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A genealogia corresponde ao estudo da história das
famílias, procurando averiguar a origem dos sobrenomes,
o seu significado etimológico, os indivíduos em quem a
família começou, que deslocamentos sofreu ela no espaço,
como se desenvolveu quantitativamente, que influência
tiveram os seus membros na sociedade, etc.
Trata-se de uma área do conhecimento que, em sua forma
menor, limita-se à enumeração das gerações (pais, avós,
bisavós etc.); em sua forma maior, compreende o
entendimento do meio social em que elas existiram. No
primeiro caso, há um simples alinhamento de nomes; no
segundo, uma inserção dele na história.
Todo indivíduo apresenta árvore genealógica, desde que,
como é óbvio, existam antepassados que, a cada geração,
se multiplicam pelo dobro. Ou seja, enquanto os pais são
dois, os avós são quatro, os bisavós são oito e assim
sucessivamente. À volta da quadragésima geração eles
rondam os milhões, pelo que, em tempos recuados, o
número de avoengos de cada pessoa excedia a população do
planeta ao tempo: todos descendemos várias vezes dos
mesmos avós e todos apresentamos, em teoria, ao menos,
antepassados em comum com o nosso semelhante.
Algumas árvores genealógicas são mais ricas, quando
acerca dos seus componentes conservou-se memória;
outras, são pobres em razão da escassez de informações
acerca deles. O primeiro caso é freqüente tratando-se de
individualidades ilustres, a cujo respeito escreveu-se
ou sobre quem há documentos; No segundo o conhecimento
dos antepassados perde-se com facilidade: mormente, na
terceira geração pouco se sabe e na quarta já tudo se
ignora. Daí a importância de os mais moços escutarem os
mais velhos e deles recolherem as tradições de família
que, por vezes, transmitem-se ao longo de dezenas de
anos.
Uma investigação genealógica inicia-se na família: o
pesquisador procurará colher informações junto dos seus
avós, bisavós, tios e tias mais velhos, a partir de
cujos dados buscará os registros paroquiais e
cartoriais, afim de documentar-se, o que exigir-lhe-á
esforço e disponibilidade de tempo. Os resultados serão
favoráveis, caso conheça-se a paróquia em que os
antepassados foram batizados e caso os livros (de
batizados, de casamentos e de óbitos) existam em boas
condições de leitura. Haverá decepções, se tais livros
se perderam ou se se ignorar o lugar em que se deve
proceder à busca.
Na pesquisa, nenhuma informação é desprezível: toda
notícia é bem-vinda e pode importar. Muitas vezes, uma
minúcia aparentemente insignificante contribui para se
deslindar uma dúvida ou para o prosseguimento das
buscas.
Sempre é interessante conhecer-se de onde se provém, o
que confere uma identidade pessoal própria aos membros
da família cuja árvore se descobriu. Bem entendido que
as genealogias correspondem a curiosidades e não a
qualificativos pessoais: descender alguém de certa
individualidade ilustre não o torna melhor por isto. A
qualidade de cada um decorre do que é por si, do
comportamento, dos valores, e não de quem descende.
De certo modo, a genealogia vincula-se à heráldica, ou
seja, ao estudo dos brasões de família, a cujo respeito
é freqüentíssimo as pessoas atribuírem-se o brasão que
corresponde ao seu sobrenome. Assim, por exemplo, alguém
da família Abrantes considera pertencer a ela o brasão
que pertenceu a alguém do mesmo sobrenome. Trata-se de
um engano comum: os brasões atribuíam-se a certos
indivíduos de dada família e aos seus descendentes, e
não ao todos quantos possuam certo sobrenome. A nem todo
Abrantes corresponde o brasão que se atribuiu a certo
Abrantes.
É de lembrar que os brasões correspondiam a honrarias
próprias dos regimes monárquicos e que inexistem nas
repúblicas, em que tampouco existem os títulos
nobiliárquicos (de barão, conde, etc.).
Há alguma literatura genealógica, antiga e moderna.
Dentre os livros antigos, contam-se a “Nobiliarquia
paulistana”, de Pedro Taques, do século XVIII, a
Genealogia Paranaense, de Francisco Negrão, do século
XIX, a Genealogia Paulistana, do mesmo século, e uma
quantidade enorme de pequenos livros, sobre as mais
variadas famílias, escritos, em regra, por algum membro
seu.
Na Europa, as pesquisas genealógicas são freqüentes e
muitas vezes remontam a dezenas de gerações; no Brasil,
os descendentes de imigrantes raramente alcançam a
quarta geração, já as famílias de origem colonial
permitem remontar a seis, oito, dez gerações, e
mais.
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