.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - agosto de 2004 - nº48 

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Reflexões sobre o tempo livre, o lazer e o antilazer
Por Raulito Ramos Guerra Filho


INTRODUÇÃO

A questão do tempo livre e lazer tornou-se uma preocupação constante nos depoimentos das pessoas que possuem uma carga excessiva de trabalho, como também nos meios de comunicação de massa. O Lazer se tornou uma palavra da moda e o seu uso corrente serve para designar normalmente pacotes de turismo, passeio no parque, assistir à televisão e leitura entre outros; algumas vezes o lazer é associado à questão econômica e outras vezes não.

Ele está presente nas manifestações verbais e nas mais diversas práticas corporais, em diferentes formas de expressão nas diferentes classes sociais e grupos étnicos. Estas manifestações de lazer podem ser vistas na TV, nas ruas , nos parques, nas universidades, etc. Mas, infelizmente inúmeras vezes, o lazer ainda é visto como algo supérfluo, um bem de que grande parte da população não desfruta porque não possui condições dignas de existência. As pessoas das camadas mais pobres da sociedade não possuem casa, comida e ainda querem lazer? Pensar desta forma seria privar uma grande parte da população de seus direitos de cidadãos. O lazer deve ser compreendido como um meio de essencialização do ser humano.
Atualmente, diferentes áreas de conhecimento consideram o lazer como área importante de estudo. E reconhecem, a sua importância
sócio-cultural, de um meio privilegiado para a manifestação de hábitos, culturas e expressão das mais diferentes formas, inclusive as de aspecto ludomotor.
Este artigo tem como objetivo compreender os conceitos de Lazer, tempo livre e ócio, que foram adquirindo diferentes conotações com o passar do tempo, e suas relações com a sociedade atual.

A HISTÓRIA DO LAZER

Os gregos denominavam de ócio o tempo livre, atribuindo-lhe maior valor que a vida de trabalho, principalmente os atenienses. Na Grécia clássica, o ideal de sabedoria que se cultivava tinha no ócio sua condição essencial. Havia uma grande significação e exaltação das atividades ociosas em contraposição às de trabalho, pelo menos para os atenienses, já que os espartanos eram guerreiros. A cultura agonista espartana pode ser considerada uma cultura laboral. O cotidiano deste povo acontecia fundamentalmente nos ginásios, nas termas, no fórum e em outros lugares de reunião. Havia o culto aos deuses que representava função permanente no tempo, pois se acreditava que a via para atingir a perfeição e a sabedoria passava pela contemplação dos deuses.
Cronos é o deus do tempo, daí advindo às palavras cronômetro, cronometragem,
cronograma, etc.

Segundo Bacal (1988) a etimologia da palavra ‘’ócio’’ orienta-se do grego; ócio em grego é skole, em latim schola e em castelhano escuela.
Podemos ver que a educação significava ócio, pois do ponto de vista semântico, a raiz skole implicava nos atos de parar ou cessar, indicando idéias de repouso ou paz.
Convém ressaltar que os nomes com que se denominavam lugares para educação significavam ócio, e, para os gregos, toda a atividade era um meio, um instrumento, sendo o ócio um fim em si mesmo, algo a ser alcançado para ser desfrutado.
Já para Aristóteles, ainda na Grécia Antiga, o ócio era uma condição ou estado – o estado de estar livre da necessidade de trabalhar. O filósofo fala também da vida de ócio em contraposição à de ação, entendendo por ações as atividades dirigidas para obtenção de fins. Não considerava a diversão (Paidéia) ou recreio (anapáusis) como ócio, uma vez que são meios necessários para conduzir o ser às atividades laborais.
As atividades de recreio e diversão estavam diretamente relacionadas com descanso do trabalho, e a capacidade de empregar devidamente o ócio era à base do homem livre e da felicidade humana.
Já o conceito de ócio que circulava em Roma durante toda a Idade Média é que indivíduos muito ocupados buscam o otium, não como fim em si, mas em função do negotium (Dumazedier, 1979). Ou seja, o homem ocupado com diversas atividades – exército, comércio, Estado – encontra seu descanso e diverte-se pelo ócio.

De acordo com Bacal (1988), só foi possível a vida de ócio dos gregos devido à escravidão, pois, nesta fase, havia duas classes de homens:uns dedicados à tarefa da arte, à contemplação ou à guerra; outros que eram obrigados a trabalhar inclusive em condições precárias.


Para o homem grego, o ócio não significava estar ocioso no sentido de não fazer nada, mas implicava operações de natureza intelectual e espiritual que se traduziam da contemplação da verdade, do bem, e da beleza, de forma não utilitária.
Enquanto para os gregos o ócio era considerado um estado de alma que consistia em o indivíduo sentir-se livre do trabalho, que era relegado aos escravos, em Roma predominava o conceito de descanso e da diversão, necessários para a preservação das condições de poder trabalhar. O trabalho era entendido como condição necessária para o ócio.
Encontram-se aqui as sementes de conceito de Ócio Criativo proposto pelo sociólogo do trabalho italiano Domenico Di Masi (2000).


A partir destas explicações, podemos verificar que existe um ponto comum nos indivíduos do mundo clássico: valorizavam o tempo de não-trabalho e atribuíam uma valorização psicossocial às atividades exercidas neste tempo.
A relação entre ócio e a religião começa a se modificar, e,segundo Bacal (1988), a contemplação se converte em uma busca específica – sem ser um fim em si mesma – da Verdade Religiosa. A meta final era a salvação, a outra vida, o Reino do Céu, e o trabalho era algo desagradável, feito por necessidade como castigo imposto, sendo o corpo usado como instrumento de purificação, de meio de se expurgar os pecados.
O cristianismo ajudou a manter a ordem social durante a Idade Média, mediante o destaque que atribuía ao drama da salvação e ao ideal monástico; assim, atividades de lazer se restringiam às festividades religiosas e às comemorações referentes às vitórias nas guerras.


A época medieval é caracterizada como teocêntrica. As preocupações religiosas eram excessivas e o homem preocupava-se com a salvação de sua alma, vivendo numa realidade sagrada, intocada, na qual não deveria interferir, apenas contemplar. O corpo era resguardado em função da pureza da alma.
A sociedade medieval justificava-se pelo fato de que Deus atribuía funções distintas a cada indivíduo ou grupo e os problemas sociais eram encarados como castigos divinos, e, nesta época, a essência do ócio é à busca de Deus e o cultivo da fé.

A partir da Idade Média e da Renascença, em decorrência de razões históricas, econômicas e sociais, já é possível visualizar mudanças na
atitude do homem em relação aos valores que regem a vida. A desarticulação do processo feudal e o desenvolvimento do capitalismo mercantil vão modificar radicalmente o rumo da história.
Foi a partir de uma nova interpretação da Bíblia e de um movimento cultural burguês que se aglutinaram todas as manifestações artísticas, filosóficas e científicas, visando justificar os valores e padrões sociais burgueses. Esta nova interpretação é feita por Lutero mediante a Reforma (Bacal 1988).
Com a Reforma – a ética protestante – surge uma nova atitude frente o significado do trabalho, havendo uma valorização do tempo necessário para as atividades produtivas. O cumprimento dos deveres é o único modo de agradar a Deus, e o trabalho como missão enobrece e exalta os homens.
Pelo exposto, percebe-se que na Idade Moderna houve uma grande valorização do trabalho e condenação do ócio, pois as normas de comportamento da ética protestante (diligência, temperança, parcimônia, reserva, afastamento dos prazeres da carne e poupança) são princípios responsáveis pelo surgimento do capitalismo moderno, dentro da perspectiva marxista.

Surge um novo pensamento da época desenvolvendo a característica básica da atitude, que é o individualismo e o significado valorativo do trabalho (supremacia do dinheiro).
Pode-se perceber ai o fundamento das taras do ter e do poder.


Na sociedade pré-industrial, trabalho e lazer não eram excludentes, e as atividades de produção e trabalho (colheita, plantação) misturavam-se. O trabalho estava inserido nos ciclos naturais das estações e dos dias; o seu ritmo era tão natural como o ritmo do amanhecer e anoitecer, sendo interrompido às vezes por pausas para repouso, descanso, jogos, competições, danças e cerimônias, não podendo ser denominadas lazer, pois não se constituíam num tempo isolado. O trabalho era suspenso quando ocorriam imprevistos como, por exemplo, seca, inundação, doenças epidêmicas, guerras.


O século XVIII ficou marcado pela expansão comercial e financeira com a Revolução Industrial; houve o aparecimento de uma série de invenções técnicas que modificaram as condições de produção nos diversos setores industriais, as relações entre empregados e empregadores, bem como a relação
com o lazer.
Com o desenvolvimento da moral burguesa na época do advento capitalista, na sociedade industrial, há uma repressão das atividades consideradas mais espontâneas e descompromissadas com o sistema, mostrando uma clara aversão, por exemplo, pelos divertimentos populares do domingo, fora das horas de culto, pois estes provocavam um desvio de atenção sobre a vida santificada,
tornando-se cada vez mais importante para sedimentar a nova ordem social.
As atividades capitalistas, embora existentes anteriormente no Oriente Próximo e no Extremo Oriente (corporações, privilégios de mercado,
diferenças entre cidade e campo etc.), foram modestos primórdios se comparadas às empresas modernas as quais organizaram o trabalho de forma capitalista no Ocidente. É dentro do trabalho livre e da sua organização racional que as contas poderiam ser calculadas com maior exatidão. Agora o valor passa a ser o trabalho e o corpo passa a ser visto como meio de produção. O corpo produtivo, útil, alienado pelo caráter do trabalho que lhe é imposto.

O tempo livre passa a ser definido em oposição ao trabalho, e mesmo os momentos livres (de não-trabalho) são determinados pela relação
capital-capitalismo. Novos valores começam a ser estabelecer entre trabalho e tempo livre do trabalho. O trabalhador vende a única coisa que dispõe, a própria força de trabalho, e o tempo liberado surge apenas para a recuperação das energias.
No início, o trabalhador assalariado trabalhava horas bastante extensas; com a implantação das leis trabalhistas, houve a necessidade de redução de carga horária assim como férias remuneradas. Percebe-se, assim, outros conteúdos no tempo liberado – além do descanso o trabalhador disporá de mais tempo para recuperar-se fisicamente e de um tempo que usará com liberdade para o exercício de atividades de sua escolha.

1.2 O CONCEITO DE LAZER

Vários autores e o cidadão comum utilizam diferentes termos para se referirem ao tempo livre, nomeadamente:
- ócio (do latim otiu)= vagar, descanso, repouso, preguiça; - ociosidade (do latim otiositate)- o vício de gastar tempo inutilmente, preguiça;- descanso = repouso, sossego, folga, vagar, pausa, apoio, demora; - lazer (do latim licere) = ócio, vagar.

Como componente geral de convergência entre os diversos termos, podemos considerar a ausência de qualquer atividade concreta, ou seja, uma certa liberdade de não fazer coisa nenhuma. Surgem de forma inequívoca uma tentativa de definição de um certo tempo (fora das ocupações diárias) em contraponto com o outro tempo (o das ocupações diárias).
Assim, parece o conceito Tempo Livre aquele que melhor corresponde à sentida necessidade de ‘’batizar’’ à parte do dia em que não estamos ocupados com atividades objetivamente definidas. O significado de Tempo Livre (Tempo – duração limitada e Livre – desimpedido) parece de fato traduzir o espaço desimpedido do dia, que pode ser utilizado subjetivamente.
O conceito mais aceito a respeito do lazer, é do sociólogo francês Joffre Dumazedier que o caracteriza como:
‘’um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais’’. (1980, 20).

De Masi (2000) afirma que, na era pós-industrial, vamos ter cada vez menos trabalho; no entanto, a escola e a família nos preparam para o trabalho; não nos preparam para o tempo livre. Segundo este pesquisador , o homem precisa aprender a desfrutar do seu tempo livre, pois a tendência mundial é de que as pessoas passem a ter mais horas disponíveis e será necessário que elas se adaptem a esta tendência que aos poucos vai se instaurando, principalmente na Europa.

1.3 CLASSIFICAÇÃO DE LAZER

A classificação de lazer é muito controvertida devido ao número de soluções propostas. Na literatura sobre o assunto temos a diferenciação entre lazer e recreação. No Brasil, ouve-se muito uma classificação de atividades de lazer em atividades esportivas, recreativas e culturais. Lazer esportivo seria aquele praticado segundo regras, o recreativo seria aquele exercido livremente, e o cultural centrado nas artes e no conhecimento. Existem
muitas objeções a esta classificação, pois estes termos na realidade se equivalem e se derivam em peculiaridades idiomáticas. Em espanhol, italiano e alemão, não existe a palavra correspondente a lazer; e utilizam-se os termos recreação e tempo livre. Na França e no Brasil, recreação é um termo que nos remete a recreação escolar, assim prefere-se o termo lazer. Nos países de língua inglesa, ambas as expressões são usadas corretamente.

1.4 LAZER E TURISMO

O lazer e o turismo são fenômenos que vêm ganhando um peso cada vez maior no
cotidiano e na economia da vida moderna. De elementos da vida aristocrática, reservados aos que estavam no topo da pirâmide sócio-econômica , o lazer e o turismo estão se tornando cada vez mais acessíveis a um público cada vez mais extenso, graças aos processos de democratização ocidental ( como a Revolução Francesa e a Revolução Americana) e ao progresso tecnológico e organizacional, que aumentou a produtividade, reduziu custos e as jornadas de trabalho e elevou o nível de recursos disponíveis para consumo discricionário(inclusive de tempo) em mãos de camadas cada vez mais amplas da sociedade.
No século XX, o lazer e o turismo tornaram-se atividades de massas, trazendo à tona, assim, muitas oportunidades de novos negócios; e passaram a ser objeto de investimentos e administração profissionais. Após a Segunda
Guerra, atingiram um patamar de crescimento que fez com que, do ponto de vista econômico, passassem a ser considerados como ‘’indústrias’’.
Atualmente a indústria e os serviços ligados ao lazer e ao turismo estão entre os campeões de crescimento, alinhando-se seguramente entre os mais promissores para o futuro, que já esta presente. Há inclusive linhas de créditos bancários para esta atividade fundamental ao nosso equilíbrio psicossomático.
Se o Esporte foi considerado por muitos o maior fenômeno social do mundo no século XX, podemos que o Lazer segue o mesmo caminho e devera se tornar o maior fenômeno social deste século XXI. Devemos estar preparados para esta nova realidade e com toda a certeza a Universidade devera alavancar este processo de mudança de paradigma , caso contrário estará se colocando na conta-mão da historia e da pós -modernidade..

CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

No decorrer da história, os conceitos de lazer, ócio e tempo livre foram sendo modificados acompanhando as mudanças de valores e comportamentos, relacionados sempre com os aspectos sociais, políticos, econômicos e
culturais vigentes em cada época.
As transformações das cidades condicionaram e determinaram novos hábitos de vida e o lazer foi sendo incorporado à sociedade e adquirindo maior importância com o passar do tempo, embora ainda seja pouco estudado na Academia.

É importante registrar a importância sócio-cultural em que, através do lazer, a sociedade vai expondo suas marcas e características, principalmente através dos veículos de comunicação de massa. Ao que parece, no entanto, esses veículos estão favorecendo mais uma atitude passiva de anti-lazer, do que uma atitude proativa característica do verdadeiro lazer como uma opção consciente.
Recomenda-se que os cursos de graduação em Turismo e Lazer, Educação Física, Pedagogia, Ciências Sociais , Psicologia , Serviço Social e mesmo Medicina, tenham discussões teóricas mais aprofundadas sobre o impacto do fenômeno do lazer em nossas vidas e na nossa saúde.
O Lazer não pode e não deve mais ser entendido como atividade, ou como, o mero entretenimento, pois ate a opção consciente pelo relaxamento e a meditação pode ser compreendido como lazer por algumas pessoas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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SILVA, J. B. da – Educação Física, Esporte e Lazer: Aprendendo a Aprender Fazendo. Londrina, Lido, 1995.

 

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Como garantir o pluralismo de idéias pedagógicas
Por Vicente Martins


Raulito Ramos Guerra Filho – Professor da UNISUL, Mestre em Lazer pela
UNICAMP

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