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                                                          Revista Partes - Ano IV - maio de 2004 - nº 45 

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::Colunistas - Adilson Luiz Gonçalves::
 
 Ventos e velas
 Por
Adilson Luiz Gonçalves

A vida é feita de caminhos e escolhas.

Caminhos existem de vários tipos: prontos ou a serem abertos; mas as escolhas dependem de cada um.

Existem caminhos que levam ao topo do mundo, de onde tudo pode ser visto. Lá, a visão do mundo dá a sensação de poder e superioridade. Mas, na verdade, o ar é rarefeito e o clima é frio. Com o tempo perde-se a sensibilidade, o coração fica comprometido e a ausência de oxigênio prejudica o discernimento. A vida só é possível de forma artificial.
 

Há, também, os caminhos feitos de trilhos. Você pode comprar um bilhete para ir ao destino desejado, mas, se não ficar atento, pode embarcar no trem errado ou, ficar sujeito à vontade e humor do condutor, pois sempre existem desvios.

As opções são muitas e cada um tem livre-arbítrio para decidir. O problema é que a maioria das pessoas prefere considerar a vida como um labirinto ou um teste de múltipla escolha. Assim, em vez de analisar, expressar e defender o que conclui, e traçar rumos, prefere limitar-se às alternativas que os outros propõem. Isso é mais cômodo e menos estressante, tanto para quem controla, quanto para quem se submete. Mas as possibilidades oferecidas condicionam e limitam. O livre-arbítrio cede espaço à sorte, e a preguiça mental adere ao coro do "deixa a vida me levar". O problema é que não é a vida que vai levar, mas sim as intenções dos guias.
 

Quem leva a vida dessa forma, "chutando" quase sempre inconscientemente, só muito tarde descobre que das opções que lhe foram oferecidas a única correta era "nenhuma das alternativas anteriores".

Quem aceita submeter-se incondicionalmente, recebe o gabarito antes. É aprovado no teste, mas fica em dependência.

Pode, até, ter uma vida "tranqüila e segura", mas não será senhor de seu destino, nem conhecerá os caminhos e os planos que lhe são preparados. Será um soldado inconsciente e obediente de interesses de outros. Mas, embora não seja autor, será julgado e punido pelas conseqüências de seus atos.

A vida não tem trilhos nem fronteiras! Quem os impõe quer conduzir ou confinar. E trens também descarrilam... Ela é mais semelhante a um barco: pode não ter a certeza absoluta do caminho de ferro, mas tem a liberdade da escolha. Nele, cada decisão deve ser pensada, a decisão autônoma e a responsabilidade assumida.
 

Para tanto, a Humanidade deve ser encarada como um oceano. Sua condição natural é o equilíbrio. Cada molécula de água é igualmente importante. Mas vidas e oceanos também estão sujeitos às instabilidades do clima, com ventos mudando constantemente de direção.

Para enfrentá-las é preciso construir um barco forte, conhecê-lo em detalhes, revisá-lo e aprimorá-lo constantemente, e pilotá-lo decididamente, sem medo de enfrentar o mar aberto. Se tempestades soprarem ventos fortes e descontrolados, pode ser melhor recolher as velas e pensar. Talvez buscar um porto seguro ou um estuário tranqüilo, e esperar que as nuvens se dissipem e as estrelas ressurjam, e com elas o caminho. Mas não se deve esquecer que o porto é apenas uma pausa na viagem, e que barcos não foram feitos para portos, mas para o oceano.

Nunca se deve transferir seu comando aos que alardeiam que são senhores dos quatro ventos, mas que, na verdade, vivem das tempestades. É bom lembrar, que se o barco "fizer água", os ratos sempre serão os primeiros a abandonar o barco. Não devemos, tampouco, abandonar seu leme ao primeiro canto de sereia. É esse tipo de renúncia ou alienação que impede a visão de recifes e icebergs. Também devemos cuidar que ele nunca fique à deriva, pois quem o encontrar assumirá seu domínio.

Navegar, portanto, é preciso! Mas escolher o rumo conscientemente é fundamental, tendo o oceano como caminho e as estrelas como guias!

 

::educação::
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Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro, Professor Universitário e Articulista

algbr@ig.com.br

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