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Livro
reportagem
O livro Chico Mendes: crime e castigo: quinze anos
depois, o autor volta ao Acre para concluir a mais premiada
reportagem sobre o herói dos Povos da Floresta,
de autoria do jornalista Zuenir Ventura deveria ser
leitura obrigatória para todos os que se interessam
pelo tema amazônico e pelas lutas dos mais oprimidos.
Num universo editorial repleto de porcarias e enganações,
a edição das premiadas reportagens do jornalista carioca
chega no momento certo.
Visto e revisto
O nome do livro é longo, mas a leitura é agradável e
esclarecedora. A editora é a Companhia das Letras. O
jornalista Zuenir Ventura foi ao Acre em dezembro de
1989, logo após o assassinato de Chico Mendes- ocorrido
em dezembro de 1988 - para checar as razões do crime.
Em dezembro de 1990, voltou ao Acre para cobrir o julgamento
dos criminosos e em outubro de 2003 para checar as informações
e repercussões quinze anos depois.
Aula de jornalismo
O livro é uma aula de jornalismo - dos bons - e um aprofundamento
na complexidade amazônica. Indico a leitura aos famintos
de justiça e aos que desejam entrar no universo amazônico
entendendo não apenas as belezas da floresta, mas sobretudo
suas ambigüidades. Ambigüidades da Amazônia e do Chico
Mendes. Sugiro que ao término do livro, o leitor vá
até uma locadora e alugue o filme Amazônia em Chamas,
visão de Hollywood sobre o líder do Acre.
Amigos no Poder
Agora, com seus amigos no poder, Chico Mendes poderia
concretizar seu sonho de uma floresta sustentável.
A chama está acessa. Só para lembrar, Jorge Viana (PT)
na época de Chico era um engenheiro ambientalista, hoje
é governador do Acre e entre outros programas que toca,
o de maior sucesso no momento é de erradicação do analfabetismo:
o Alfa 100 O presidente Lula era um dos seus amigos.
Sustentabilidade
Chico não queria apenas preservar. Futurista, queria
usar os bens naturais da floresta dentro de princípios
sustentáveis. Queria produzir e tirar da miséria seu
povo sofrido.
A região amazônica está na pauta do dia daqueles que
lutam pelo desmatamento, pelo desenvolvimento sustentável,
pela biodiversidade e pela soberania da região. Só os
inocentes é que não percebem o perigo que ronda a região.
Exemplar
Zuenir Ventura fecha o livro:
"A permanência de Chico Mendes quinze anos depois
de sua morte só reforça um mistério que não consegui
decifrar: como foi possível nascer e crescer no meio
da floresta, num pequeno canto verde que cremos mais
propício aos bichos e às plantas, um exemplar tão fecundo
da espécie humana?"
Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br
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