.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - junho de 2004 - nº 46 

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 Chão escorregadio: idosos que moram com o inimigo
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Agência Notisa

Pesquisa revela que maioria dos acidentes com idosos ocorre dentro de casa e que mulheres são as maiores vítimas desse tipo de trauma. 

Segundo o Ministério da Saúde, entre os anos de 1979 e 1995, 54.730 pessoas morreram devido a quedas, sendo que 52% delas eram idosas. Um estudo da USP, publicado na Revista de Saúde Pública (Vol.38 n.1), revelou um dado importante: 66% dos acidentes que ocorrem com o idoso acontecem dentro de casa. Mulheres, ainda segundo o estudo, são as maiores vítimas desses acidentes.

O estudo, que investigou a história de queda, e suas causas e conseqüências, contou com 50 idosos, de ambos os sexos, em idade superior a 60 anos. Informações como nome, idade, história da queda e ocorrência de internação foram obtidas nos prontuários dos mesmos, bem como seus endereços para realização das entrevistas, que foram feitas em domicílio.

Segundo os resultados do estudo, a maioria das quedas entre idosos ocorre com o sexo feminino (66%), na idade média de 76 anos e, o mais importante, dentro do próprio lar (66%). A pesquisa informa, ainda, que as causas mais comuns para as quedas estão relacionadas ao ambiente físico (54%) tais como: piso escorregadio (26%), atrapalhar-se com objetos no chão (22%), trombar em outras pessoas (11%), subir em objetos para alcançar algo (7%), queda da cama (7%), e problemas com degrau (7%).

As fraturas, de acordo com a pesquisa, são as conseqüências mais comuns das quedas (64%), sendo o medo de cair novamente — síndrome do pós-queda” —, outra conseqüência bastante mencionada pelos idosos. Após a queda, alguns idosos relataram surgimento de doenças, tais como: acidente vascular cerebral (10%), osteoporose (4%), pneumonia (4%), artrite (2%), infecção de trato urinário (2%) e cardiopatia (2%). Problemas visuais e auditivos também são complicações citadas.

“Tem sido verificado nos serviços de emergência dos EUA que as quedas são eventos freqüentes causadores de lesões, constituindo a principal etiologia de morte acidental em pessoas com idade acima de 65 anos. A lesão acidental é a sexta causa de mortalidade em pessoas de 75 anos ou mais. A queda é responsável por 70% dessa mortalidade”, dizem os pesquisadores no artigo.

Eles também identificaram que as quedas normalmente têm grande impacto na vida e nas atividades diárias dos idosos, provocando “maior dependência para a realização de atividades como: deitar/levantar-se, caminhar em superfície plana, cortar as unhas dos pés, tomar banho, caminhar fora de casa, cuidar das finanças, fazer compras, usar transporte coletivo e subir escadas”.

Assim, para os pesquisadores, devido às conseqüências físicas, psicológicas e sociais das quedas, há de se destacar a importância de preveni-las, garantindo ao idoso melhor qualidade de vida, autonomia e independência. “Os programas de saúde devem estabelecer protocolos para identificar possíveis riscos intrínsecos e extrínsecos causadores de queda”, garantem os pesquisadores. O estudo conclui, ainda, que é bastante importante o cuidado do próprio idoso consigo mesmo e sugere que se alerte a família para que participe ativamente da prevenção das quedas de seus entes de idade mais avançada.

Agência Notisa

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