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Como as novas tecnologias mudaram o mundo dos cosméticos? Na
verdade, elas revolucionaram a indústria de cosméticos. Hoje
a indústria de cosméticos instaura-se como uma nova fábrica
de corpos que propõe a padronização da beleza.
Na intenção de abandonar seu caráter supérfluo, a indústria
de cosméticos tem um discurso de inclusão no sentido de que
os preços de seus produtos são acessíveis a todos. Além
disso, para reafirmar a importância deles, a indústria de
cosméticos procura enfatizar outras propriedades, além da
embelezadora, de seus itens, que, por essa mesma razão, já não
podem ser considerados supérfluos, sendo assim elevados à
categoria de indispensáveis em nossa nécessaire do
dia-a-dia.
Com esse discurso a indústria de cosméticos quer tornar o
ideal de corpo e de beleza possível a quem o desejar. Para
quem é adepto de produtos mais naturais, há os produtos à
base de plantas, flores e sementes; para quem não se preocupa
com isso há os produtos com ingredientes sintéticos, enfim,
há todo um universo cosmético à disposição do consumidor.
A mídia aqui tem um papel fundamental: cabe a ela a divulgação
dessa fábrica de beleza, capaz de operar milagres.
É proibido envelhecer
Se o conceito de antienvelhecimento algum dia esteve restrito
à cirurgia plástica, hoje ele envolve variados recursos.
Na corrida pela juventude, a indústria de cosméticos também
cresceu, desenvolveu novas fórmulas e hoje representa uma
importante aliada na proteção da pele. Os resultados têm
sido animadores graças à alta complexidade dos produtos, que
são criados com variados ingredientes naturais e modernas
tecnologias, como a biotecnologia vegetal e nuclear e até a
engenharia genética.
Atualmente, há tratamentos para acabar com as indesejadas
rugas ou para amenizá-las, para clarear manchas e diminuir
olheiras, além dos já conhecidos produtos para a pele do
rosto e do corpo, cabelos, unhas, pés e mãos.
Contudo, além de tratar os problemas já instalados na pele,
a indústria de cosméticos hoje investe maciçamente na
prevenção de possíveis problemas. Por isso, batons e bases
de última geração contêm hidratantes e filtro solares, a
grande arma contra o envelhecimento precoce causado pela
excessiva exposição aos raios solares. Assim, mais que
embelezar, esses produtos tratam a pele.
A globalização dos cosméticos
Para se adequar à globalização da beleza, as fábricas de
cosméticos cada vez mais optam por usar a língua da
globalização: o inglês. As fábricas de cosméticos
evidentemente acreditam que o inglês dá um outro status a
seus produtos, deixando-os com aparência mais sofisticada e
por isso mais atraentes aos consumidores. Senão, vejamos:
produtos para o corpo agora se chamam “body care”; para o
cabelo, “hair care”, para a pele, “skin care”. Quanto
aos produtos para maquiagem, esses se denominam “make up”:
“eye shadow” é sombra; “eye liner” é delineador;
“eye pencil” é lápis para o contorno dos olhos;
“lipliner” é lápis para o contorno dos lábios;
“foundation” é base; “mascara” é rímel;
“lipstick” é batom e “lipgloss” é brilho labial. Os
nomes de batons, sombras e blushes também usam o inglês. Na
linha “body care” há os sabonetes líquidos perfumados,
que agora se chamam “aroma therapy” ; cremes não oleosos
se chamam “oil free” e óleos para o corpo se chamam
“body oil”. Ainda nessa linha, ao procurar por um
hidratante, há três opções: creme, loção ou gel,
respectivamente, “cream”, “lotion” ou “gel”. A
linha de produtos “hair care” é ainda mais abrangente:
tintas para cabelo são “hair color”; condicionador é
“conditioner” e cremes sem enxágue são os famosos “leave-in”.
Dentro dessa linha encontramos os mais variados tipos de “shampoos”:
“dry hair” para cabelos secos; oily hair” para os
oleosos; “curly hair” para os cacheados; “difficult hair”
para os rebeldes; “dyed hair” para os tingidos;
“anti-frizz” para diminuir o volume dos cabelos; “split
ends” para as pontas duplas.
A ditadura da beleza
Se por um lado os cosméticos melhoraram de qualidade e
ficaram mais acessíveis, por outro lado a ditadura da beleza
impõe-se com maior força em nossa sociedade.
Cosméticos são metáforas para a beleza, que é
verdadeiramente o que os consumidores procuram e desejam. Por
isso os anúncios de cosméticos são tão glamurosos: na
realidade vendem a ilusão da beleza. E, no desejo de melhorar
nossa aparência, por vezes tão descuidada com a correria da
vida moderna, muitas vezes compramos apenas “promessas”,
ou seja, produtos que, na verdade, não têm a eficácia que
anunciam.
O que se observa, além da beleza plástica desses anúncios tão
criativos e motivadores, é o discurso que as indústrias de
cosméticos mantêm, insistindo para que seus produtos sejam
consumidos. A idéia que subjaz aqui é a de que todos
deveriam se cuidar ou procurar uma aparência mais jovem, o
que não corresponde à verdade. Nem todo mundo quer mudar de
aparência ou parecer mais jovem: algumas pessoas estão
satisfeitas com sua aparência e não podem ser discriminadas
por isso.
Por isso, atenção: para anúncios melhores, consumidoras
mais atentas!
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