:
* Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões, no
mínimo, surrealistas.
O que fazem as duas vírgulas ali? Nada, só tiram a fluência
da afirmação. Quando ‘no mínimo’ toma o lugar de um advérbio
de intensidade, não deve vir entre vírgulas. Veja que essa
frase poderia ser dita assim:
- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões muito
surrealistas.
- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões
bastante surrealistas.
- Esta semana o PMDB conseguiu tomar duas decisões
excepcionalmente surrealistas.
A expressão "no mínimo", como se vê, às vezes serve apenas
de reforço; não significa "que é o menor". Portanto, assim
como você não usaria entre vírgulas os advérbios de
intensidade vistos acima, não deve entalar ‘no mínimo’ entre
elas. Mesmo quando tem o sentido de "no menor limite
provável", esses sinais podem ser eliminados; por exemplo:
- Chegaremos no mínimo às 22 horas.
- Espero que ele faça no mínimo três pontos.
Também a expressão equivalente "pelo menos" deve receber o
emprego sóbrio das vírgulas. Podemos observar, nos exemplos
abaixo, que sem tal pontuação a frase flui melhor, sem
tropeços:
- Estamos à sua espera há pelo menos vinte minutos.
- Ela espera fazer pelo menos quatro pontos.
- Causa no mínimo estranheza sua atitude.
- A inserção do art. 84-A na Lei n.º 9.981/00 é no mínimo
impertinente, para não dizer inútil.
Mas devo ressalvar que a vírgula também pode ser
usada, em caso de necessária ênfase e sobretudo se há um
deslocamento da expressão:
- Ela espera fazer quatro pontos, pelo menos.
- Disse que a pesquisa vai demandar de dois meses, no
mínimo, a quatro, no máximo.
Enfim, em se tratando de ‘no mínimo’ e ‘pelo menos’, seria o
caso de dizer: use mas não abuse!
RESPOSTA AO AGRADECIMENTO
André L. S. Machado agradece o envio da coluna "Não Tropece
na Língua" e, "aproveitando o ensejo, gostaria de lhe
perguntar como se deve responder a um agradecimento: de
nada ou por nada?"
Para responder a um agradecimento usam-se as duas formas,
sendo a primeira (de nada) a de uso mais freqüente.
Há gramáticos que pregam a utilização de "por nada", visto
que os adjetivos obrigado /agradecido / grato regem a
preposição por, como vimos no artigo da semana
passada. Mas também existe o lado da palavra "obrigação".
Quando se diz obrigado está implícita a frase "Tenho
a obrigação de.../ Sinto-me na obrigação de
(alguma coisa)", ao que alguém responde: "(V. não está na
obrigação) de nada", usando então a regência
subentendida. Essa a origem da questão.
Em suma, estão todas corretas: de nada; por nada; não por
isso; não há de quê. |