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Eu quero frio, ela,
calor.
Se quero sair, ela quer ficar.
Quero correr, ela, descansar.
Se quero dormir, ela quer agitar.
Quero yoga, ela, rapel.
Se sou virtude, ela é pecado.
Quero rotina, ela, invenção.
No esquecimento, ela é memória.
Em pleno inverno, ela é verão.
Sou presente, ela é história.
Quero pousada, ela, viagem.
Sou mistério, ela, revelação.
Quero aconchego, ela, solidão.
Eu, medo, ela, coragem.
Eu, casulo, ela, transformação.
Eu quero paz, ela, perdição.
Na calmaria, ela é tempestade.
Quero silêncio, ela, risada.
Ela, caravela, eu, o cais.
Quero menos, ela, mais.
Quero a certeza, ela, o mas.
Quero o agora, ela, o eterno.
Quero o céu, ela, o inferno.
Quero o real, ela, magia.
Eu, chão, ela, fantasia.
No deserto, ela é oásis.
Nas cinzas, ela é fênix.
Eu, chegada, ela, partida.
Eu, serenidade, ela, vida.
Quero o aqui, ela quer o mundo.
Quero seguir, ela, sonhar.
Quero viver, ela quer voar.
Não concordamos em nada.
Somos opostas, avessas demais.
Eu sou eu, ela é a outra.
Ela é a outra que habita em mim.
Como podem essas duas mulheres
Sendo assim tão diferentes
Dividirem corpo e mente
E conviverem em mim?
Eu sou ela, e ela sou eu.
Ela é a outra face,
Aquela que ninguém vê.
Só eu a conheço,
E ela, a mim. |