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Minhas primeiras experiências com
novas formas de avaliação de alunos foram realizadas logo quando
ingressei, no início dos anos 90, I, por concurso publico de
provas e títulos, na rede estadual de ensino, no Ceará, e me
deparei com um grande contingente alunos de baixo rendimento
escolar, em turmas de quinta série, que é, como sabemos pelos
relatórios oficiais do MEC, um dos gargalos do sistema educacional
uma vez que concentra altas taxas de repetência e evasão escolar.
A
forma de avaliação tradicional, que ocorre na maioria das escolas
brasileiras, em regime de seriação e no final do processo
ensino-aprendizagem, a chamada avaliação com função somativa, é
uma forma perversa de avaliar alunos que apresentam dificuldades
de aprendizagem e das principais causas do fracasso escolar no
Brasil.
A
este modelo de avaliação somativa, muitas vezes, descarta a função
diagnóstica, que visa acompanhar o processo de aprendizagem bem a
função formativa que é a de aprimorar o processo de
ensino-aprendizagem. O que se tem feito no País, mesmo nos exames
oficiais, é verificar competências e habilidades dos alunos, com
objetivo unicamente de avaliação do rendimento do aluno num curso,
para atribuição de notas ou conceitos. Isso é péssimo para a
educação.
Quando aluno do Colégio Militar de Fortaleza, durante muitos anos
fui à recuperação nos meses de férias para não colar e correr
risco de ser expulso do colégio, uma vez que temi, sendo flagrado,
ser sumariamente expulso do colégio, mas vi vários colegas, mais
espertos, inteligentes e realmente perspicazes, hoje brilhantes no
mercado de trabalho, apelaram para cola como expediente de
resolução de questões enfadonhas, principalmente para evitar a
reprovação, a humilhação na escola, a decepção na família ou
exacreção pública.
Hoje, não censuro nem vejo o expediente da cola
como uma conduta desviante que precisaria de um corretivo. Sendo
assim, fiz uma espécie de conversão de uma conduta discente em
uma estratégia docente.
A
cola foi introduzida, na minha prática prática educacional, como
estratégia de recuperação para os alunos de baixo rendimento assim
como o sol, por osmose, interpenetra a carne.
Vejo a cola escola com a mesma naturalidade que um juiz eleitoral
vê a cola no dia de eleição. Durante as campanhas de
esclarecimento na mídia, sobre o processo eleitoral, os tribunais
regionais eleitorais, de todo o Pais, ao serem indagado se o
eleitor pode ou não levar cola eleitoral para urna eletrônica,
afirmam não poder, e sim, ver, acrescentando que para facilitar o
voto, o eleitor deve levar os números dos candidatos anotados em
um papel. O que é lícito para a democracia eleitoral porque seria
ilícito para a democracia escolar?
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