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                                                          Revista Partes - Ano IV - junho de 2004 - nº46 

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Um ser singular, João Cruz
Por Gilberto da Silva

Tem, teve e terá inúmeras personalidades no Balneário do Guarujá. Pessoas que merecem respeito e consideração. Pessoas plurais. Mas há na cidade um personagem, um homem, um ser singular: João Cruz Filho: exemplo raro de dignidade, trabalho, dedicação e honestidade. Exemplar na atitude de vida, na linha reta que sua vida é. Um homem e uma trajetória limpa, sadia, transparente e repleta de muita competência profissional. João Cruz com sua seriedade e humildade deixa marcas.

Naquele dia da semana - não lembro com certeza, mas creio que era uma quinta-feira - que fui levado para o balneário paulista pelas mãos do advogado e amigo Antonio Carlos Coelho não imaginava que iria conhecer uma pessoa simples, carinhosa que nos faz lembrar que nós somos seres humanos, simples mortais.
João Cruz, baiano de Crisópolis, poderia ter muito mais. Poderia ter mais conforto, mais dinheiro, mais bens materiais, estar com o “burro na sombra”, mas com sua correta conduta, não só profissional como pessoal, aliada a uma série de princípios e tendo a honestidade como meio, João Cruz conseguiu o que muitos endinheirados não conseguem: a admiração, o respeito e a gratidão de todos.

Cinqüenta anos trabalhando como construtor na cidade do Guarujá. Foram vários clientes e colaboradores. Meio século comandando centenas de funcionários e utilizando diversos fornecedores. Nunca teve problemas técnicos ou jurídicos. As mesmas mãos que ajudaram a construir casas e mansões ajudaram a tirar famílias da miséria e a auxiliar centenas de pessoas e entidades na cidade. Em cada obra importante do balneário do Guarujá há um dedo do bom baiano.

Bom de prosa, João Cruz adora receber visitas. E trata-as muito bem. É um construtor não apenas de casas e sobrados, mas de laços afetivos. É um edificador de amizades.

Laços de amor

Nessa trajetória, a participação da esposa Maria Eunice, falecida há mais de quatro anos, foi fundamental. João quando veio para São Paulo, veio só, mas o amor por Maria Eunice fez com que fosse buscá-la na Bahia. Casam-se jovens e iniciaram uma família que hoje constituída por seis filhos, quinze netos e mais de duas centenas de familiares.

Maria Eunice foi homenageada pelo vereador Gilson Fidalgo Salgado concedendo a Medalha do Mérito do Trabalho e pelo vereador Addis que, através da Câmara e com o apoio do então prefeito Maurici Mariano denominou a Escola Municipal da Praia do Perequê, Escola Municipal Maria Eunice Cruz.


Com muito carinho e sacrifício, João criou sua família, sempre apoiado pela dedicada esposa.  Não incluo aqui os inúmeros parentes e baianos que Joãozinho, como é conhecido por muitos, trouxe para trabalhar no litoral paulista. Sua casa sempre foi um ponto de apoio para os seus conterrâneos e familiares.  

Reconhecimento
Apesar de todo o respeito na cidade, João Cruz não foi seduzido pela política tradicional, mas recebe sempre a visita de políticos tradicionais com atenção.  Preferiu realizar obras sociais, tais quais as efetivadas com o falecido Dom Domênico Rangoni na ajuda da construção do Hospital Santo Amaro, do qual é seu sócio fundador.
Suas ajuda para obras sociais se espalha por todos os cantos, no transporte, na habitação, na educação, no esporte e na segurança.

A probidade e a firmeza de atitudes fazem de João Cruz  um homem estimado e querido por todos que tiveram e têm o prazer de conviver com ele.

Sempre demonstrou a maior lisura, honradez e honestidade. A decência faz o homem, virtude de poucos e o bom baiano sabe vivê-la com maestria. João é transparente, sensível ao problema de todos.

Estimado na região, procurado por todos que necessitam de um bom e honesto construtor. João é, numa época de poucos valores morais, uma enorme exceção de caráter, e de marcante personalidade nesta vida tão conturbada que estamos atravessando. 

Cidadão
Depois de uma curta passagem por São Paulo, Guarujá recebeu  carinhosamente este  homem simples e humilde. O apoio das pessoas, dos mais simples aos proprietários, fornecedores e clientes foi fundamental. Reconhecimento concretizado com o Título de Cidadão de Guarujá, recebido em 1977. Justa homenagem, feita pelo vereador José Bonfim de Carvalho. Recebeu também a medalha do  “Mérito do Trabalho”, indicação do vereador Laurenil Silveira. Na ocasião foi intitulado pelo então prefeito Jaime Daige, em reconhecimento pela sua ajuda social e profissional na construção da cidade, como o “Grande Embaixador da Bahia em Guarujá”.
No dia 1 de maio de 1981 recebeu a Medalha de Honra ao Mérito, homenagem concedida pelo vereador Laureni Silveira.

É um modelo de vida que permanece através dos anos em busca da perfeição, tendo como base a vivência que é a melhor escola e o tempo, o melhor professor. 

Honradez
Muitos homens têm orgulho de pertencer ao rol de amizade do ilustre baiano.  Por meio de cartas abertas que tive acesso destaco alguns comentários:

Fernando Lee, empresário, já falecido declarou, por escrito, em 94, que João Cruz “é uma pessoa totalmente digna me ajudou na construção da minha “Ilha Encantada” e, também da minha casa na praia de Pernambuco, ficarei eternamente grato”.
 

A probidade e a firmeza de atitudes fazem de João Cruz um homem estimado e querido por todos que tiveram o prazer de conviver com ele.

“Sempre demonstrou a maior lisura, honradez e honestidade”, arremata José Chagas Pinto, funcionário público federal. 

“Prosperou por ser honesto, trabalhador e cumpridor de suas obrigações” relatam Assunta Fernandes, Oswaldo Del Nero e Claúdio Laurito.

A decência, virtude de poucos, faz o homem:

“João é transparente, sensível ao problema de todos e honesto na maneira de agir e ser”, manifesta o médico e professor Pedro Paulo Bonono.

Em carta enviada pelo ex-dono do Açúcar União, Maurício Ferraz de Camargo em carta aberta datada de 16 de dezembro de 1992, reconhece em João Cruz:
“um homem trabalhador, competente e correto como muitos outros deveriam ser. Estimado por todos que o conhecem, procurado por todos  que necessitam de um bom e honesto construtor, é meu
irmão do coração”. Dr. Maurício faleceu em 1993. 

Hoje, na sua casa, mais simples que as anteriores, mas muito aconchegante, João Cruz continua a receber seus verdadeiros amigos antes de suas sessões de fisioterapias. É, nem tudo é alegria, impossibilitado de andar sem a ajuda de bengala, o bom baiano luta para andar sem a ajuda de outros aparelhos. Ele quer fazer o que sempre adorou fazer: dirigir automóvel!

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Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo. Professor universitário. É editor e criador da Revista Virtual Partes.
gilberto@partes.com.br


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