.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - outubro de 2005 - nº50 

  Principal
 Agenda
 Colunistas
 Cultura e Humor
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Notícias
 Poesias e Crônicas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Reflexão
 Terceira Idade
 Turismo e Lazer
 
 Outras edições
 
   Participe
 Cartas
 Expediente
 Fale Conosco
  
   Especiais
 SP 450 anos
 Gilberto Freyre
 Igrejas
 Meio Ambiente
 Assédio Moral
::Entrevistas::
 

Entrevista com a professora Dra. Susana Gastal
por Ana Marina Godoy

 
1- Qual a sua formação (acadêmica e pessoal)?
Minha formação é bem diversificada. Me formei em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS, mas em simultâneo fiz uma parte expressivas dos cursos de Letras e de Educação, na Universidade Federal do RS. Depois, fiz especialização e mestrado em Artes Visuais e, finalmente, doutorado em
Comunicação.


2- Onde atua?
Atuo há quase dez anos no Curso de Turismo da PUCRS e, há dois anos, no Mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Também ministro uma disciplina na graduação em Turismo no curso da UCS, que funciona em Canela. Quando a agenda permite, trabalho em projetos culturais, em especial nas áreas de Artes Visuais.

3- Neste mês de setembro haverá o II Seminário de Pesquisa do Mercosul,
sediado pela UCS e promovido pelo Mestrado em Turismo desta instituição.
Gostaria que a professora falasse sobre este curso que é recomendado pela CAPES e, principalmente, sobre o evento: quem são os convidados a coordenar os Grupos de Trabalhos, qual a proposta do Seminário, o que se espera como resultado geral, etc.
O Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul propõe ser um encontro de pesquisadores, para troca de idéias e informações sobre os respectivos projetos de pesquisa em andamento. Houve dois palestrantes na abertura do evento, a professora Ledi Anaida Melendez (da Venezuela) e o prof. Jafar Jafari (dos Estados Unidos). No dia seguinte, os participantes passaram o dia em reunião em diferentes grupos de trabalho por temáticas, o que foi muito produtivo.

Quanto ao Mestrado em Turismo, para 2005 ele terá uma readequação das linhas de pesquisa, que ficarão assim: Linha de Pesquisa 1 dedicada ao planejamento e gestão em Turismo e Hotelaria; Linha de Pesquisa 2 dedicada aos estudos em Meio Ambiente, Sociedade e Cultura; e, Linha de Pesquisa 3, com enfoque em ensino e pesquisa em Turismo. O objetivo foi adequar as linhas de pesquisa ao que os alunos vêm produzindo em suas dissertações e às pesquisas dos professores do Programa.

Este ano, ainda, o PPGTur/UCS lançou uma revista que também se chamará seminário de Pesquisa em Turismo, justamente para manter o espírito que
vigora no nosso encontro anual de pesquisadores.


4- Qual a sua grande motivação para pesquisar, escrever e ensinar sobre
TURISMO?
A possibilidade multidisciplinar do Turismo. A gama de temáticas e a reunião de pesquisadores oriundos de diferentes áreas é muitíssimo estimulante.


5- Como analisa o ensino de TURISMO no Brasil hoje? Já existe uma
educação turística verdadeiramente profissional no Brasil? E conscientização a respeito do Turismo (educação turística aos cidadãos)?

São questões muito diferentes. No Brasil houve uma proliferação muito grande e cursos e agora precisamos ver como o "mercado dos cursos superiores" vai se adequar. Todos nós ganhamos com a expansão dos títulos publicados. Hoje, a uma riqueza editorial que é muito importante para o amadurecimento da área. Mas, é necessário que estes livros sejam lidos, caso contrário eles não cumprem o seu papel. Não tenho acompanhado o trabalho dentro dos municípios com os moradores, em especial em destinos turísticos. Mas, é uma área que não pode ser menosprezada.


6- Qual a importância da existência do bacharelado em TURISMO, tanto
para mercado quanto para a Academia? Qual a diferença em relação aos cursos que visam a formação de tecnólogos?

Nos cursos voltados para os tecnólogos, a preocupação é em prepara profissionais para atuar na linha de frente nas empresas turísticas. Do bacharel espera-se um profissional capacitado para a pesquisa e, portanto, para atuar em projetos de planejamento e gerenciamento em um sentido macro, que consiga ver e avaliar não apenas a empresa em que atua, mas o contexto sócio-econômico-turístico em que esta empresa está inserida.


7- O grande número de faculdades de Turismo no Brasil, com enfática proliferação da segunda metade da década de 90 pra cá, é sinônimo de profissionalização do TURISMO no país?
A longo prazo, elas provavelmente significarão uma maior profissionalização da área, se os cursos (e os alunos) atuarem com seriedade.

8- Conheci a professora, primeiramente, através de publicações quando eu era acadêmica da graduação em Turismo na UFPR. E tive o prazer de conhecê-la pessoalmente - como uma fã! - em agosto de 2003, quando coordenou um grupo de trabalho num evento voltado à Comunicação Social, em Porto Alegre, onde apresentei um artigo que falava sobre o discurso turístico em jornais (escrito em parceria com a minha mãe, professora Dra. Elena Godoi*). Há quanto tempo se dedica à pesquisa na área turística?
Atuei no turismo nos 1970, na gestão pública, no Rio Grande do Sul. Quando voltei ao Turismo, nos anos 1990, via Universidade, agreguei à pesquisa que já realizava na área cultural, à pesquisa em Turismo, em especial com preocupações no Turismo Cultural.

9- Qual o seu maior intento ao escrever seus livros? Cite alguns já
publicados, por gentileza.
O trabalho com os livros não foi isolado. Temos um grupo de professores aqui no Sul, que tem priorizado produzir em conjunto, porque acreditamos no trabalho coletivo. Quando iniciamos a publicar, queríamos organizar a experiência em sala de aula e ampliar o diálogo com os alunos. Queríamos, também, que nossos alunos parassem de utilizar cópias (xerox e outras) dos textos e sentissem o prazer de ter um livro nas mãos.

10- Como é o processo de elaboração dos seus livros? Quanto tempo demorou o último? Quanto dura, em média, a organização de um livro? E para escrever um?
Entre a proposta, sua organização e a chegada de um livro às livrarias, vão-se quase dois anos. Só em casos muito especiais este prazo é abreviado.

11- Já existem outras obras a serem publicadas em breve com a autoria ou com a organização feitas pela professora? Se sim, pode adiantar quais as temáticas delas?
Há três projetos em andamento: um livro com o professor Beni sobre as principais questões da globalização e suas decorrências, um livro para Aleph sobre Turismo e Imaginários no Turismo, e a possibilidade de edição de minha tese de doutorado, em que analiso a cidade sob o ponto de vista de alguns imaginários. O problema é o tempo para trabalhar nisso tudo.

12- Sinta-se à vontade para acrescentar qualquer outra informação ou comentário que queira.
O Turismo cresce e demanda profissionais especializados. Seria importante se nossos alunos dos cursos de graduação fossem mais profissionais com sua formação. Há uma demora muito grande entre o ingresso no terceiro grau e a conscientização de que não se está mais no segundo grau. Perde-se tempo precioso. E muitos alunos acabam entrando no mercado, sem uma formação completa. Agora, o aluno-profissional sai dos cursos maravilhoso. Temos vários exemplos disso, que muito orgulham aos professores, atuando dentro e fora do país.


*A professora Dra. Elena Godoi faz parte do quadro de docentes da
Universidade Federal do Paraná nas áreas de Letras e Lingüística,
desenvolvendo, inclusive, uma série de estudos sobre MULTICULTURALISMO.

::educação::
Os excluídos do mundo da leitura
Por Vicente Martins

Entrevistadora


Ana Marina Godoy, turismóloga, consultora e professora de Turismo e Lazer.
anamarinagodoy@ig.com.br


 



::outras editorias::




PROVOCAÇÕES – Como presente literário, escritor lança livro com linguagem incomum e pouco pós-moderna.
De ANA MARINA GODOY




© copyright Revista P@rtes 2000-2004
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil