No dia 9 de
julho, o Estado de São Paulo vai comemorar um dos mais importantes
acontecimentos da história política do Brasil, a Revolução
Constitucionalista de 1932, revolta onde se exigiu que o país
tivesse uma constituição e que fosse mais democrático.
A
revolta do povo paulista começou quando Getúlio Vargas, não
respeitou a autonomia de São Paulo, e ameaçou reduzir seu
poder dentro do próprio Estado, nomeando um interventor de
fora, não conservando seu Governador. A mudança afetou de
tal forma a estrutura social existente que não somente a camada
dominante foi apeada do poder, mas também todas as camadas
se desintegraram de maneira diferente. O Estado havia sido
base política do regime da Primeira República, e assim era
visto como um potencial foco oposicionista.
A morte de quatro estudantes paulistas, em maio de 1932, em
um conflito com as forças legais criou mártires: Miragaia,
Martins, Dráusio e Camargo. A inicial do nome dos quatro foram
usadas para designar o MMDC, movimento paulista que tramava
derrubar o governo. Movimento que marcou a vida de milhares
de paulistanos.
Assim
a idéia de revolução tomou conta de todos. Partidos políticos
que eram rivais estavam unidos; o descontentamento geral aumentou
e houve o envolvimento das massas populares; a ação armada
militar contou com o apoio dos militares do Mato Grosso, que
se manteve leal ao Estado de São Paulo.
Então
multidões saíram às ruas, militares foram enviados ao front
em todo o Estado. A FUP (Frente Única Paulista), formada pelos
dois principais partidos políticos de São Paulo, o PRP (Partido
Republicano Paulista) e o PD (Partido Democrático) exigiam
a devolução da autonomia política a São Paulo, com a nomeação
de um interventor paulista e civil, e a reconstitucionalização
do país.
Foi
o mais violento choque armado ocorrido no Brasil, e a maior
mobilização popular de sua história. As Tropas Paulistanas,
com um povo desabituado a suportar tiranias, lutaram praticamente
sozinhas contra o resto do país. Para sustentar a luta serviu-se
São Paulo de seu grande aparelhamento industrial e um contingente
de 35 mil soldados. Mas com o porto de Santos bloqueado, sendo
atacado em suas divisas pelas tropas federais que eram mais
numerosas e bem equipadas, e aviões bombardeando cidades do
interior paulista, a resistência de São Paulo durou três meses,
cessando a luta fratricida.
Prisões,
cassações e deportações se seguem à capitulação. A luta armada
dos constitucionalistas ficou restrita ao Estado de São Paulo,
e foi o maior confronto militar do Brasil no século XX.
Mesmo
com a derrota paulista, a importância do movimento é incontestável,
sua principal reivindicação foi atendida com a organização,
no ano seguinte, por uma comissão composta de ilustres brasileiros,
de um anteprojeto de Constituição. Uma Assembléia Nacional
Constituinte, eleita pelo povo promulga em 1934, a nova Carta
Magna.
Bibliografia: