O turista ao escolher o seu destino, tem
como um de seus principais critérios uma localidade em que possa
conhecer os valores, as origens, a história, a cultura dos
habitantes de determinada região. Pode ser a busca pela cultura
a motivação principal, a impulsionadora de uma viagem ou mesmo
de momentos de lazer no museu mais próximo.
Um dos segmentos do turismo que proporciona a satisfação desses
critérios é o turismo cultural, sendo que este contém diversas
ramificações que abrangem desde a maneira de viver das pessoas
de determinado local, até suas crenças, costumes, tradições,
estilo arquitetônico, etc. E, conseqüentemente, por abranger
tantos aspectos, é escolhido especialmente por possibilitar ao
turista uma forma de aprendizagem agradável sobre diversas
culturas. Parte dessa cultura que o turista deseja ver pode ser
representado pelas construções históricas de cada cidade. O
vislumbre e o entendimento além do nível estético e funcional,
mas histórico também, são fundamentais apelos que devem ser
satisfeitos para que o consumidor da viagem ou daquela atividade
de lazer fique sem frustrações.
A possibilidade
de conhecer o modo de vida das pessoas através do estilo
arquitetônico de determinado local é de interesse de muitos
turistas e pode lucratividade para a localidade. Um exemplo a
ser citado são as Pirâmides do Egito, que contam muito sobre a
civilização que habitou aquela região. É um exemplo não somente
com relação à arquitetura, mas também para o turismo, ou seja,
de como saber utilizar este patrimônio arquitetônico a favor do
turismo, explorando de forma adequada: sustentável. Mas,
infelizmente, não é esse pensamento que a maioria dos
proprietários de imóveis com valor cultural e histórico têm;
sendo que o mesmo ocorre com a administração pública - que
deveria ser a maior interessada na conservação destes imóveis –,
oferecendo pouco de apoio, de modo geral, com relação a reforma
e conservação de imóveis, aos proprietários.
“Para valorizar
suas áreas históricas, as cidades estão tentando atrair novas
atividades e uma delas é o turismo associado a atividades
culturais. O
turismo é usado
para combater a imagem de uma cidade obsoleta, introduzindo
novos usos que, dessa maneira, tirem proveito de seu caráter
histórico e do
seu ambiente” Pág
39, 1.º parágrafo, CAPACIDADE DE CARGA NAS CIDADES HISTÓRICAS,
Fernando Vicente de Oliveira
Explorar os
imóveis que possuem certo valor histórico e cultural é um meio
de garantir o turismo, a lucratividade, e, inclusive, a geração
de empregos
para a localidade
o ano inteiro, pois este é um segmento que não necessita ter
data, temporada, etc. Ou seja, não é sazonal, pode ser planejado
e
gerido de forma a
atrair visitações e promover aprendizado durante todo o ano.
Para tanto, é necessário fazer um trabalho de conscientização
com as partes envolvidas, enfatizando os benefícios que este
segmento pode trazer para a localidade se for bem explorado.
Na região de
Blumenau, por exemplo, podemos apreciar muitos imóveis de estilo
enxaimel - típico alemão - que possuem grande valor histórico e
cultural; muitos
bem conservados; e outros em total estado de depreciação,
podendo se perder com o passar do tempo. Na maioria das vezes
essa questão é tratada com total descaso, em nome do
“progresso”: derruba-se o passado para construir o moderno, sem
pensar na necessidade de preservar a memória e na possibilidade
de fazer existir a coexistência do moderno com o antigo de modo
agradável, harmônico e útil. Construções muito antigas, como
prédios e casas do século XIX, são destruídas para dar espaço a
prédios luxuosos,
estacionamentos,
lojas 24 horas; tudo em prol do crescimento das localidades,
como justificam os governantes. Infelizmente, estas pessoas não
atentam para o
fato de que estes imóveis fazem parte da cultura, podendo se
transformar em atrativo turístico; que, quando bem planejado
pode trazer a cidade além de reconhecimento, o aumento da renda
e empregos, e isso sem destruir o que a localidade tem de mais
belo, suas origens representadas pelo seu patrimônio histórico.