.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - julho de 2004 - nº47 

  Principal
 Agenda
 Colunistas
 Cultura e Humor
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Notícias
 Poesias e Crônicas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Reflexão
 Terceira Idade
 Turismo e Lazer
 Outras edições
   Participe
 Cartas
 Expediente
 Fale Conosco
   Especiais
 SP 450 anos
 Gilberto Freyre
 Igrejas
 Meio Ambiente
 Assédio Moral
::Colunistas- Adilson Luiz Gonçalves::

1. As luas de Marte e a economia brasileira
2. "Ajuda Humanitária"

Por Adilson Luiz Gonçalves

AS LUAS DE MARTE E A ECONOMIA BRASILEIRA 

Phobos e Deimos (Medo e Pânico): São as duas pequenas e intrigantes luas do planeta Marte.

Segundo a mitologia grega, esses eram os nomes de dois filhos de Ares, o deus da guerra (Marte, para os romanos), e Afrodite, deusa do amor e da beleza sensual (a Vênus do Lácio).

Curioso: o deus da guerra e a deusa do amor geraram medo e pânico? E ainda dizem que a ambigüidade é uma característica humana...

Mais curiosamente ainda, a Terra está entre Vênus e Marte, e a economia brasileira entre o medo e o pânico. Vamos amar ou vamos à guerra?

Bem, Phobos e Deimos orbitam Marte, assim como a economia brasileira depende dos interesses das potencias mundiais. As luas são atraídas pelo campo magnético do “Planeta Vermelho” enquanto o Brasil é traído pela dívida externa e limitação tecnológica que o deixam submisso a países que, interessantemente, têm a cor vermelha em suas bandeiras!

Subordinado a esses fatores, o tratamento que vem sendo dado a nossa economia tem apresentado resultados semelhantes ao de um coma induzido ou sonoterapia. A dieta utilizada: limitação de investimentos em infra-estrutura, juros altos, tributação absurda e atendimento às rígidas e anacrônicas metas do FMI; parece egressa de um “spa”, versão campo de concentração, ou seja, em vez de deixar o paciente sadio e em forma, torna-o anoréxico e apático.

Não é à toa que o comportamento do mercado de capitais do Brasil alterna momentos de euforia, medo e pânico. Esse comportamento maníaco-depressivo talvez explique a presença de um médico no comando do Ministério da Fazenda...

Na condução da política econômica nacional sobram temor e cautela, mas faltam ousadia e criatividade para inovar, mesmo que homeopaticamente. Será que é porque nem todos os médicos confiam nessa terapia?

Os juros astronômicos inibem os financiamentos e deixam a economia azul, como Vênus, de asfixia. A tributação marciana sangra os proventos, deixando todos vermelhos, como Marte, de raiva.

Bom, se economia é isso, então, além de técnico de futebol, todo o brasileiro também pode ser economista! Só que o futebol brasileiro, depois da saída do Felipão, também virou adepto do medo e pânico...

Mas já que a economia é dinâmica e, até, célebres agraciados com o Prêmio Nobel de Economia renegaram e abominaram suas teorias premiadas, creio que cada um de nós tem o direito de dar o seu palpite, por mais absurdo que seja. Aí vai o meu:

E se em vez dessa “órbita estacionária” o governo estabelecesse um período - de dois ou três meses - no qual juros e tributação fossem racionalmente reduzidos, como no acordo de redução de IPI para as montadoras de veículos?

Nesse prazo o governo avaliaria os efeitos da medida sobre a arrecadação e nível de emprego, e definiria sua continuidade e aprimoramento, ou o retorno, temporário, sem traumas, à ortodoxia.

Medo? Ora: Investimentos envolvem riscos, desde que não sejam de morte ou caos.

Pânico? Só se não houver esclarecimento e negociação, prévios, com as instituições envolvidas e a própria sociedade.

Será que o governo teria discernimento e coragem para editar esse tipo de medida provisória, escapar da órbita e buscar novos caminhos, próprios; ou preferirá continuar andando em círculos, cheio de temor - como Phobos e Deimos - ao redor de Marte?

Não sei nem mesmo se a idéia é viável, tantas são as variáveis influentes... Mas não faz nenhum sentido um país como Brasil conformar-se ou submeter-se, indefinida e resignadamente, à condição de mero satélite!

::artigo 2::

 "AJUDA HUMANITÁRIA" 

Guerras, catástrofes naturais, acidentes de grandes proporções...

Todos são exemplos do que as companhias seguradoras não cobrem em suas apólices e dos raros momentos em que a solidariedade humana substitui a alienação cotidiana na tentativa de amenizar perdas, danos e dores do próximo. São manifestações honestas, sinceras, voluntárias e anônimas que renovam a esperança na espécie humana.

É verdade que existem pessoas que não esperam que uma tragédia ocorra para prestar ajuda humanitária - Elas são imprescindíveis! -, mas em certos momentos, por maior que sejam o empenho e boa-vontade, elas não são suficientes. Sua experiência e denodo assumem, então, o papel de coordenação. Assim, ajudam a superar, com risco pessoal e nenhum benefício financeiro, tanto o desastre imponderável como as conseqüências da estupidez dos conflitos bélicos.

Elas têm tido muito trabalho ultimamente!

Sua tarefa poderia ser aliviada se a ajuda humanitária e o desenvolvimento das nações fossem contínuos e conduzissem à dignidade dos povos. Infelizmente, é preciso que ocorra uma comoção: natural ou provocada, para que o mundo desperte de sua letargia, da inércia social ou da alienação narcótica ou financeira e perceba que todos estamos sujeitos a situações semelhantes. Todos podemos precisar, um dia, de uma mão estendida!

Infelizmente, existem pessoas que tiram proveito dessas situações para obter lucro. Não bastassem os saqueadores, que assaltam as cidades em meio a tragédias, há os que tiram proveito delas, com mercados-negros e tráfico de influências. Temperam o desespero com sadismo!

Mas há uma espécie de "ajuda humanitária" cujos reais interesses passam, quase sempre, despercebidos: É a prestada por quem destrói já pensando no lucro da reconstrução!

Estou falando, obviamente, das guerras modernas!

Sua lógica perversa proporciona vantagens adicionais para quem vive da destruição, pois ao mesmo tempo em que aplaina os terrenos com toneladas de bombas, já prepara o leilão dos despojos que custearão a recomposição das construções. Os conflitos nem começam, mas os contratos já estão sendo negociados... Um bom negócio!

Não há dinheiro para o combater a fome, a sede e a miséria no mundo; mas os orçamentos das potências exorbitam em verbas para aprimorar a destruição de estradas, fábricas, cidades e países! O agressor não planeja apenas o conflito: começa a matar antes, com boicotes; projeta e prepara a realização dos lucros da vitória, o aquecimento de mercados e a valorização das bolsas. Como argumento atenuante promete melhoria da qualidade de vida para os vencidos. Só que o "milagre" do ressurgimento de cidades e países não traz vidas de volta, não reconstrói famílias, nem resgata a dignidade das vítimas inocentes. Vítimas? Isso é um mero detalhe. Afinal, toda a "obra" tem perdas...

A verdadeira ajuda humanitária não tem bandeira, conotação política ou ideológica e nem visa lucro. Tirar a capacidade de auto-sustento, a saúde e a vida de entes queridos para depois oferecer pão e remédio não é um gesto magnânimo ou solidário: É submissão degradante! É desumanidade!

Os governantes precisam aprender com o povo o verdadeiro sentido da solidariedade e da prática do bem sem pré-requisitos, condições ou vantagens. O dia que isso ocorrer haverá menos motivos para conflitos e mais condições para o entendimento e cooperação entre as nações! Aí, quem sabe, em vez de desejarem e buscarem a destruição mútua, passem a construir juntos uma nova, pacífica e duradoura ordem mundial, onde a estupidez humana não seja mais motivo de ajudas humanitárias...



Adilson Luiz Gonçalves é engenheiro, professor universitário e articulista.
algbr@ig.com.br


Educação Corporativa: investindo no essencial
Por Madalena Carvalho


::outras editoriais::


 Para uma postulação do direito de colar
por Vicente Martins


Desafiando o "possível" (explorando novas oportunidades )
por
José Luis Amancio 


08 Passos para o comando de equipes realizadoras
por Sérgio Dal Sasso




© copyright Revista P@rtes 2000-2004
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil