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O leitor S.A.M.G., de João Pessoa – PB, anota que é uma
agressão à nossa língua "dizer agente de polícia civil
ao invés de agente da polícia civil, pois se perguntarmos ao
agente onde ele trabalha certamente ouviremos como resposta
na Polícia, e não em Polícia".
Não creio que seja bem assim. Vejamos por que digo isso.
A rigor, uma vez que se qualifique ou determine um segundo
substantivo, deveria se determinar o antecedente usando
da e não de. Por exemplo: ele é chefe de
gabinete. Se o gabinete é da Presidência, se diria,
como conseqüência: ele é o chefe do gabinete da
Presidência. Mas também é lícito dizer "chefe de
gabinete da Presidência" quando se quer ou se precisa manter
a unidade da expressão chefe de gabinete. Isto é: ele
é chefe de gabinete (do gabinete) da Presidência.
Subentende-se a repetição da palavra "gabinete".
Outro caso semelhante é o do "projeto de lei orçamentária",
que está registrado, por exemplo, inúmeras vezes na
Constituição Federal. Pode parecer estranho, mas tem a mesma
lógica: o projeto de lei (da lei) orçamentária.
Nesse tipo de estrutura está se evitando – reitero – a
repetição do segundo substantivo, que então estaria
determinado pelo artigo. O projeto de lei forma uma
unidade "imexível": o "projeto da lei orçamentária" seria
outra coisa, diferente do "projeto de lei (da lei)
orçamentária".
Chegamos, então, ao agente de polícia. O seu cargo é
exatamente este: agente de polícia, assim como
"delegado de polícia". Mas qual polícia? perguntamos. – A
polícia civil. Portanto, ele é um agente de polícia (da
polícia) civil. Concorda? Claro que pode haver
simples agentes que trabalham para a Polícia, os quais
seriam "agentes da Polícia". Mas aí já é outra história...
VISAR
A pedido, repetimos a regência do verbo visar.
• Com o sentido de dirigir o olhar / a pontaria ou
pôr o visto em, é transitivo direto:
- Visou o alvo / a refém / os pardais.
- Os fiscais visaram o passaporte e demais
documentos.
- O gerente financeiro deve visar a folha de
pagamento.
• Com o sentido de propor-se, dispor-se, ter em vista,
pretender, objetivar, pode ser transitivo indireto
(com a preposição a) ou direto:
- O ensino visa ao progresso social.
- O novo ambulatório visa a atender a população de
baixa renda.
- As notas, porém, visavam mais o professorado que os
alunos.
- As medidas propostas visam acabar com a corrupção
no Brasil.
PEGO OU PEGADO?
Hoje em dia usam-se indiferentemente os dois particípios.
Pego é a forma inovada e pegado a forma
tradicional:
- Ele foi pego em flagrante.
- Ele foi pegado à força.
- Não tenho pego resfriado ultimamente.
- Não temos pegado peixes graúdos.
Se nenhuma das formas lhe soar bem, substitua por:
apanhado, colhido etc.
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