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Sua voz suave e baixa deixava claro
que era um homem educado. Educação não apreendida nas
melhores escolas, pois não as freqüentou. Educação da
vida, do cotidiano. O velho baiano de Macaúbas, filho de
Jeminiano José da Silva e Maria Rosa de Jesus pouco tinha
intimidade com as letras, apenas sabia escrever seu nome:
"para poder votar!", gesto cidadão que fazia com
muito orgulho.
Criou seus filhos com energia e doçura, amava todos sem a
necessidade de expressar a palavra amor.
Um brasileiro que nunca cedeu aos encantos das pequenas
corrupções que nos cerca todos os dias. Um brasileiro,
simples, honesto, respeitador.
Aposentado, nos últimos dias reclamava por não poder mais
votar devido suas forças físicas.
Torcedor do Santos, faleceu depois de duas derrotas seguidas
do seu cube querido. O frio da manhã da segunda não permitiu
o velho baiano vibrar de alegria na quarta. Aos 77 anos o
coração já não suporta as emoções.
Cuidou de seus filhos, sanguíneos ou não, com alteza e
respeito.
Quantas palavras pode um filho ter para expressar seu pesar
por um passamento da vida? Quantas lágrima poderá derramar
para saber que nunca mais poderá seus olhos fitar? A não ser
a compreensão que este é o rumo da vida, a nossa eterna
autopoesia.
"Seu" Miguel deixou aos filhos o melhor exemplo: honestidade e
respeito aos outros.
Um beijo para a eternidade,
Seu filho.
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