.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - maio de 2004 - nº 45 

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::Política e Cidadania::
 
 Quem são os verdadeiros políticos
 Por Renato Ribeiro Velloso

         Político é uma palavra derivada do latim politicus, do grego politikos, como adjetivo, é empregado para designar tudo que se refere ao Governo ou ao Poder Público. Mas como substantivo, designa o homem que exerce atividades públicas, ou seja, a arte de bem governar os povos.

 

         Na visão de Aristóteles podemos também definir todo homem como político, pois vivemos em sociedade. Uma das principais e essenciais condições do ser humano é o fato de viver agregado a outros homens,  na intenção de realizar um fim, ou de cumprir um objetivo de interesse comum, para o qual todos devem cooperar, ou trabalhar. Sendo  inconcebível um homem que vive sozinho ou aquele chamado auto-suficiente, pois assim ele deixa de ser homem, se torna um deus ou uma fera, ou simplesmente não sobrevive.

 

         A política é o estudo das formas como o homem se organiza no espaço público. Busca a organização sócio ideal, seu objetivo é estabelecer os princípios, que se mostrem indispensáveis à realização de um governo. O homem deve trabalhar sua inteligência para tornar suas idéias aptas, para colaborar com a evolução da humanidade, com honra, honestidade, respeito para com o próximo, isto é, com ética, virtude e prudência. Assim, a política nos mostra doutrinas, indispensáveis ao bom governo de um povo.

 

         Mas de maneira inversa, outros, se conformam em ser apenas expectadores da grandiosa conquista do pensamento e da ação. O sábio é aquele que usa a sabedoria para o bom proveito do homem, com caráter e inteligência, pois um sem o outro é apenas meia felicidade. Não basta ser inteligente, é preciso também ter o caráter apropriado. Os expectadores fracassam por desconsiderar sua condição, sua posição, sua origem e amizades.

 

         Devemos ter uma nova postura diante da vida, com essa idéia que todos os homens são políticos, temos que descartar o monótono, a mesmice, ou seja, tudo aquilo que nos ensinaram como correto e verdadeiro. Assim, enfrentando novos desafios, quebrando barreiras e estabelecendo novas regras.

 

         Para a compreensão do homem como um ser político, ele tem que experimentar sensações de dor e prazer, medo e coragem, justiça e injustiça, compreender uns aos outros, discernir o bem do mal, e assim todos os sentimentos desta ordem, cuja comunicação constitui a família do Estado. Conhecendo além dos aspectos superficiais das coisas, principalmente a razão do ser, com certeza teremos uma condição de vida mais livre.

 

         Uma coisa é importante: não adianta nada compreendermos tudo isso, se não colocamos o Estado em primeiro lugar, antes da família, antes de cada indivíduo. Pois como falamos, um homem que vive isolado não basta a si mesmo. Os homens devem viver em sociedade, praticando a política, respeitando o Estado, lutando pela dignidade humana, sabendo tolerar uns aos outros, agindo com virtude e prudência, pois sem virtude, o homem é o ser mais incrédulo, sem fé, se tornando o mais feroz de todos os seres vivos, nada mais sabe, por sua vergonha, que amar e comer.

 

         Com nossa nova visão do ser político, temos como fundamento um Estado que garanta a felicidade de todos os seus habitantes, com a habilidade de dominar os diferentes tipos de paixão, não tendo o espírito da contradição, com fidalguia de caráter, sabendo renovar o caráter com naturalidade e com arte. Isso é alcançado quando as três partes da alma agem em conjunto, na busca do bem supremo, impulsionadas pelo amor, que nos leva à verdade, beleza e justiça. Assim chegando a Ordem e Progresso. 

 

Bibliografia

Gracián, Baltazar. A Arte da Prudência. São Paulo – Ed.Martin Claret – 2003

Aristóteles. A política. Trad.: Nestor Silveira Chaves. Rio de Janeiro, Tecnoprint, s.d.

Silva, de Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro – Forense – 1998 

::educação::
 



Renato Ribeiro Velloso é Sub-Coordenador do Núcleo de Desenvolvimento Acadêmico da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo; Conciliador Patronal pelo Sindicato das Micros e Pequenas Empresas – SIMP e Membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCrim.

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Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo. Professor universitário. É editor e criador da Revista Virtual Partes.
gilberto@partes.com.br

 




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