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Tem,
teve e terá inúmeras personalidades no Balneário do
Guarujá. Pessoas que merecem respeito e consideração.
Pessoas plurais. Mas há na cidade um personagem, um
homem, um ser singular: João Cruz Filho: exemplo raro de
dignidade, trabalho, dedicação e honestidade. Exemplar
na atitude de vida, na linha reta que sua vida é. Um
homem e uma trajetória limpa, sadia, transparente e
repleta de muita competência profissional. João Cruz com
sua seriedade e humildade deixa marcas.
Naquele
dia da semana - não lembro com certeza, mas creio que
era uma quinta-feira - que fui levado para o balneário
paulista pelas mãos do advogado e amigo Antonio Carlos
Coelho não imaginava que iria conhecer uma pessoa
simples, carinhosa que nos faz lembrar que nós somos
seres humanos, simples mortais.
João Cruz, baiano de Crisópolis, poderia ter muito mais.
Poderia ter mais conforto, mais dinheiro, mais bens
materiais, estar com o “burro na sombra”, mas com sua
correta conduta, não só profissional como pessoal,
aliada a uma série de princípios e tendo a honestidade
como meio, João Cruz conseguiu o que muitos
endinheirados não conseguem: a admiração, o respeito e a
gratidão de todos.
Cinqüenta
anos trabalhando como construtor na cidade do Guarujá.
Foram vários clientes e colaboradores. Meio século
comandando centenas de funcionários e utilizando
diversos fornecedores. Nunca teve problemas técnicos ou
jurídicos. As mesmas mãos que ajudaram a construir casas
e mansões ajudaram a tirar famílias da miséria e a
auxiliar centenas de pessoas e entidades na cidade. Em
cada obra importante do balneário do Guarujá há um dedo
do bom baiano.
Bom de
prosa, João Cruz adora receber visitas. E trata-as muito
bem. É um construtor não apenas de casas e sobrados, mas
de laços afetivos. É um edificador de amizades.
Laços de amor
Nessa
trajetória, a participação da esposa Maria Eunice, falecida há
mais de quatro anos, foi fundamental. João quando veio
para São Paulo, veio só, mas o amor por Maria Eunice fez
com que fosse buscá-la na Bahia. Casam-se jovens e iniciaram uma família
que hoje
constituída por seis filhos, quinze netos e mais de duas
centenas de familiares.
Maria Eunice foi homenageada pelo vereador Gilson
Fidalgo Salgado concedendo a Medalha do Mérito do
Trabalho e pelo vereador Addis que, através da Câmara e
com o apoio do então prefeito Maurici Mariano denominou
a Escola Municipal da Praia do Perequê, Escola Municipal
Maria Eunice Cruz.
Com muito carinho e sacrifício,
João criou sua família, sempre apoiado pela dedicada
esposa. Não incluo aqui os inúmeros parentes e baianos
que Joãozinho, como é conhecido por muitos, trouxe para
trabalhar no litoral paulista. Sua casa sempre foi um
ponto de apoio para os seus conterrâneos e familiares.
Reconhecimento
Apesar de todo o respeito na cidade, João Cruz não foi
seduzido pela política tradicional, mas recebe sempre a visita de
políticos tradicionais com atenção. Preferiu
realizar obras sociais, tais
quais as efetivadas com o falecido Dom Domênico Rangoni
na ajuda da construção do Hospital Santo Amaro, do qual
é seu sócio fundador.
Suas ajuda para obras sociais se espalha por todos os
cantos, no transporte, na habitação, na educação, no
esporte e na segurança.
A
probidade e a firmeza de atitudes fazem de João Cruz um
homem estimado e querido por todos que tiveram e têm o
prazer de conviver com ele.
Sempre
demonstrou a maior lisura, honradez e honestidade. A
decência faz o homem, virtude de poucos e o bom baiano
sabe vivê-la com maestria. João é transparente, sensível
ao problema de todos.
Estimado na região, procurado por todos que necessitam
de um bom e honesto construtor. João é, numa época de
poucos valores morais, uma enorme exceção de caráter, e
de marcante personalidade nesta vida tão conturbada que
estamos atravessando.
Cidadão
Depois de uma curta passagem por São Paulo,
Guarujá recebeu carinhosamente este homem simples e
humilde. O apoio das pessoas, dos mais simples aos
proprietários, fornecedores e clientes foi fundamental.
Reconhecimento concretizado com o Título de Cidadão de
Guarujá, recebido em 1977. Justa homenagem, feita pelo
vereador José Bonfim de Carvalho. Recebeu também a
medalha do “Mérito do Trabalho”, indicação do vereador
Laurenil Silveira. Na ocasião foi intitulado pelo então
prefeito Jaime Daige, em reconhecimento pela sua ajuda
social e profissional na construção da cidade, como o
“Grande Embaixador da Bahia em Guarujá”.
No dia 1 de maio de 1981 recebeu a Medalha de Honra ao
Mérito, homenagem concedida pelo vereador Laureni
Silveira.
É um
modelo de vida que permanece através dos anos em busca
da perfeição, tendo como base a vivência que é a melhor
escola e o tempo, o melhor professor.
Honradez
Muitos homens têm orgulho de pertencer ao rol de amizade
do ilustre baiano. Por meio de cartas abertas que
tive acesso destaco alguns comentários:
Fernando Lee, empresário, já falecido declarou, por
escrito, em 94, que
João Cruz “é uma pessoa totalmente digna me ajudou na
construção da minha “Ilha Encantada” e, também da minha
casa na praia de Pernambuco, ficarei eternamente grato”.
A probidade e a firmeza de atitudes fazem de João Cruz um homem estimado e querido por todos que tiveram o
prazer de conviver com ele.
“Sempre demonstrou a maior lisura, honradez e
honestidade”, arremata José Chagas Pinto, funcionário
público federal.
“Prosperou por ser honesto,
trabalhador e cumpridor de suas obrigações” relatam
Assunta Fernandes, Oswaldo Del Nero e Claúdio Laurito.
A decência, virtude de poucos, faz o homem:
“João é
transparente, sensível ao problema de todos e honesto na
maneira de agir e ser”, manifesta o médico e professor
Pedro Paulo Bonono.
Em carta enviada pelo ex-dono do Açúcar União,
Maurício Ferraz de Camargo em carta aberta datada de 16
de dezembro de 1992, reconhece em João Cruz:
“um homem
trabalhador, competente e correto como muitos outros
deveriam ser. Estimado por todos que o conhecem,
procurado por todos que necessitam de um bom e honesto
construtor, é meu
irmão
do coração”.
Dr. Maurício faleceu em 1993.
Hoje,
na sua casa, mais simples que as anteriores, mas muito
aconchegante, João Cruz continua a receber seus
verdadeiros amigos antes de suas sessões de
fisioterapias. É, nem tudo é alegria, impossibilitado de
andar sem a ajuda de bengala, o bom baiano luta para
andar sem a ajuda de outros aparelhos. Ele quer fazer o
que sempre adorou fazer: dirigir automóvel! |