O prédio da chamada galeria do rock foi fundado em 1975 com o objetivo de promover um
forte comércio com lojas de discos e roupas. Era o começo de umas das mais conhecidas
galerias de São Paulo e até do Brasil. O espaço fica na rua Vinte e quatro de maio,
próximo ao metrô República, centro de São Paulo. Na verdade, é a meca de roqueiros,
punks, skatistas e outras tribos de jovens, que procuram sobretudo roupas, acessórios e
CDs de bandas, de rock, é claro.
O edifício tem quatro andares e funciona das
nove às oito horas da noite. O primeiro piso abriga principalmente a geração hip hop
(rap). Mas também tem até um salão de cabeleireiros. No segundo estão lojas de
roupa, jóias e algumas lanchonetes. O destaque é uma massa chinesa. No terceiro andar,
é que o visitante irá se deparar com o povo do rock e até sua velha guarda..
Comerciantes e freqüentadores que
diariamente estão na galeria como por exemplo skatistas dizem que estão na
galeria todos os dias porque trabalham perto e ou porque gostam de passar todos os dias
por lá. Eles trocam informações sobre lançamentos de roupas da moda, dos esportes
radicais. Dizem que só acham ali e sempre são mais baratas. Um grupo de funks
não fica atrás. Estão sempre em lojas à procura de lançamentos de CDs que
chegam em São Paulo, assim como os góticos e os clubers. Esses últimos são
fanáticos por musica eletrônica.
As celebridades também marcam suas
presenças na galeria. As grande bandas de rock quando estão fazendo shows em São Paulo
sempre arrumam um tempinho para passar no mundo do rock, como é chamada a galeria
também.
A presença de artistas, jogadores e cantores
famosos é comum. Alguns vão para rever amigos outros para comprar CDs que às vezes não
são encontrados em lojas de shoppings. Entre os freqüentadores aparecem
bandas pouco famosas como as tintas, e até famosos como os Paralamas do Sucesso já
pisaram naquele templo. Também passam por lá grandes jogadores de futebol, como,
por exemplo,Viola, ex-craque do Corinthians e da seleção e Luis Fabiano, jogador do são
Paulo. Os lojistas contam que os famosos curtem todos tipos de som, do rap ao rock
tradicional.
O seu Manoel que é o zelador da
galeria disse estar muito satisfeito por trabalhar na galeria porque é um ambiente feliz
com músicas alegres e pessoas de todos os tipos. Ao entrar em um salão a reportagem de Partes.com
teve o privilégio de conversar com integrantes do grupo Racionais, um dos mais famosos de
rap. Os rapazes falaram que ali na galeria estão os melhores salões de cabelo. O grupo
também tem duas lojas de discos na galeria. Por todo essa agitação ela é para
alguns uma da melhores coisas construídas no centro de São Paulo, ou o principal
ponto de encontro dos jovens para marcar suas baladas e namoros.
A galeria tem um forte comércio além
da área de moda, com salões de beleza e agências de modelos para candidatos com poucas
oportunidades no mercado da moda. As famosas tranças de cabelo são muito procuradas
pelas mulheres. Ficam horas na nas cadeiras dos salões ajeitando suas madeixas.
Contras
O maior problema da Galeria do Rock é a
concorrência com os comerciantes fora da galeria. Os camelôs que sobrevivem correndo no
dia-dia da fiscalização, arrancam muitos clientes das lojinhas. No momento está
havendo uma grande invasão de chineses e coreanos, que negociam muitas vezes mercadorias
piratas. Um comerciante chinês que não quis falar o nome afirmou que se eles estão lá
é porque a procura por suas mercadorias é muito grande e por não haver comparação de
preços. Os coreanos têm um bom comércio na galeria com os produtos eletrônicos. São
máquinas fotográficas, vídeo games, televisão e outros artefatos. Em quase sua maioria
não têm garantia por serem piratas.
Uma outra fonte que trabalha desde o início
da galeria relatou, porém, haver um nefasto tráfego de drogas. Dizem que propinas são
pagas para os chefes das máfias que operam no local. Depois que alguém passou a ser
consumidor da droga do local é difícil sair e a lei do silêncio impera.
Uma lojista comentou que a maior fase da
violência na galeria foi em 1994. Havia muita rivalidade entre gangues. Uns
invadiam o território do outro e a violência começava. Não eram uma brigas inocentes
mas sim com facas e socos ingleses, conta ela. Freqüentar a galeria naquela época
era muito perigoso porque o índice de roubos era alto e os seguranças não conseguiam
coibir os crimes.
Uma comerciante se lembra de uma tentativa de
assalto em sua loja. Os seguranças não viram nada, mas a policia pegou os assaltantes
quando estavam saindo da galeria. Nas investigações foi constatado que os seguranças
eram comparsas dos bandidos. Você tinha que comprar as mercadorias e
camuflá-las muito bem para ninguém saber que você estava com mercadorias, lembra
a comerciante.
Com o passar dos anos a situação na galeria
foi ficando mais organizada e segura. Uma associação dos lojistas brigava diariamente
por seus associados. Foram contratados seguranças de empresas particulares que andavam na
loja à paisana passando a inibir os roubos. Os lojistas também se reúnem no final de
expediente para conversarem sobre suas vendas e como anda a galeria. Nesses encontros
falam de suas famílias, o que querem melhorar na galeria e também quem atrapalha a
disciplina de trabalho. Eles chegam a fazer uma vez por mês um churrasco para unir
mais ainda os que trabalham naquele local. |