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                                                          Revista Partes - Ano IV - julho de 2004 - nº47 

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::Reportagem1::

Rock na galeria
Por Diego Fernando Silva Bento

        
O prédio da chamada galeria do rock foi fundado em 1975 com o objetivo de promover um forte comércio com lojas de discos e roupas. Era o começo de umas das mais conhecidas galerias de São Paulo e até do Brasil. O espaço fica na rua Vinte e quatro de maio, próximo ao metrô República, centro de São Paulo. Na verdade, é a meca de roqueiros, punks, skatistas e outras tribos de jovens, que procuram sobretudo roupas, acessórios e CDs de bandas, de rock, é claro.

O edifício tem quatro andares e funciona das nove às oito horas da noite. O primeiro piso abriga principalmente a geração hip hop (rap). Mas  também tem até um salão de cabeleireiros. No segundo estão lojas de roupa, jóias e algumas lanchonetes. O destaque é uma massa chinesa. No terceiro andar, é que o visitante irá se deparar com o povo do rock e até sua velha guarda..

Comerciantes e freqüentadores que diariamente estão na galeria como por exemplo skatistas dizem que estão na galeria todos os dias porque trabalham perto e ou porque gostam de passar todos os dias por lá. Eles trocam informações sobre lançamentos de roupas da moda, dos esportes radicais. Dizem que só acham ali e sempre são mais baratas. Um  grupo de funks não fica atrás. Estão sempre em lojas  à procura de lançamentos de CDs que chegam em São Paulo, assim como os góticos e os clubers. Esses últimos são fanáticos por musica eletrônica.

As celebridades também marcam suas presenças na galeria. As grande bandas de rock quando estão fazendo shows em São Paulo sempre arrumam um tempinho para passar no mundo do rock, como é chamada a galeria também.

A presença de artistas, jogadores e cantores famosos é comum. Alguns vão para rever amigos outros para comprar CDs que às vezes não são encontrados em lojas de shoppings.  Entre os freqüentadores aparecem  bandas pouco famosas como as tintas, e até famosos como os Paralamas do Sucesso já pisaram naquele templo.  Também passam por lá grandes jogadores de futebol, como, por exemplo,Viola, ex-craque do Corinthians e da seleção e Luis Fabiano, jogador do são Paulo. Os lojistas contam que os famosos curtem todos tipos de som, do rap ao rock tradicional.

O “seu” Manoel que é o zelador da galeria disse estar muito satisfeito por trabalhar na galeria porque é um ambiente feliz com músicas alegres e pessoas de todos os tipos. Ao entrar em um salão a reportagem de Partes.com teve o privilégio de conversar com integrantes do grupo Racionais, um dos mais famosos de rap. Os rapazes falaram que ali na galeria estão os melhores salões de cabelo. O grupo também tem duas lojas de discos na galeria.  Por todo essa agitação ela é para alguns uma da melhores coisas construídas no centro de São Paulo, ou  o principal ponto de encontro dos jovens para marcar suas baladas e namoros.

A galeria  tem um forte comércio além da área de moda, com salões de beleza e agências de modelos para candidatos com poucas oportunidades no mercado da moda. As famosas tranças de cabelo são muito procuradas pelas mulheres. Ficam horas na nas cadeiras dos salões ajeitando suas madeixas.

Contras

O maior problema da Galeria do Rock é a concorrência com os comerciantes fora da galeria. Os camelôs que sobrevivem correndo no dia-dia da fiscalização,  arrancam muitos clientes das lojinhas. No momento está havendo uma grande invasão de chineses e coreanos, que negociam muitas vezes mercadorias piratas. Um comerciante chinês que não quis falar o nome afirmou que se eles estão lá é porque a procura por suas mercadorias é muito grande e por não haver comparação de preços. Os coreanos têm um bom comércio na galeria com os produtos eletrônicos. São máquinas fotográficas, vídeo games, televisão e outros artefatos. Em quase sua maioria não têm garantia por serem piratas.

Uma outra fonte que trabalha desde o início da galeria relatou, porém, haver um nefasto tráfego de drogas. Dizem que propinas são pagas para os chefes das máfias que operam no local. Depois que alguém passou a ser consumidor da droga do local é difícil sair e a lei do silêncio impera.

Uma lojista comentou que a maior fase da violência na galeria foi em 1994. Havia muita rivalidade entre gangues. “Uns invadiam o território do outro e a violência começava. Não eram uma brigas inocentes mas sim com facas e socos ingleses”, conta ela. Freqüentar a galeria naquela época era muito perigoso porque o índice de roubos era alto e os seguranças não conseguiam coibir os crimes.

Uma comerciante se lembra de uma tentativa de assalto em sua loja. Os seguranças não viram nada, mas a policia pegou os assaltantes quando estavam saindo da galeria. Nas investigações foi constatado que os seguranças eram comparsas dos bandidos.  “Você tinha que comprar as mercadorias e camuflá-las muito bem para ninguém saber que você estava com mercadorias”, lembra a comerciante.

Com o passar dos anos a situação na galeria foi ficando mais organizada e segura. Uma associação dos lojistas brigava diariamente por seus associados. Foram contratados seguranças de empresas particulares que andavam na loja à paisana passando a inibir os roubos. Os lojistas também se reúnem no final de expediente para conversarem sobre suas vendas e como anda a galeria. Nesses encontros falam de suas famílias, o que querem melhorar na galeria e também quem atrapalha a disciplina de trabalho. Eles chegam a fazer uma vez por mês um churrasco para  unir mais ainda os que trabalham naquele local.

::educação::
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Diego Fernando Silva Bento é estudante de jornalismo.

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