ISSN 1678-8419                                                                                                                                                                 Ano IV n.45 -maio de 2004

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::Nossa Língua::

O caso do AGENTE DE POLÍCIA - Visar (a) - Pego/pegado
 
por
Maria Tereza de Queiroz Piacentini


O leitor S.A.M.G., de João Pessoa – PB, anota que é uma agressão à nossa língua "dizer agente de polícia civil ao invés de agente da polícia civil, pois se perguntarmos ao agente onde ele trabalha certamente ouviremos como resposta na Polícia, e não em Polícia".

Não creio que seja bem assim. Vejamos por que digo isso.

A rigor, uma vez que se qualifique ou determine um segundo substantivo, deveria se determinar o antecedente usando da e não de. Por exemplo: ele é chefe de gabinete. Se o gabinete é da Presidência, se diria, como conseqüência: ele é o chefe do gabinete da Presidência. Mas também é lícito dizer "chefe de gabinete da Presidência" quando se quer ou se precisa manter a unidade da expressão chefe de gabinete. Isto é: ele é chefe de gabinete (do gabinete) da Presidência. Subentende-se a repetição da palavra "gabinete".

Outro caso semelhante é o do "projeto de lei orçamentária", que está registrado, por exemplo, inúmeras vezes na Constituição Federal. Pode parecer estranho, mas tem a mesma lógica: o projeto de lei (da lei) orçamentária. Nesse tipo de estrutura está se evitando – reitero – a repetição do segundo substantivo, que então estaria determinado pelo artigo. O projeto de lei forma uma unidade "imexível": o "projeto da lei orçamentária" seria outra coisa, diferente do "projeto de lei (da lei) orçamentária".

Chegamos, então, ao agente de polícia. O seu cargo é exatamente este: agente de polícia, assim como "delegado de polícia". Mas qual polícia? perguntamos. – A polícia civil. Portanto, ele é um agente de polícia (da polícia) civil. Concorda? Claro que pode haver simples agentes que trabalham para a Polícia, os quais seriam "agentes da Polícia". Mas aí já é outra história...


VISAR

A pedido, repetimos a regência do verbo visar.

• Com o sentido de dirigir o olhar / a pontaria ou pôr o visto em, é transitivo direto:

- Visou o alvo / a refém / os pardais.

- Os fiscais visaram o passaporte e demais documentos.

- O gerente financeiro deve visar a folha de pagamento.

• Com o sentido de propor-se, dispor-se, ter em vista, pretender, objetivar, pode ser transitivo indireto (com a preposição a) ou direto:

- O ensino visa ao progresso social.

- O novo ambulatório visa a atender a população de baixa renda.

- As notas, porém, visavam mais o professorado que os alunos.

- As medidas propostas visam acabar com a corrupção no Brasil.


PEGO OU PEGADO?

Hoje em dia usam-se indiferentemente os dois particípios. Pego é a forma inovada e pegado a forma tradicional:

- Ele foi pego em flagrante.
- Ele foi pegado à força.
- Não tenho pego resfriado ultimamente.
- Não temos pegado peixes graúdos.

Se nenhuma das formas lhe soar bem, substitua por: apanhado, colhido etc.


 

::educação::
Cola: Justiça, pode. Educação, por que não?
 Por
Vicente Martins

Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Só Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br

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