| Oferenda- Cícero Gonçalves.

Ah! Se eu fosse um galho de
alecrim dourado
pra ficar parado no pé
da estrada
fazendo sombra ao te ver passar
Ah! Se eu fosse um rio de águas
cristalinas
pra nas tardes quentes
todo contente te refrescar
Ah! Se eu fosse a noite toda
estralada
convidava o maior violeiro
a tocar bonito pra te dormir
Ah! Se eu fosse um raio de luar
de prata
pra entrar em teu quarto
e iluminar os sonhos teus
mas eu sou o primeiro vento
da manhã que virá
pra trazer o perfume da mata
pra te dar
ah! se eu fosse a aurora na
manhã vindoura
pra fazer um coro de
passarinhos e entoar um hino
pra te acordar
ah! se eu fosse um carvo todo
encarnado
pra ir sorridente o teu cabelo
enfeitar
Interpretar v.t. 3. exprimir o
sentido de. (Minidicionário Luft, Ed. Ática. 13º ed. SP), - É
exatamente o que faz Cícero Gonçalves, no Cd Oferenda,
ele canta retirando da composição o que de melhor nela há, sem
deturpar a canção e com sua viola caipira, reverbera, vai ponteando
como quem conta “causo”. A 14º faixa, Andaluz é uma belíssima
composição instrumental de sua autoria, acordes sonantes servem de
portal - ou mais apropriado seria “porteira”- ao ouvinte, e dão
passagem à uma tranqüilidade sonora madrigal. O trabalho de Cícero
Gonçalves é belo e harmonioso, vale a pena notar a qualidade das
composições de sua autoria, uma poética bem construída e
despretensiosa. “Nem
sempre o vento brejeiro/ Me diz o que quero ouvir/ parei para ouvir
conselhos/ das asas de um colibri/ os meus dedos mais certeiros/
pulavam daqui pra li/ e eu me desato inteiro/ e o cavalheiro se
ri...” .Vento
Brejeiro – 11º faixa. |