Entrevista com a professora Dra. Susana Gastal
por Ana Marina Godoy
1- Qual a sua formação (acadêmica e pessoal)? Minha formação é bem diversificada. Me formei em
Comunicação pela FAMECOS/PUCRS, mas em simultâneo fiz uma
parte expressivas dos cursos de Letras e de Educação, na
Universidade Federal do RS. Depois, fiz especialização e
mestrado em Artes Visuais e, finalmente, doutorado em
Comunicação.
2- Onde atua? Atuo há quase dez anos no Curso de Turismo da PUCRS e, há
dois anos, no Mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do
Sul (UCS). Também ministro uma disciplina na graduação em
Turismo no curso da UCS, que funciona em Canela. Quando a
agenda permite, trabalho em projetos culturais, em especial
nas áreas de Artes Visuais.
3- Neste mês de setembro haverá o II Seminário de Pesquisa
do Mercosul,
sediado pela UCS e promovido pelo Mestrado em Turismo desta
instituição.
Gostaria que a professora falasse sobre este curso que é
recomendado pela CAPES e, principalmente, sobre o evento: quem
são os convidados a coordenar os Grupos de Trabalhos, qual a
proposta do Seminário, o que se espera como resultado geral,
etc. O Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul propõe ser
um encontro de pesquisadores, para troca de idéias e
informações sobre os respectivos projetos de pesquisa em
andamento. Houve dois palestrantes na abertura do evento, a
professora Ledi Anaida Melendez (da Venezuela) e o prof. Jafar
Jafari (dos Estados Unidos). No dia seguinte, os participantes
passaram o dia em reunião em diferentes grupos de trabalho por
temáticas, o que foi muito produtivo.
Quanto ao Mestrado em Turismo, para 2005 ele terá uma
readequação das linhas de pesquisa, que ficarão assim: Linha
de Pesquisa 1 dedicada ao planejamento e gestão em Turismo e
Hotelaria; Linha de Pesquisa 2 dedicada aos estudos em Meio
Ambiente, Sociedade e Cultura; e, Linha de Pesquisa 3, com
enfoque em ensino e pesquisa em Turismo. O objetivo foi
adequar as linhas de pesquisa ao que os alunos vêm produzindo
em suas dissertações e às pesquisas dos professores do
Programa.
Este ano, ainda, o PPGTur/UCS lançou uma revista que também se
chamará seminário de Pesquisa em Turismo, justamente para
manter o espírito que
vigora no nosso encontro anual de pesquisadores.
4- Qual a sua grande motivação para pesquisar, escrever e
ensinar sobre
TURISMO? A possibilidade multidisciplinar do Turismo. A gama de
temáticas e a reunião de pesquisadores oriundos de diferentes
áreas é muitíssimo estimulante.
5- Como analisa o ensino de TURISMO no Brasil hoje? Já
existe uma
educação turística verdadeiramente profissional no Brasil? E
conscientização a respeito do Turismo (educação turística aos
cidadãos)?
São questões muito diferentes. No Brasil houve uma
proliferação muito grande e cursos e agora precisamos ver como
o "mercado dos cursos superiores" vai se adequar. Todos nós
ganhamos com a expansão dos títulos publicados. Hoje, a uma
riqueza editorial que é muito importante para o amadurecimento
da área. Mas, é necessário que estes livros sejam lidos, caso
contrário eles não cumprem o seu papel. Não tenho acompanhado
o trabalho dentro dos municípios com os moradores, em especial
em destinos turísticos. Mas, é uma área que não pode ser
menosprezada.
6- Qual a importância da existência do bacharelado em
TURISMO, tanto
para mercado quanto para a Academia? Qual a diferença em
relação aos cursos que visam a formação de tecnólogos?
Nos cursos voltados para os tecnólogos, a preocupação é em
prepara profissionais para atuar na linha de frente nas
empresas turísticas. Do bacharel espera-se um profissional
capacitado para a pesquisa e, portanto, para atuar em projetos
de planejamento e gerenciamento em um sentido macro, que
consiga ver e avaliar não apenas a empresa em que atua, mas o
contexto sócio-econômico-turístico em que esta empresa está
inserida.
7- O grande número de faculdades de Turismo no Brasil, com
enfática proliferação da segunda metade da década de 90 pra
cá, é sinônimo de profissionalização do TURISMO no país?
A longo prazo, elas provavelmente significarão uma maior
profissionalização da área, se os cursos (e os alunos) atuarem
com seriedade.
8- Conheci a professora, primeiramente, através de
publicações quando eu era acadêmica da graduação em Turismo na
UFPR. E tive o prazer de conhecê-la pessoalmente - como uma
fã! - em agosto de 2003, quando coordenou um grupo de trabalho
num evento voltado à Comunicação Social, em Porto Alegre, onde
apresentei um artigo que falava sobre o discurso turístico em
jornais (escrito em parceria com a minha mãe, professora Dra.
Elena Godoi*). Há quanto tempo se dedica à pesquisa na área
turística? Atuei no turismo nos 1970, na gestão pública, no Rio
Grande do Sul. Quando voltei ao Turismo, nos anos 1990, via
Universidade, agreguei à pesquisa que já realizava na área
cultural, à pesquisa em Turismo, em especial com preocupações
no Turismo Cultural.
9- Qual o seu maior intento ao escrever seus livros? Cite
alguns já
publicados, por gentileza. O trabalho com os livros não foi isolado. Temos um grupo
de professores aqui no Sul, que tem priorizado produzir em
conjunto, porque acreditamos no trabalho coletivo. Quando
iniciamos a publicar, queríamos organizar a experiência em
sala de aula e ampliar o diálogo com os alunos. Queríamos,
também, que nossos alunos parassem de utilizar cópias (xerox e
outras) dos textos e sentissem o prazer de ter um livro nas
mãos.
10- Como é o processo de elaboração dos seus livros? Quanto
tempo demorou o último? Quanto dura, em média, a organização
de um livro? E para escrever um?
Entre a proposta, sua organização e a chegada de um livro às
livrarias, vão-se quase dois anos. Só em casos muito especiais
este prazo é abreviado.
11- Já existem outras obras a serem publicadas em breve com
a autoria ou com a organização feitas pela professora? Se sim,
pode adiantar quais as temáticas delas? Há três projetos em andamento: um livro com o professor
Beni sobre as principais questões da globalização e suas
decorrências, um livro para Aleph sobre Turismo e Imaginários
no Turismo, e a possibilidade de edição de minha tese de
doutorado, em que analiso a cidade sob o ponto de vista de
alguns imaginários. O problema é o tempo para trabalhar nisso
tudo.
12- Sinta-se à vontade para acrescentar qualquer outra
informação ou comentário que queira.
O Turismo cresce e demanda profissionais especializados. Seria
importante se nossos alunos dos cursos de graduação fossem
mais profissionais com sua formação. Há uma demora muito
grande entre o ingresso no terceiro grau e a conscientização
de que não se está mais no segundo grau. Perde-se tempo
precioso. E muitos alunos acabam entrando no mercado, sem uma
formação completa. Agora, o aluno-profissional sai dos cursos
maravilhoso. Temos vários exemplos disso, que muito orgulham
aos professores, atuando dentro e fora do país.
*A professora Dra. Elena Godoi faz parte do quadro de docentes
da
Universidade Federal do Paraná nas áreas de Letras e
Lingüística,
desenvolvendo, inclusive, uma série de estudos sobre
MULTICULTURALISMO.