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                                                          Revista Partes - Ano IV - maio de 2004 - nº 45 

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 Natureza, a prostituta de todos!
 Por Gilberto da Silva

Prostituta de todos
O filósofo inglês Francis Bacon (1501-1626) ficou conhecido como o pensador que via a natureza como "a prostituta de todos" fazendo um chamamento para todas as futuras gerações para "domesticar", "ajustar", "moldar" e "configurar" a natureza como pretexto para o homem tornar-se o senhor soberano e indiscutível do mundo físico. Bacon, como muitas cabeças pensantes da atualidade, e há vários ocupando importantes cargos públicos e privados, fundamentava seu pensamento nas possibilidades tecnológicas de construção de uma nova sociedade de acordo com a natureza do homem real e com sua capacidade para controlar as leis naturais descobertas pela ciência. Seu chamamento é extremamente atual! 

Tradição prostituinte
Jeremy Rifkin, grande economista americano que escreveu o Fim do Emprego é autor de uma das obras mais controversas sobre a engenharia genética, O Século da Biotecnologia, onde diz que o gene não é um invenção e sim uma descoberta da natureza, afirma que encontrar novas e mais poderosas forças para controlar e utilizar a natureza com finalidades utilitárias e comerciais tem sido o sonho máximo e o tema central desde Idade Média. Desde Bacon que com sua noção de sociedade inteiramente regulada por métodos científicos, estabeleceu os fundamentos para o Iluminismo que se seguiu, fornecendo uma visão sistemática da ascendência final da humanidade sobre a natureza. Isaac Newton (1642-1727), René Descartes, John Locke (1632-1704) e outros filósofos iluministas construíram uma visão do mundo que continua a inspirar muitos biólogos moleculares e empresários de hoje, em sua jornada rumo a capturar e colonizar a última fronteira, o domínio genético, cerne do mundo natural. Aqui no Brasil, leia-se Amazônia.



Agronegócios
Revisar a política de demarcação de terras indígenas. Aumentar a área “produtiva” da Amazônia, com desmatamento, é claro! Abrir estradas para escoar a rica produção de soja no cerrado. Liberar todos os transgênicos com o argumento de que assim agindo acabaremos com a fome. “Agilizar” os processos de avaliação ambientas, os EIAs e os RIMAs e toda a burocracia que impede que as hidrelétricas se instalem no país. Estes itens e tantos outros na pauta atualmente sugerem que um grande setor da política e da economia quer a todo custo implantar de vez o capitalismo insustentável no país.
 

Proteção demais
Ninguém sabe, mas 12% do território nacional, de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, pertencem hoje a uma minoria de 250 mil indígenas.” "Lembro, por exemplo, do cacique Marcos Terena [da etnia terena]. Ele fala inglês e é capaz de pilotar aviões. Mas é um indígena, e a única coisa que não tem da cidadania é que não vota. Mas também não paga Imposto de Renda." Falas do diretor financeiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Roberto Timótheo da Costa. Acredite, se quiser. Mas está registrado nos jornais.

Poupar água
Primeiro: use sempre um regador na hora de molhar as plantas. Nunca use mangueira! Você sabia que regar plantas nos jardins durante 10 minutos gasta 186 litros de água?
Segundo: não lave o carro com mangueira. Você gasta entre 216 a 560 litros de água. Use o balde, além de tudo é um ótimo exercício físico. O consumo utilizando balde será de 40 litros.
Terceiro: não escova os dentes com a torneira aberta. Esta atividade por 5 minutos gera um gasto de 12 litros de água. Molhe a escova e use um copo para bochechar. Nesta atividade você economiza 11,5 litros.

Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br
 

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Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo. Professor universitário. É editor e criador da Revista Virtual Partes.
gilberto@partes.com.br

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