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                                                          Revista Partes - Ano IV - junho de 2004 - nº46 

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O jeito Zen[1] de ser
Por Madalena Carvalho

Penso que ser e viver tranqüilamente é privilégio e competência de poucos. Vivemos em um mundo atribulado, cheio de situações estressantes e que continuamente nos coloca diante do revidar ou do laisse faire, laisse passer.[2] 

Penso que seria tão mais simples agir sabiamente, ou seja, com sensatez, moderação, espírito tranqüilo. Não é assim que acontece com o Universo? O sol nasce e se põe silenciosamente sem perder sua capacidade de mover o sistema planetário e ao mesmo tempo entra por nossas vidraças e nos aquece sem nos incomodar.  Assim é toda a natureza, se move e age com suavidade de uma ilusória ausência.  

E por que nós, seres humanos, não podemos agir assim? Será que é pelo temor de sermos rotulados de sossegados? Ou pelo temor de sermos chamados de fracos e insensatos pelo nosso “jeito zen de ser”?  

É perigoso adotarmos comportamentos para simplesmente agradarmos aos outros. Em que manual está escrito que devemos viver atribulados?  

Conta uma história que um jovem comprava o jornal sempre no mesmo jornaleiro e habitualmente era tratado com rispidez. Certo dia, em companhia de um amigo, repetiu o que sempre fazia: comprou o jornal, foi atendido com indiferença e sorriu como sempre, agindo de forma cortês e elegante. O amigo então inconformado perguntou porque ele não reagia àquela situação, o que este respondeu sabiamente: É porque eu não quero que ele decida como eu devo ser. 

Quando olhamos para os grandes iluminados da nossa História, vemos que pessoas como Jesus, Buda, Gandhi, Madre Tereza e tantos outros, jamais perderam a ternura, por mais conflitante que a situação possa ter sido. 

A calma, a tranqüilidade é  própria daqueles que estão em um estágio de evolução à frente da grande massa, porque já entenderam que não é necessária a compulsão para quem já tem a compreensão, que não faz sentindo a força para quem aprendeu a amar, pois toda a violência é barulhenta e toda a mansidão é silenciosa. 

E que importa se aos olhos dos outros possa isso parecer fraqueza? O importante é viver com o propósito de contribuir para um mundo melhor, por mais que isto possa parecer uma grande utopia.  

Por que não podemos crer em um mundo que abandone a guerra em favor da paz? Por que não podemos crer que no dia em que a violência deixe de existir? Precisamos nos mobilizar para a construção de um mundo melhor para que as gerações futuras tenham prazer de viver. 

É uma grande utopia? Pode ser, mas por que não pensar na frase de Confúcio: Até que o sol nasça, acendamos uma vela. Ou seja, façamos a nossa parte, por menor que a claridade das nossas ações resplandeçam no mundo. 

Felizes os que entendem a grandeza de um “jeito zen de ser”, pois diferentemente dos que atuam no tempo e no espaço, estes atuam no eterno e no infinito.


 


[1] Zen é uma palavra de origem sânscrita, que significa meditação. Não é uma religião, nada se ensina, apenas se aponta o caminho da iluminação.

[2] Expressão francesa que significa: Deixa fazer, deixa passar.

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Madalena Carvalho
Consultora, Palestrante e Conferencista
madalena@estadao.com.br
E-mail alternativo/messenger:
mlima@hotmail.com 

Madalena Carvalho é consultora, palestrante e conferencista. Todos os artigos são temas de cursos e / ou palestras.
Em 06 e 07 de julho será a Presidente de Mesa da Conferência Nacional " Estabeleça Estratégias para a Gestão Eficaz da Área de Educação Corporativa", evento organizado pelo IBC Brasil.  Seus próximos eventos abertos e in company são: Espiritualidade Corporativa, Desenvolvimento de Analistas de Treinamento, Formação de Instrutores de Treinamento, Reuniões Produtivas e Eficazes, Habilidades Gerenciais Básicas.



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