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A vida é feita de caminhos e escolhas.
Caminhos existem de vários tipos: prontos ou a serem abertos; mas
as escolhas dependem de cada um.
Existem caminhos que levam ao topo do mundo, de onde tudo pode ser
visto. Lá, a visão do mundo dá a sensação de poder e
superioridade. Mas, na verdade, o ar é rarefeito e o clima é frio.
Com o tempo perde-se a sensibilidade, o coração fica comprometido
e a ausência de oxigênio prejudica o discernimento. A vida só é
possível de forma artificial.
Há, também, os caminhos feitos de trilhos. Você pode comprar um
bilhete para ir ao destino desejado, mas, se não ficar atento,
pode embarcar no trem errado ou, ficar sujeito à vontade e humor
do condutor, pois sempre existem desvios.
As opções são muitas e cada um tem livre-arbítrio para decidir. O
problema é que a maioria das pessoas prefere considerar a vida
como um labirinto ou um teste de múltipla escolha. Assim, em vez
de analisar, expressar e defender o que conclui, e traçar rumos,
prefere limitar-se às alternativas que os outros propõem. Isso é
mais cômodo e menos estressante, tanto para quem controla, quanto
para quem se submete. Mas as possibilidades oferecidas condicionam
e limitam. O livre-arbítrio cede espaço à sorte, e a preguiça
mental adere ao coro do "deixa a vida me levar". O problema é que
não é a vida que vai levar, mas sim as intenções dos guias.
Quem leva a vida dessa forma, "chutando" quase sempre
inconscientemente, só muito tarde descobre que das opções que lhe
foram oferecidas a única correta era "nenhuma das alternativas
anteriores".
Quem aceita submeter-se incondicionalmente, recebe o gabarito
antes. É aprovado no teste, mas fica em dependência.
Pode, até, ter uma vida "tranqüila e segura", mas não será senhor
de seu destino, nem conhecerá os caminhos e os planos que lhe são
preparados. Será um soldado inconsciente e obediente de interesses
de outros. Mas, embora não seja autor, será julgado e punido pelas
conseqüências de seus atos.
A vida não tem trilhos nem fronteiras! Quem os impõe quer conduzir
ou confinar. E trens também descarrilam... Ela é mais semelhante a
um barco: pode não ter a certeza absoluta do caminho de ferro, mas
tem a liberdade da escolha. Nele, cada decisão deve ser pensada, a
decisão autônoma e a responsabilidade assumida.
Para tanto, a Humanidade deve ser encarada como um oceano. Sua
condição natural é o equilíbrio. Cada molécula de água é
igualmente importante. Mas vidas e oceanos também estão sujeitos
às instabilidades do clima, com ventos mudando constantemente de
direção.
Para enfrentá-las é preciso construir um barco forte, conhecê-lo
em detalhes, revisá-lo e aprimorá-lo constantemente, e pilotá-lo
decididamente, sem medo de enfrentar o mar aberto. Se tempestades
soprarem ventos fortes e descontrolados, pode ser melhor recolher
as velas e pensar. Talvez buscar um porto seguro ou um estuário
tranqüilo, e esperar que as nuvens se dissipem e as estrelas
ressurjam, e com elas o caminho. Mas não se deve esquecer que o
porto é apenas uma pausa na viagem, e que barcos não foram feitos
para portos, mas para o oceano.
Nunca se deve transferir seu comando aos que alardeiam que são
senhores dos quatro ventos, mas que, na verdade, vivem das
tempestades. É bom lembrar, que se o barco "fizer água", os ratos
sempre serão os primeiros a abandonar o barco. Não devemos,
tampouco, abandonar seu leme ao primeiro canto de sereia. É esse
tipo de renúncia ou alienação que impede a visão de recifes e
icebergs. Também devemos cuidar que ele nunca fique à deriva, pois
quem o encontrar assumirá seu domínio.
Navegar, portanto, é preciso! Mas escolher o rumo conscientemente
é fundamental, tendo o oceano como caminho e as estrelas como
guias!
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