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Pesquisa mostra que um composto denominado hidrato de gás ou
clatrato pode funcionar como uma fonte alternativa de
energia, substituindo o óleo e o carvão. No entanto, sua
exploração ainda tem custo muito elevado e, se feita
erroneamente, pode contribuir para o efeito estufa.
A
exploração de combustíveis fósseis, como o óleo e o carvão,
é importante porque eles funcionam como fontes de energia.
No entanto, a exploração contínua provoca o esgotamento
desses recursos, sendo necessárias, dessa forma, fontes
alternativas de combustíveis. Uma delas é o hidrato de gás
ou clatrato, que é um composto cristalino que encapsula
moléculas de gás como o metano e o dióxido de carbono. Nesse
sentido, Michael Clennell, da Universidade Federal da Bahia,
resolveu analisar a viabilidade da exploração desse
composto, bem como os fatores positivos e negativos de sua
exploração.
Segundo o pesquisador, em artigo publicado na Revista
Brasileira de Geofísica (vol.18, no.3), “os clatratos são
abundantes nas margens continentais do mundo, formando um
reservatório gigantesco, potencialmente móvel e que está
integrado no ciclo do carbono”. Como na maioria das vezes o
composto contém moléculas de metano, Michael explica que,
convertida em energia, a quantidade total de metano
existente em todo o mundo equivaleria a duas vezes o total
de recursos fósseis já descobertos, sendo uma possibilidade
para a exploração no futuro.
O pesquisador esclarece, também, que as condições
necessárias para que os hidratos sejam produzidos em grandes
quantidades são raras longe dos continentes, por isso, sua
ausência em oceanos abertos. Segundo ele, “vários trechos da
margem continental brasileira atingem os critérios
fundamentais para a presença de hidratos de gás”. No
entanto, algumas das maiores jazidas de clatratos de metano
têm sido encontradas em margens ativas da América Central,
Cascadia, e no Japão.
Em relação aos principais fatores a favor do uso dos
hidratos de gás como fonte de energia, Michael cita três: o
vasto volume de hidratos submarinhos, que apesar de estarem
distribuídos de forma dispersa, existem em concentrações
grandes o suficiente em alguns lugares que justificam a
exploração econômica; o crescimento do mercado para o metano
(gás natural), que além de ser muito menos poluidor que o
óleo e o carvão (por não conter enxofre), libera menos
dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera e pode ser
convertido em combustível líquido (metanol) ou hidrogênio
com uso de catalisadores; e a presença de hidratos em águas
territoriais de países como o Japão e a Índia, que por
possuírem poucos combustíveis fósseis convencionais,
garantiriam uma fonte nacional de combustível.
No entanto há algumas desvantagens em se explorar o
composto: as reservas de óleo e gás ainda são abundantes e
relativamente baratas para a exploração; a tendência atual
no mercado energético mundial está distante das práticas do
uso de combustíveis baseados em carbono, cuja combustão
inevitavelmente leva à liberação de CO2; a maioria das
acumulações de hidratos de gás existe de forma dispersa, em
sedimentos finos e de permeabilidade baixa, dificultando a
exploração comercial; e é necessário gastar energia para
derreter o hidrato congelado e liberar o gás. Além disso, o
pesquisador alerta que a exploração do gás, se feita
erroneamente, poderia contribuir para o efeito estufa,
chegando até a provocar mudanças climáticas.
Dessa forma, Michael afirma que são necessárias mais
pesquisas que identifiquem e quantifiquem as zonas que
contém elevadas concentrações de hidratos de gás e estudos
que desenvolvam tecnologias para a perfuração e produção
para fazer uso dessas fontes de combustível. Entretanto,
segundo ele o uso de metano em usinas termoelétricas
convencionais e nas formas mais limpas (convertidas em
hidrogênio e metanol) constituirá uma parte importante no
fornecimento de energia no futuro para vários países.
“Considerando a falta de tecnologia disponível e os dados
limitados sobre a distribuição dos hidratos de gás no
Brasil, ainda é cedo para ser assertivo sobre o futuro desse
recurso no país”, ressalta.
Agência Notisa |