.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - outubro de 2005 - nº50 

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A obra prima da Barra Funda
Por Silvio Raphael S. Antonaccio Ribeiro       

Situado próximo ao metrô e a estação de trem da Barra Funda, na rua Auro Soares de Moura Andrade 664, o Memorial da América Latina foi construído por um monumento da arquitetura Oscar Niemeyer em 1989. O objetivo principal da obra é a integração através de diversas atividades da América Latina.

O Memorial da América Latina é um enorme centro cultural, que ocupa uma área de 84mil m2, distribuída em vários salões culturais e cerimoniais. O projeto tem como função idealizadora, amplos espaços, idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro.  Sua planta apresenta vários salões especiais, mas os que foram construídos com muito glamour como o Pavilhão da Criatividade, uma exposição permanente de arte popular latino-americana e brasileira, além de uma ala para exposições temporárias e para exibição de vídeos.

No piso, coberto por um vidro transparente, o público pode conhecer um pouco do folclore latino-americano, caminhando sobre uma maquete criada pelos artistas Gepp e Maia. Também pode adquirir peças de arte popular, publicações e Cds na "lojinha" localizada no Pavilhão. O Auditório Simón Bolívar: um dos maiores da América Latina, com 1600 lugares, apresenta uma programação artística variada. Em seu interior, estão expostas obras de Alfredo Ceschiatti, Carlos Scliar, Maria Bonomi, Tomie Ohtake e Victor Arruda. Além destes pavilhões pode-se encontrar ainda a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita uma das poucas bibliotecas do mundo especializada no tema América Latina. Ela coloca à disposição do público um rico acervo de livros, publicações, fitas e vídeos, além de obras de Mário Gruber e Marianne Peretti.

Já no Salão de Atos Tiradentes utilizado para cerimônias, há o painel "Tiradentes" (18 metros x 3 metros), realizado por Cândido Portinari em 1948, além de uma escultura de Bruno Giorgi e os painéis dos artistas Caribé e Poty. A Praça Cívica é um amplo espaço aberto, destinado a grandes manifestações culturais, onde se encontra um dos símbolos do Memorial da América Latina: a escultura "Grande Mão", de Oscar Niemeyer. Na Praça das Sombras, circundado por palmeiras, fica instalado o edifício sede do Parlamento Latino-Americano, podemos notar ainda que o Memorial abriga a sede do Parlamento Latino-Americano um complexo que também foi construído por Niemeyer e que nada tem a ver com o Memorial da América Latina. O Parlatino é uma instituição internacional totalmente independente com administração própria que é formada pelos parlamentares nacionais que integram a América Latina.

O Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL) foi criado dentro do Memorial da América Latina para desenvolver estudos sobre temas latino-americanos sob uma perspectiva interdisciplinar. O CBEAL tem por objetivo animar discussões e grupos de estudos multidisciplinares sobre temas cuja abordagem multifacetada possa levar a uma compreensão mais integral - questões que transcendam fronteiras, assumindo uma relevância global; questões que possam ser debatidas não só a partir de posições ideológicas diversas, mas, sobretudo de uma visão de mundo pluralista. Para cumprir seus objetivos, o CBEAL promove a pesquisa, a disseminação e a documentação de importantes manifestações culturais e intelectuais produzidas, através de três áreas de atuação: a Promoção de Estudos, seminários, conferências e cursos; as suas Publicações - edição de livros e a Revista Nossa América; e a Biblioteca com um centro de documentação audiovisual e um banco de dados atualmente em fase de implantação.O Centro atua, sobretudo como um núcleo de discussão sobre os múltiplos e complexos aspectos.

Com a construção ao lado do Centro Universitário Uninove, do mega galpão para apresentações de estilistas jovens e modernos, o Espaço da Américas, a rede de televisão Record, entre outras variedades de novas arquiteturas o Memorial da América Latina se colocou a vista de muita gente que não conhecia o local. Uma das acompanhantes que leva os visitantes a conhecer o local, declarou que com a chegada destes grandes, ou melhor, gigantes complexos arquitetônicos à visita ao local teve um aumento em 40%, mas a chegada de ambulantes em sua lateral também atrapalhou muito. “A faculdade é responsável por tudo isso”, declarou uma funcionaria, em relação a sujeira e a grande quantidade de roubos e furtos na região. Outro fator que preocupa a administração do Memorial é a falta de segurança em sua volta. A todo momento estudantes, idosos, e principalmente turistas são assaltados no local. Diversas ocorrências já foram registradas e no momento a polícia não tem respostas sobre os casos. Na região pode-se encontrar diversas “favelas” de pequeno porte, com barracos construídos principalmente debaixo de viadutos e pontes.

A relação do Memorial com os outros edifícios próximos são totalmente irrelevantes, porque atrai um publico jovem e de profissionais que estariam mais interessados no aspecto cultural. Esta relação entre o memorial e a sociedade em seus arredores provocou algo como popularização do bairro. Para muitos funcionários isto é um erro inaceitável, por reunir num o ambiente extremamente tranqüilo enormes construções arquitetônicas. Já para uma boa parte dos funcionários a convivência com a Universidade, a rede de Tv, o enorme galpão, os vídeos bingos entre outros é exatamente o que eles estavam procurando.  Em alguns desses ambientes as pessoas estão estudando, trabalhando e principalmente se divertindo. E porque iria atrapalhar, sendo que o memorial hoje é exatamente um enorme Centro cultural aberto ao público.

O local de sua construção, o ambiente que logo dentro dos pavilhões é notado facilmente, tudo isto é totalmente cultural e muito bem apreciado por pessoas de todas as classes sociais que estão dispostas a uma ducha de informações, não só culturais, mas também arquitetônicas. Várias pessoas ilustres já passaram por lá, entre elas há presidentes, governadores, entre outros. Cada curva do projeto foi algo sutilmente elaborado com muito bom gosto. Niemeyer disse que realmente o projeto é algo fantástico, fascinante e que certamente é uma de suas melhores obras já concluídas. Muitos arquitetos estudam o Memorial pela clareza de suas formas, todo o espaço foi completamente elaborado estudado cada centímetro de seu espaço.

O  Memorial hoje é aberto a visitantes gratuitamente para conhecer os horários de funcionamento acesse www.memorial.com.org.br, ou ligue para (xx) 11 3823- 4600, os visitantes poderão visitar desde exposições até teatros, informe-se e divirta-se.

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Os excluídos do mundo da leitura
Por Vicente Martins


 


Silvio Raphael Sampaio Antonaccio Ribeiro é estudante de jornalismo  



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