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                                                          Revista Partes - Ano IV - agosto de 2004 - nº48 

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CAMPANHA CONTRA O TRÁFICO DE SERES HUMANOS

Passaporte de turista brasileiro agora traz alerta sobre atividade de quadrilhas no exterior. Um folheto dá dicas para se prevenir.            

            Promessas de contrato de trabalho na Europa ou nos Estados Unidos. Alojamento garantido. Passagem paga e dinheiro para a viagem. O que começa como sonho de mudança de vida pode virar pesadelo e acabar em tragédia, provocada pela ação de quadrilhas internacionais. Para alertar o turista brasileiro contra esse perigo, quem retira novo passaporte em São Paulo, hoje, recebe informações sobre como se prevenir contra o tráfico de seres humanos. O documento traz encartado um folheto com dicas para evitar que os viajantes sejam enganados.

Produzido pela ONG Serviço à Mulher Marginalizada (SMM) e pela Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad), o folheto é distribuído, com o apoio da Polícia Federal de São Paulo, também em portos e aeroportos do estado. Quem tiver alguma denúncia sobre tráfico de seres humanos deve telefonar para 0800-990500. A ligação é gratuita.

            De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), de 01 a 04 milhões de pessoas são traficadas anualmente no mundo. Mulheres jovens e meninas estão entre as maiores vítimas. A atividade criminosa, que utiliza  coação, ameaça, força e abuso de autoridade, movimenta todos os anos US$ 12 bilhões. Um relatório da missão especial da ONU sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, divulgado em Genebra (Suíça), em 18.02.2004, cita a existência de 241 rotas nacionais e internacionais de tráfico de mulheres, crianças e adolescentes. As vítimas são enviadas para dez países, mas a Espanha é apontada como o principal destino desse tipo de “comércio”. O Itamaraty acredita que há cerca de 20 mil brasileiras trabalhando na indústria do sexo – 10 mil só em Bilbao - e admite que a maioria delas foi enganada: saiu do Brasil acreditando que iria trabalhar como babá ou modelo. 

            Priscila Siqueira, articuladora do SMM, diz que o Brasil é um grande “fornecedor” de mulheres para quadrilhas que dominam o mercado de exploração sexual comercial em clubes noturnos, boates e prostíbulos. E que mesmo as mulheres que viajam sabendo que irão trabalhar como dançarinas ou garotas de programa são ludibriadas e passam a viver sob regime de escravidão. Assim que chegam ao destino, seus passaportes são sumariamente retirados. A comunicação com parentes e amigos é proibida e o dinheiro que ganham fica com o “empresário”, que pagou a viagem e cobra pela alimentação e pelo cubículo onde são obrigadas a morar com outras escravizadas. 

“O tráfico de seres humanos é o lado obscuro da globalização. Virou atividade empresarial. Se o poder público e a sociedade civil não fizerem nada, esse tráfico, que é um crime contra a Humanidade, será, daqui a três anos, o negócio ilegal mais lucrativo do mundo. Hoje, ainda perde para os tráficos de armas e de drogas, mas pode superá-los.

 

 

Leia a divulgue as dicas do folheto:

 

-          Não aceite convites de estranhos para trabalhar no exterior.

-          Jamais se desfaça do passaporte ao chegar.

-          Comunique à Embaixada Brasileira ou ao consulado o local onde será empregado.

-          Certifique-se da seriedade de agências de empregos ou de modelos.

-         Não se entusiasme com serviços internacionais de promoção de casamentos ou agências de casamento por correspondência.

-         Mantenha contatos freqüentes com amigos e parentes no Brasil.

 

Tráfico de seres humanos: É o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, recorrendo a meios criminosos.

Legislação brasileira         Tráfico de mulheres – Artigo 231 (Código Penal)

Tráfico de Crianças e Adolescentes – Artigo 239 (Estatuto da Criança e do Adolescente) 

 

Smm – serviço à mulher marginalizada 

O Serviço à Mulher Marginalizada foi fundado em 1991. Teve origem na Pastoral da Mulher Marginalizada, com o objetivo de ser um centro de pesquisa e divulgação das questões relacionadas à exploração sexual de mulheres, adolescentes e crianças. Também assessorava as equipes da Pastoral, colaborando na formação de seus agentes.

O SMM tem como missão combater a exploração sexual e comercial de crianças, adolescentes e mulheres adultas. Neste ano de 2004, desenvolve uma campanha nacional, iniciada em São Paulo em parceira com a Polícia Federal, de esclarecimento sobre os riscos do tráfico de seres humanos dentro do Brasil e para o exterior.

Informações à Imprensa: Gloriete Gasparetto – tel: (11) 3228.6097     

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