|
Penso que ser e viver
tranqüilamente é privilégio e competência de poucos. Vivemos
em um mundo atribulado, cheio de situações estressantes e que
continuamente nos coloca diante do revidar ou do
laisse faire, laisse passer.
Penso que
seria tão mais simples agir sabiamente, ou seja, com sensatez,
moderação, espírito tranqüilo. Não é assim que acontece com o
Universo? O sol nasce e se põe silenciosamente sem perder sua
capacidade de mover o sistema planetário e ao mesmo tempo
entra por nossas vidraças e nos aquece sem nos incomodar.
Assim é toda a natureza, se move e age com suavidade de uma
ilusória ausência.
E por que
nós, seres humanos, não podemos agir assim? Será que é pelo
temor de sermos rotulados de sossegados? Ou pelo temor de
sermos chamados de fracos e insensatos pelo nosso “jeito zen
de ser”?
É perigoso
adotarmos comportamentos para simplesmente agradarmos aos
outros. Em que manual está escrito que devemos viver
atribulados?
Conta uma
história que um jovem comprava o jornal sempre no mesmo
jornaleiro e habitualmente era tratado com rispidez. Certo
dia, em companhia de um amigo, repetiu o que sempre fazia:
comprou o jornal, foi atendido com indiferença e sorriu como
sempre, agindo de forma cortês e elegante. O amigo então
inconformado perguntou porque ele não reagia àquela situação,
o que este respondeu sabiamente: É porque eu não quero que ele
decida como eu devo ser.
Quando
olhamos para os grandes iluminados da nossa História, vemos
que pessoas como Jesus, Buda, Gandhi, Madre Tereza e tantos
outros, jamais perderam a ternura, por mais conflitante que a
situação possa ter sido.
A calma, a
tranqüilidade é própria daqueles que estão em um estágio de
evolução à frente da grande massa, porque já entenderam que
não é necessária a compulsão para quem já tem a compreensão,
que não faz sentindo a força para quem aprendeu a amar, pois
toda a violência é barulhenta e toda a mansidão é silenciosa.
E que
importa se aos olhos dos outros possa isso parecer fraqueza? O
importante é viver com o propósito de contribuir para um mundo
melhor, por mais que isto possa parecer uma grande utopia.
Por que não
podemos crer em um mundo que abandone a guerra em favor da
paz? Por que não podemos crer que no dia em que a violência
deixe de existir? Precisamos nos mobilizar para a construção
de um mundo melhor para que as gerações futuras tenham prazer
de viver.
É uma grande
utopia? Pode ser, mas por que não pensar na frase de Confúcio:
Até que o sol nasça, acendamos uma vela. Ou seja,
façamos a nossa parte, por menor que a claridade das nossas
ações resplandeçam no mundo.
Felizes os
que entendem a grandeza de um “jeito zen de ser”, pois
diferentemente dos que atuam no tempo e no espaço, estes atuam
no eterno e no infinito.
|