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                                                          Revista Partes - Ano IV - setembro de 2004 - nº49 

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Saneamento em tempos eleitorais
Por Gilberto da Silva

Invisível

Em época de eleições é bom falarmos sobre o saneamento, o invisível, o que “não dá votos” para muitos políticos. É mais fácil eleitoralmente construir pontes, viadutos, duplicar pistas e passarelas. São obras visíveis, obras que retornam em votos... São as preferidas do poder público. Em matéria de serviço essencial, como o saneamento, o poder público continua agindo de maneira equivocada.
É hora de mudança, devemos cobrar dos futuros governantes dos nossos municípios mais atenção ao saneamento e aplicando mais investimentos em obras de sanitárias.

Poluidor
O esgoto sanitário é o principal poluidor de rios e lagos e é um influente fator de risco de doenças. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra em estudo que o saneamento básico brasileiro está próximo da calamidade. Cerca de 102 milhões de pessoas não têm acesso à rede de esgotos, uma precariedade que não atinge apenas os mais pobres. Hepatite A, febre tifóide e diarréias são as doenças de transmissão hídrica que se dão através do consumo ou contato com águas contaminadas por dejetos.

Morbidade
Sanear é o ato de tornar o espaço são, habitável e higiênico. Sabendo que o contato com a água poluída e esgotos especialistas procuram soluções. E soluções são necessárias pois a mortalidade infantil é menor onde há água tratada e uma destinação adequada de lixo. Ao investir em obras sanitárias estaremos diminuindo a incidência de doenças e internações hospitalares.

Emergências
Como as obras de saneamento ambiental não são visíveis eleitoralmente elas têm se restringido ao atendimento das emergências ao evitar o aumento de número de vítimas de desabamento, controle de enchentes e controle de epidemias de cólera e dengue. É preciso investir no saneamento para melhorar a qualidade de vida das populações urbanas estabelecendo uma rede de obras de coleta e tratamento de esgotos e investir também no desenvolvimento de ações educativas.

Eleições
A área de saneamento básico sempre foi relegada ao segundo plano, pois tubos embaixo da terra não dão projeção a políticos, quem acaba pagando a conta é a população mais carente. Se resolvidos fosse os problemas de saneamento básico, não teríamos altos gastos de saúde. Está na hora de revertemos este quadro alarmante. O governo federal deu o primeiro sinal para a mudança deste quadro ao liberar R$ 2,9 bilhões de investimento em saneamento até o final do ano. Cabe aos municípios realizar a sua parte!

 

Prozac
Esta pequena informação vem da Grã-Bretanha. Foram encontrados traços do anti-depressivo Prozac na água bebida naquele país. Coitado dos ingleses!
Mas cabe uma perguntinha tupiniquim: será que aqui no Brasil os agrotóxicos já não contaminaram o nosso lençol freático?

Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br

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Gilberto da Silva é professor, jornalista e sociólogo. Editor da Partes.
gilberto@partes.com.br



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Jorge Luiz de Oliveira da Silva




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