ISSN 1678-8419        Ano IV n.44 -abril de 2004

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::Terceira Idade::

Participação de mulheres idosas no mercado de trabalho aumentou
por Agência Notisa

 

Pesquisa mostra que as idosas ativas têm melhores condições de saúde do que aquelas que já se aposentaram, inclusive, no que diz respeito à menor freqüência de doenças crônicas.

 

Nas últimas décadas, a participação da mulher no mercado de trabalho cresceu muito. Em trinta anos — de 1970 a 2000 —, a porcentagem de mulheres que fazia parte da população economicamente ativa passou de 18,2% para 35%. Assim como o trabalho feminino aumentou, o tempo de permanência em atividade também cresceu, ou seja, pessoas idosas, que teriam idade para se aposentar, começaram a preferir trabalhar ainda por mais algum tempo. Diante disso, Luana Giatti e Sandhi Barreto, pesquisadoras da Universidade Federal de Minas, resolveram realizar um estudo no intuito de determinar a participação precisa das mulheres idosas no mercado de trabalho, as especificidades do trabalho feminino nessa fase da vida e investigar se a situação no mercado de trabalho está associada às condições de saúde que as mulheres apresentam.

 

“Participaram deste estudo todas as mulheres residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Distrito Federal, com idade igual ou superior a 65 anos, participantes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 1998”, afirmam Luana e Sandhi, em artigo publicado na edição de out./dez. de 2002 da revista Ciência & Saúde Coletiva.

 

No total, foram 4.603 mulheres idosas, cuja média de idade foi de 73 anos. Segundo as pesquisadoras, “entre as mulheres, 48,2% não se encontravam trabalhando e nem eram aposentadas, 42,9% eram aposentadas e 8,9% trabalhavam”. Das que trabalhavam, a maioria (81,2%) estava inserida no trabalho informal, ou seja, não tinha carteira assinada nem contribuía para a Previdência. O ramo de atividade com maior proporção de idosas, segundo Luana e Sandhi, foi o de prestação de serviços.

 

As pesquisadoras também constataram que as idosas ocupadas eram mais jovens, tinham maior renda e nível melhor de escolaridade — geralmente tendo estudado por quatro a sete anos. Outro dado importante, segundo elas, é o fato de as idosas que trabalhavam se sentirem melhor no que diz respeito à sua saúde, relatando, inclusive, menor freqüência de doenças crônicas. “As idosas que trabalhavam tiveram menor dificuldade para realizar todas as atividades indicadoras de autonomia e mobilidade física estudadas do que as aposentadas”, afirmam no artigo. E acrescentam: “as condições de saúde estão associadas de forma independente à permanência das mulheres na vida ativa em idades mais avançadas”.

 

Dessa forma, Luana e Sandhi explicam que a tendência é haver cada vez mais mulheres idosas inseridas no mercado de trabalho, à medida que as gerações atuais são compostas por menores desigualdades de gênero. “Portanto, as possibilidades de trabalho das idosas das próximas décadas já estão sendo determinadas hoje, ou seja, as relações entre gênero, trabalho e saúde evidenciadas neste trabalho podem refletir diferenças presentes na idade adulta e necessitam de maiores investigações”, concluem no texto. 

::educação::

Envelhecer com dignidade
Livro que analisa aspectos da velhice reúne textos
de profissionais de diferentes áreas
Envelhecer bem é saber lidar com sabedoria e serenidade, com as circunstâncias da vida. Uma boa  alternativa para encarar a velhice com bons olhos é aceitar-se, entender a vida como ela é, e acatar os outros como na verdade são. As frases, ditas como ensinamento, são da professora Anita Liberalesso  Neri, coordenadora do curso de pós-graduação em gerontologia da Faculdade de Educação, uma das organizadoras do livro Velhice Bem-sucedida. Aspectos afetivos e cognitivos, que será lançado na Fnac (Shopping Parque D. Pedro), no próximo dia 16.
Leia matéria:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2004/ju247pag12.html

 

Mulheres brasileiras têm menopausa por volta dos 50 anos de idade
por Agência Notisa

Pesquisa mostra que fatores socioeconômicos não interferem na idade de ocorrência da menopausa.

 

Cada vez mais as mulheres se interessam por assuntos que dizem respeito à sua saúde. E a menopausa — parada normal e definitiva da menstruação — é um dos temas que despertam maior interesse. A demanda por informações sobre a idade em que esse processo ocorre e sobre o que pode antecipá-lo ou tardá-lo também vem aumentando. Contudo, são poucas as pesquisas brasileiras, realizadas com mulheres brasileiras, que versam sobre esse assunto. Por isso, uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas procurou estudar, em um grupo de mulheres com idade entre 45 e 60 anos, a média etária de ocorrência da menopausa natural com seus fatores associados.

 

Em artigo publicado na edição de jan./fev. de 2003 da revista Cadernos de Saúde Pública, a equipe explica que o número de participantes correspondeu a 456, sendo que todas residiam em Campinas. Segundo o texto, a pesquisa se deu através de entrevistas com questionários estruturados, que continham perguntas sobre idade, idade da menarca — idade da primeira menstruação —, idade da menopausa, cor, tabagismo, índice de massa corpórea, estado civil, paridade, número de abortos realizados, antecedente de uso de contraceptivos hormonais e não-hormonais,  ligadura tubária, escolaridade, emprego e classe socioeconômica. A coleta de dados ocorreu entre outubro de 1997 e janeiro de 1998.

 

Os pesquisadores afirmam, no artigo, que a maioria das mulheres era branca, possuía baixo nível educacional (70% referiram escolaridade de no máximo quatro anos), vivia com companheiro e não tinha emprego remunerado. Aproximadamente dois terços delas, segundo eles, possuíam baixo nível socioeconômico. Com relação à menopausa, 75% das mulheres entrevistadas estavam na peri (período antecedente) ou pós-menopausa.

 

No estudo, a equipe constatou que a idade média de ocorrência da menopausa natural foi de 51,2 anos, sendo a idade mínima de 28 e a máxima de 58 anos. Além disso, foi observado que “aproximadamente 5,5% das mulheres apresentaram menopausa precoce (abaixo de 40 anos) e 2% apresentaram menopausa tardia (acima de 55 anos)”. Quanto aos fatores associados, os pesquisadores explicam que não houve relação significativa entre as variáveis estudadas e a idade de ocorrência da menopausa, fato que contraria alguns relatos e especulações atuais. “Embora seja aceito que fatores sócio-econômicos possam estar indiretamente envolvidos na idade de ocorrência da menopausa, quer através da educação, nutrição ou estado de saúde, neste estudo a idade à menopausa foi semelhante nos diversos níveis sócio-econômicos”, afirmam no texto. E completam: “o fator mais importante para determinar a idade da ocorrência da menopausa é o número de folículos ovarianos”.

 

De qualquer forma, os resultados desse estudo, segundo eles, “ajudarão não só o planejamento de serviços e rotinas de assistência, como também o delineamento do ensino nas instituições pertinentes e, sobretudo, servirão de base para a necessidade de pesquisas fundamentadas em uma realidade brasileira”.

 
 

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Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil