Palavras-chave: sinalização; turismo; lazer;
pós-modernidade; design
Agradeço a colaboração do professor Lyn
Jannuzzi, quem me encantou à infografia
e colaborou para que este trabalho
pudesse ser representado... além de um
projeto!
"Esses postais..." Por Fernando Bonassi
(23/12/1998)
Estive nesse lugar parado da foto aí atrás,
mas só de passagem. Você é o amor da minha
vida quando mais me afasto. Tantas coisas
para dizer que nem me lembro. Alugo quartos
duplos. Durmo em pé. Assim de longe você
parece bem grande. Não sei quando volto.
Acho que nem saí. Podemos morrer de tudo.
Menos de nós mesmos. Do que você me achar
por dentro, queime-se. Com cuidado. Tenha fé
na sua descrença. Cumprimente todos os
desconhecidos. A gente nunca sabe. Nada
mesmo. Um beijo. Na boca. Dois. Sem língua.
Não. Não vamos começar de novo..."
O lazer e o
turismo não são irmãos gêmeos naturais. Talvez de
proveta, fabricados pela genética própria de uma
sociedade que, para lucrar financeiramente e em
instantâneo prazo, alquimiza em produto o que for,
precisando, para tanto, de rótulos que soem bem (me
refiro ao vidro da proveta...). Além, é claro, de um
belo design: forma é conteúdo e influencia
diretamente na otimização dos resultados: objetivo de
vida do século XXI.
A etimologia
da palavra lazer remete à língua francesa quando, no
século XIII, foi aparecendo através do termo loisir,
que tem sua raiz no latim licere, e este, por sua
vez, contém, em sua essência, a idéia de permissão.
Lazer vai significando ausência de regras, de
obrigações, de repressão ou de censura, e continua por
se transformar. É um objeto de estudo vivo e um sistema
aberto. Pode-se interpretar o lazer como:
a)ter ou
tomar o tempo de fazer ou
b)ter tempo
de fazer qualquer coisa de que se goste.
Para Paiva,
"o lazer diz respeito àquele tempo de que dispomos para
fazer qualquer coisa que nos agrada", até mesmo fazer
nada. E o grande
estudioso e
teórico do assunto, Joffre Dumazedier, demonstra
concordar. Para ele, "é um conjunto de ocupações às
quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade,
seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se ou
entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação
ou formação desinteressada, sua participação social
voluntária ou sua livre capacidade criadora e após
livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações
profissionais, familiares e sociais". Nessa visão, o
lazer apresenta três funções bastante claras: a)
descanso, b) divertimento, recreação e entretenimento,
c) desenvolvimento da personalidade".
No entanto,
na aldeia pós-moderna - extremamente capitalista -, para
Paiva, "o emprego do tempo livre com a condição
intrínseca de decidir sobre o que fazer foi modificado
para reproduzir as necessidades programadas e orientadas
para a produtividade e consumo, com o apoio de fortes
esquemas mercadológicos". Surge uma nova dimensão
ideológica do lazer que pode fazer com seja entendido
até como obrigação: um paradoxo?
Para Beni,
"a
mobilidade urbana, implica número tão elevado de
deslocamentos motorizados, que os congestionamentos, os
ruídos e a contaminação atmosférica parecem ter-se
incorporado, irremediavelmente, à vida os grandes
conglomerados urbano-industriais, provocando a
necessidade vital de outra mobilidade: a do fim de
semana, para o necessário relaxamento e descanso. Aí
surge outro problema intenso: o tráfego intenso nas
rodovias de ligação com o litoral ou outros locais
procurados nos finais de semana provoca novo
congestionamento, oferecendo risco de vida a seus
usuários. Irritabilidade, tensão nervosa e estresse são
adquiridos justamente quando se buscam descanso e
entretenimento".
Ou seja,
passa a ser uma preocupação ter qualidade de vida, e o
lazer ganha novo foco, se torna mais uma estressante
competição social, uma disputa (de status, inclusive):
quem faz melhor? Quem planeja e consome um lazer mais
caro? Quem é mais sábio e aproveita, de fato, um tempo
que é escasso e, por isso, deve ser investido e
apaixonadamente vivido com sucesso? Tais termos passam a
ser obrigações e suas idéias originais se deturpam.
Situando o
"tempo" e o "uso do lazer" entre os demais indicadores
relevantes para aferir o estado social da nação a partir
de um núcleo universalmente partilhado, Wanderley
Guilherme dos Santos coloca em xeque e propõe reflexão
sobre o lazer no Brasil, afirmando que o mesmo está para
muitos como uma questão privada. O alcance do lazer
turístico fica fora de cogitação para a maior parcela da
população, conforme demonstram os dados censitários
referentes à População Economicamente Ativa (PEA).
"A população
economicamente ativa (PEA) é o conjunto de pessoas em
idade de trabalhar, de ambos os sexos, que constituem a
mão de obra disponível para a produção de bens e
serviços. Dito por outras palavras, a PEA compreende as
pessoas que trabalham (ocupadas) e as que procuram
ativamente um trabalho (desocupadas), incluindo aquelas
que o fazem pela primeira vez (...) Segundo
recomendações internacionais, a PEA é considerada como a
população que participa na atividade econômica e que
tenha 15 anos de idade e mais. A análise da PEA que é
apresentada nesta secção seguiu esta recomendação. No
entanto, o boletim do censo foi desenhado para captar
também pessoas com idades entre 7 e 14 anos. A
participação laboral deste último grupo é analisada num
quadro separado". www.ine.gov.mz/censo2/08/brochura/08forcade.htm,
acesso em 26 de maio de 2004.
Dentro desta
perspectiva, DUMAZEDIER complementa:
"embora
pesquisas tenham demonstrado que a necessidade de lazer
cresce com a urbanização e a industrialização, este
crescimento está longe de ser igual em todas as camadas
sociais. Neste sentido, as cidades de países
subdesenvolvidos se constituem num campo privilegiado de
estudos, já que nelas há marcantes diferenças
sócio-econômicas e coexistem as manifestações de cultura
popular com as da cultura difundida pelos meios de
comunicação de massa".
As linhas
tênues da pós-modernidade incentivam, a princípio, uma
névoa sobre os conceitos e definições tanto de lazer
como de turismo. Confusões sobre seus significados são
comuns, mesmo entre os técnicos, os acadêmicos e/ou os
bacharéis da área. Percebe-se, empiricamente, que não se
trata da mesma coisa, mas dar corpo às suas diferenças é
tarefa quase que hercúlea, enquanto que, apontar o
conjunto em comum entre turismo e lazer, é simples,
tanto nas salas de aula como em ambientes e conversas
informais.
Segundo Urry,
"o turismo é
uma atividade de lazer que pressupõe seu oposto, isto é,
um trabalho regulamento e organizado. Constitui uma
manifestação de como o trabalho e o lazer são
organizados, enquanto esferas separadas e regulamentadas
da prática social, nas sociedades "modernas". Com
efeito, agir como um turista é uma das características
definidoras de ser "moderno" e liga-se a grandes
transformações do trabalho remunerado. É algo que passou
a ser organizado em determinados lugares e a ocorrer em
períodos regularizados".
Para Beni, "o
turismo é um fator socioeconômico importantíssimo que
intensifica e aperfeiçoa a mobilidade humana": passamos
de uma sociedade em que as pessoas apenas se mudavam de
casa para uma que produz turismo de e em massa. "Não
existe praticamente lugar da geografia em que não se
observe a influência desse fenômeno em maior ou menor
intensidade". Afinal, "uma das formas mais importantes
de mobilidade é o Turismo. O turismo de massa conferiu
fisionomia marcadamente móvel e dinâmica ao mundo (...)
Os fins de semana se converteram num fator de mobilidade
trepidante, uma espécie de válvula de escape em busca da
tranqüilidade da praia ou do campo. Para o homem
contemporâneo, o descanso é uma necessidade é a
oportunidade de encontrar a si mesmo, seu semelhante e a
natureza. Ele tem necessidade vital de sair da cidade,
porque está cada vez mais desumanizada. A especulação
econômica tornou muitas delas inabitáveis por falta de
áreas verdes. Além da monotonia, o ritmo de trabalho
durante toda a semana exige também uma ruptura
libertadora que o capacite para o desenvolvimento de
outros aspectos fundamentais da vida, como o descanso, o
desfrute e a contemplação da natureza, a formação
cultural, o trabalho social livre" (ajudar e cuidar do
outro faz bem à alma!), "o entretenimento, a prática de
esportes" (antidepressivo natural!). Ao que URRY
complementa: "Os lugares são escolhidos para ser
contemplados porque existe uma expectativa, sobretudo
através dos devaneios e da fantasia, em relação a
prazeres intensos, seja em escala diferente, seja
envolvendo sentidos diferentes daqueles com que
habitualmente nos deparamos. Tal expectativa é
construída e mantida por uma variedade de práticas
não-turísticas, tais como o cinema, a televisão, a
literatura, as revistas, os discos e os vídeos, que
constroem e reforçam o olhar". Estas são práticas de
lazer. Nesse caso, nota-se que o lazer pode ajudar a
construir o turismo ou práticas de turismo. Trabalhar
juntando o útil ao agradável é fundamental para o
equilíbrio psicofísico humano. A arte de descansar faz
parte da arte de trabalhar, diz o provérbio. O que entra
em cena é a motivação.
"A motivação
foi e é estudada sob diferentes enfoques que podemos
considerar internos das pessoas: necessidades
biológicas, emocionais e psicológicas, ou externos à
pessoa: estímulos que vêm do meio ambiente, como gostar
ou não de música, jogar bola, gostar de alguém".
(MULLER, 2001)
Para Feijó,
motivar é:
"o processo
de mobilizar necessidades pré-existentes que sejam
relacionadas com os tipos de comportamento capazes de
satisfazê-las. Quando a pessoa percebe a relação de
conveniência entre sua necessidade e o comportamento que
lhe foi apresentado, naturalmente se interessará por
ele, tentando reproduzi-lo. A motivação foi processada e
o treinamento realizado".
"Conhecer o
processo da motivação do ser humano, segundo Feijó
(1992), exige do avaliador, um bom conhecimento das
necessidades humanas e a compreensão de como a dinâmica
das necessidades humanas atua no processo da motivação é
conhecer o segredo essencial do motivar. Conhecer aquilo
que é básico na motivação significa conhecer o elemento
energizador (...)" (MULLER, 2001).
Quando alguém
decide dispor seu tempo livre para práticas de lazer,é
interessante que exista um convite simbólico a isso por
parte dos locais convidativos a tais atividades, bem
como das organizações gerenciadoras, sejam públicas ou
privadas, parques ou cidades, etc. Muito do incentivo
pode surgir ou ser estimulado pelo simbólico, através de
grafias, de visuais, paisagismos,
sinalizações e através do infograturismo: a
infografia do, para e pelo turismo (e lazer).
A proposta de
uma nova linguagem, codificação, simbologia próprias da
turismologia. O design visual do turismo muito se
traduz através da sinalização turística (:infografia
adaptada?).
O mundo atual
é uma imensidão de produtos, rótulos, marca e
sinestesias diversas. Com ou sem conteúdo. E a imagem,
em si, passa a ser um conteúdo, revelando mensagens,
codificando. A grande tendência como arma de sedução,
além da informação, é a Grafia Informativa, seja em qual
esfera ou área do saber
for. Esta é....
A sinalização turística consiste na aplicação de
elementos visuais em um ambiente com a intenção de
orientar as pessoas quanto às suas possibilidades de
ação. O Instituto Brasileiro de Turismo, Embratur,
através de seu sítio eletrônico, sugere que
Na elaboração
dos projetos de Sinalização de Orientação Turística,
devem ser observados diversos aspectos no sentido de
atender aos deslocamentos dos turistas. Garantir a
padronização, a legibilidade, a visualização, entre
outros, é fundamental para a eficácia da sinalização,
sendo por isso recomendado que a metodologia apresentada
a seguir seja mantida em todos os tipos de projetos
desenvolvidos, independente do grau de abrangência e do
número de atrativos a serem destacados.
No entanto,
dentro do pós-moderno, a sinalização turística é capaz
de ganhar funções anexas, tais como exibir, incentivar,
seduzir...um instrumento estético e/ou de marketing.
O Marketing trabalha diretamente com a idéia de
persuasão - o que não significa enganação, mas sedução e
convencimento. Para tanto, um item fundamental é a
construção do carisma como ferramenta de conquista, seja
de um executivo da área ou de um empreendimento
turístico. Mostrar com beleza o que é a realidade;
interpretar com poesia (objetiva e com termos de
executivos, por vezes) o que se saboreará como principal
mais tarde. Não basta comunicar e passar informações,
deve-se provocar paixão.
O turismo,
por definição, já é evasão, sonho, saída do cotidiano e
da mesmice. O Marketing turístico vem para
impulsionar o consumo desta necessidade pós-moderna:
sair da rotina e, com isso, ganhar equilíbrio
psicossomático. Administrar a ponte entre pedido e
produto, formas de consumo expostas pelo mercado, os
fornecedores, a divulgação e a qualidade durante todo o
processo é tarefa do Marketing.
Incentivar o
consumo do lazer e do Turismo é sugerir terapia e/ou
saúde, inclusive através de métodos visuais, capazes de
encantar os olhos e a alma. A atividade turística deixou
de ser vista como um capricho para ser percebida como
necessidade. Não de um mesmo grau como as necessidades
fisiológicas, mas nem por isso menos importante. Alguém
saudável precisa consumir Turismo (e Lazer) para manter
essa condição. O Marketing turístico começa a
perceber essa nova concepção e a explorar seu objeto
como um produto - ou meio – de saúde.
Se o mundo
sugere perfis de consumidores sedentos por emoções
fortes, adrenalina e momentos de paixão o Turismo pode
ser a forma de trazê-los à realidade. Servir o pedido de
forma equilibrada (a favor da saúde) e satisfazendo o
cliente e/ou o consumidor é a grande arte do momento. O
Turismo não pode ser uma (nova) droga e sim um condutor
à plenitude. E mais do que uma válvula de escape deve
ser cultivado como um hábito, com a ajuda do
Marketing turístico, desativando o estresse e
posturas nocivas à saúde. Assim se promoverá, de fato e
estavelmente, uma atividade – a princípio – sazonal.
A informação,
matéria-prima para a sedução ao consumo do lazer e do
turismo, deve ser, também, saudável. Ou seja,
verdadeira, tratada e emitida de modo agradável e
possível de ser captado pelo receptor sem dúvidas quanto
ao que simboliza.
Segmentos de
mercado por motivação (como ecoturismo, enoturismo,
turismo religioso, entre outros) não faltam. O essencial
é tanto o (potencial) turista como o profissional de
Marketing saberem qual o perfil daquela pessoa;
descobrirem a vocação turística a ser praticada e que
poderá trazer os resultados esperados. Tanto por parte
do destino quanto do destinante, calculando, escolhendo
e induzindo os fluxos a favor da atividade turística
sustentável.
Além disso,
saber qual a demanda que se quer para aquele produto
turístico e o porquê de seu querer são fundamentais para
que exista um foco para onde convergirão os esforços.
Muito mais do que inspiração, a "sociedade do
conhecimento" exige planejamento, cálculo, reflexão e
experimento.
Escolher o
profissional que será o responsável pela informação
turística – seja de um hotel, de um evento, de um
município, de um restaurante ou outro empreendimento – é
tarefa atual, exigente e necessária. Ele deve ser, acima
de tudo, capaz de cumprir com o que se contrata ou
propõe, o que inclui estar atualizado e ter formação
condizente, além de bom portfólio. Só imagem não
resolve; ser conhecido, apenas, também não resolve. A
imagem e o conteúdo devem existir em performance
excelente e transformadora, reveladas num profissional
ou em uma equipe (multidisciplinar, idealmente).
Consultores
de viagens estão dividindo o mercado com agências por se
especializarem nas minúcias de seus clientes – com
condições financeiras de contratar serviço nada popular.
Com ferramentas (de pesquisa) podem perceber qual o
melhor modo de transformar uma vontade ou um sonho em
realidade sinestésica, tendo como contribuir para a
auto-estima daquele que contrata, desde que planejando
de forma ética. Valor este muito saudável e que, de
brinde, traz o lucro.
Com apurada
visão crítica, URRY enxerga desenvolver-se
"uma tropa de
turistas profissionais que tentam reproduzir novos
objetos do olhar do turista. Esses objetos se localizam
em uma hierarquia complexa e mutante. Isso depende do
inter-relacionamento, por um lado, da competição entre
os interesses envolvidos no
fornecimento de tais objetos e, por outro lado, das
mutantes distinções de gosto, ligadas à classe, ao
gênero e às gerações, no que se refere à população
potencial de visitantes".
Os espaços
turísticos também são clientes a serem entendidos e
mapeados.
As cidades,
em geral e globalmente, têm se desenvolvido obedecendo
essas premissas. Percebendo ou não.
A visão de um
jornalista do norte-americano The Economist, em
1857, resumia o padrão típico do desenvolvimento urbano;
o interessante é que continua em vigor tal pensamento:
"A sociedade
tende cada vez mais a fracionar-se em classes – e não
simplesmente classes, porém classes localizadas/colônias
de classes. É a disposição a associar-se com iguais, em
certa medida com aqueles que têm interesses práticos
semelhantes, em medida ainda maior com aqueles que têm
gostos e cultura semelhantes e, acima de tudo, com
aqueles com quem julgamos estar em um patamar de
igualdade moral, qualquer que possa ser nosso padrão".
(20 de junho de 1857/ The Economist).
Existe toda
uma intencionalidade na estética das cidades,
incluindo-se aí o que tange ao lazer e ao turismo. Ela
pode ser uniforme e harmônica ou não, o que é mais
comum. Uma espécie de "design de informação" urbano
permeia, antes de tudo, qualquer planejamento de/para
lazer e/ou turismo com foco na sinalização. A cidade, em
si, já carrega um jeito de se expressar e quase que
verbaliza sua (suposta) personalidade. Ambientar uma
sinalização de lazer e/ou turismo coerente e
significativa num contexto de gráfica informativa já
preexistente é um dos desafios impostos pelo século XXI.
Não se trata mais, apenas, de escolher materiais
ecologicamente corretos ou cores que não agridam à
natureza (humana, inclusive): o desenvolvimento
sustentável passa a abarcar a idéia de adaptabilidade,
flexibilidade e administração do já construído com o que
será construído em meio, junto, com este. Isso traz à
tona o que pode ser verdadeiramente entendido como
design turístico pós-moderno: a atividade do
projeto, além do planejamento e da gestão puros.
Tal
ramificação do design teria, sim, maior ênfase
quanto ao design visual: projeto de objetos (e
situações?!) que serão apreendidos principalmente pela
visão.
Designer é quem faz o design. Neste sentido, o
turismólogo pode contribuir, dentro de uma equipe
multidisciplinar, para que o turismo seja codificado e
simbolizado de maneira expressiva e interessante para o
lazer e para as atividades turísticas, em geral.
Neste
cenário, emissores e receptores não são engessados.
Podem trocar de papel, inclusive. E podem, simplesmente,
fazer o que o meio pede – verbalizando ou não – ou o
contrário: aquilo que lhes convêm (como arte, por
exemplo), usufruindo de autoridade sobre a criação, a
interpretação, a simbolização de informações.
O Turismo é
muito mais do que viajar e pede passagem. É simbolizado
por marcas, códigos, e comunica. A comunicação se dá por
códigos, pictogramas e/ou ícones são os símbolos-padrão
quando se trata de sinalização turística.
A mensagem
turística deve seguir critérios de seleção e
ordenamento, não só técnicos, mas também artísticos.
Isso passa pela escolha dos tipos de placas e sua
padronização – ou não -, por exemplo. A preocupação com
os critérios de posicionamento (para pedestres e/ou
veículos), a definição de suportes, o dimensionamento, a
diagramação, se serão interpretativas ou direcionais,
são aspectos simbólicos e efetivos/ativos da mensagem.
Devem ser pensados pelo planejador.
A informação
poderá ser entendida como uma unidade significativa e o
design da informação como um ramo do design
que tem como objetivo facilitar a relação do ser humano
com a grande quantidade de informação desses tempos;
tanto para a criação quanto para o adequado acesso a
ela, dentro da "sociedade do conhecimento".
Visitantes,
turistas, excursionistas: todos bárbaros?
Os
forasteiros pós-modernos não são vikings ou
piratas: são pessoas que vêm pra consumir o cotidiano de
um lugar, experimentar aquilo que uma comunidade faz
questão, muitas vezes, de não dividir com outras, não
expor, segredar ao máximo ou, em outros casos, preferia
que não existisse daquela forma... O turista ou o
visitante, então, aparecem como "estranhos no ninho",
esquisitos que acham o máximo o que lhes é exótico e, ao
mesmo tempo, para a população local, tão banal e sedento
por mudança. O deslumbrado diferente pode até, mesmo que
de forma dolosa, estragar a trajetória autóctone ao
intervir sem ser convidado pelos verdadeiros anfitriões.
"Os relacionamentos turísticos surgem de um movimento
das pessoas para várias destinações e sua permanência
nelas. Isso envolve necessariamente alguma deslocação
através do espaço, isto é, a viagem, e um período de
permanência em um lugar ou novos lugares (...); a
viagem e a permanência se destinam a localidades fora
dos lugares normais de residência e de trabalho. Os
períodos de residência em outros lugares são breves e
de natureza temporária" . (URRY)
Por isso, a
intervenção deve ser evitada. Só assim a
sustentabilidade, tanto ambiental como a cultural,
será mantida.
O estranho
deve deixar clara a sua atuação, intenção e papel,
evidenciando a sua própria definição naquele momento:
viajante. Deve manifestar que existe uma clara
intenção de voltar ao seu local de origem dentro de um
período relativamente curto.
"A
subjetividade envolve nossos sentimentos e pensamentos
mais pessoais. Entretanto, nós vivemos nossa
subjetividade em um contexto social no qual a
linguagem e a cultura dão significado à experiência
que temos de nós mesmos e no qual nós adotamos uma
identidade" (Woodward in silva,p 55)
Mesmo
assim, cai-se numa outra armadilha: sabendo desta
situação, se a comunidade receptora não estiver
preparada, pode se sentir, inconscientemente,
descartável: é aproveitada para prazer momentâneo;
interpretando ser usada ao invés de estar usando e
tirando proveito, conforme a teoria capitalista da
"indústria sem chaminés" prega. Para a comunidade
local, nestes casos, não há prazer.
Para
conscientizar – que difere do significado de doutrinar –
os receptores sobre as conseqüências e os impactos –
positivos, inclusive – da atividade turística, o lazer
pode aparecer e servir como ferramenta. Será o lazer o
interlocutor maior e o grande facilitador na comunicação
entre uma cultura (exterior) e outra (interior). O
turismo deve fazer surgir o prazer e o lucro para além
de um momento e para todos os envolvidos.
Consciente,
enganado ou se divertindo ao se vestir como um
personagem, "o olhar é construído através de signos, e o
turismo abrange uma coleção de signos", explica URRY,
que prossegue e exemplifica: "Quando os turistas vêem
duas pessoas se beijando em Paris, o que seu olhar capta
é uma "Paris intemporal em seu romantismo". Quando se vê
uma pequena aldeia na Inglaterra, o que o olhar
contempla é a "velha e boa Inglaterra". Conforme Culler,
"o turista s interessa por tudo como um sinal da coisa
em si...No mundo inteiro esses exércitos não declarados
de semióticos*, isto é, os turistas, se inflamam, à
procura dos sinais das demonstrações de francesismo, de
comportamento italiano típico, de cenas orientais
exemplares, de estradas rápidas típicas norte-americanas
e/ou de pubs tradicionais ingleses (...). O olhar
do turismo é direcionado para aspectos da paisagem do
campo e da cidade que os separam da experiência de todos
os dias. Tais aspectos são encarados porque, de certo
modo, considera-se como algo que se situa fora daquilo
que nos é habitual. O direcionamento do olhar do turista
implica, freqüentemente, em diferentes formas de padrões
sociais, com uma sensibilidade voltada para os elementos
visuais da paisagem do campo e da cidade, muito maior do
que aquela que é encontrada normalmente na vida
cotidiana. As pessoas se deixam ficarem presas a esse
olhar, que então é visualmente objetificado ou capturado
através de fotos, cartões-postais, filmes, modelos, etc.
Eles possibilitam ao olhar ser reproduzido e recapturado
incessantemente", conforme o breve conto que inicia este
artigo. Ciclicamente, de formas similares e não
idênticas, as experiências se consolidam e se repetem.
Não importa a autenticidade, mas, sim, a adrenalina ou a
serotonina. Tudo podendo ser resolvido em laboratórios
(?).
viagem como
lazer
A motivação e
a ansiedade, precursoras do fato turístico viagem,
despertam o imaginário e as expectativas que a
antecedem, favorecendo a criação de pré-olhares. É uma
tentativa de domínio e de controle otimizado do sonho; a
busca de uma garantia antecipada de prazerosas emoções:
uma sinestesia orquestrada perfeitamente, quase que
produzindo e satisfazendo o real, que é a vivência da
viagem em si. A recordação é o prolongamento dela e será
proporcional ao nível de satisfação e envolvimento com a
experiência turística real. O imaginar pode ser um
lazer. O recordar também. E o turismo é uma das grandes
molas propulsoras dele.
"Os lugares
objeto do olhar se prendem a motivações que não estão
diretamente ligadas ao trabalho remunerado e oferecem
normalmente alguns contrastes distintivos com o
trabalho, remunerado ou não (...) Uma promoção
substancial da população das sociedades modernas adota
práticas turísticas. Novas formas socializadas de
provisão são desenvolvidas, a fim de se poder lidar com
o caráter de massa do olhar dos turistas, que se opõe ao
caráter individual da "viagem". (Urry,1997)
A sinalização
turística deixa de ser algo exclusivamente utilitário
para ser parte do entusiasmo. Não deve perder sua
essência, mas é complementada. Suas características
básicas devem existir: ser eficiente indicador, promotor
de segurança, orientar os usuários, direcionando-os e
auxiliando-os a atingir os destinos pretendidos. Os
princípios que deve seguir, segundo a Embratur, são:
legalidade; padronização; visibilidade, legibilidade e
segurança; suficiência, coerência e continuidade;
atualidade e valorização; manutenção e conservação.
Princípios estes que obedecem à Estética, inclusive.
Segundo o
manual do Instituto Brasileiro de Turismo – Embratur -
para sinalização turística:
A avaliação
das questões urbanas é a mais complexa, por tratar-se de
uma situação em permanente mudança, uma vez que está
ligada às características socioeconômicas, culturais e
políticas da sociedade. Nessa avaliação, também devem
ser considerados a lei de uso do solo e os sistemas
viário e de transporte, que revelam as especificidades
dos deslocamentos e estabelecem os trajetos, ordenando a
utilização das vias e calçadas. A compreensão global da
cidade, bem como das necessidades básicas de sua
população, também é condição essencial a ser avaliada e
preservada. Assim, é preciso que as atividades
turísticas inseridas nesse meio sejam incorporadas à
dinâmica local existente. Os atrativos turísticos podem
se apresentar sob várias formas e por isso são tratados
de maneira distinta. Do mesmo modo, uma cidade pode ter
parte ou a totalidade do seu núcleo urbano preservado,
enquanto outras, por apresentarem menor concentração,
constituem um sítio específico. Existem ainda municípios
que contam com atrativos localizados de forma dispersa,
ou até totalmente isolados em contextos urbanos ou em
áreas rurais. Para que a atividade cultural e turística
não seja vista pela população local como geradora de
conflitos, em cada caso é necessário avaliar as
interferências nas funções cotidianas da cidade ou do
meio rural, minimizando-se os possíveis efeitos
negativos. A participação dos segmentos da sociedade
local no processo de seleção e valorização dos
atrativos, favorece e referenda sua divulgação e
inserção em rotas e circuitos turísticos, reforçando seu
potencial de sustentabilidade. Assim, é preciso lembrar
que cada situação apresenta condições específicas e
elementos próprios que justificam uma solução única para
cada região ou local. Apesar disso, é possível
estabelecer um processo metodológico para a elaboração
de projeto de Sinalização de Orientação Turística. Esse
projeto, no entanto, deve ser sempre compatível com os
estudos de sinalização de orientação de trânsito global
dos municípios ou das vias rurais.
Isso reforça
a idéia de "cliente" que cada espaço turístico é,
merecendo atenções específicas e simbólicas próprias.
Facilitar a circulação, por exemplo, é objetivo primeiro
da sinalização turística, garantindo acesso, inclusive.
Mas o como isso será transmitido, simbolizado e
encantado a fim de atingir o grau máximo de sucesso, é o
que fará diferença: tarefa de planejadores.
A fim de sair
dos "efeitos pós-modernos", colaterais ou não, o ato
turístico (a princípio) de viajar é consumido pelo
objeto da cultura: o consumidor, também conhecido como
viajante. As "contra-indicações" apresentadas pela vida
pós-moderna podem ser minimizadas e até extintas pela
atividade turística feita em parceria com o lazer. Estas
adversidades são:
a)
o individualismo;
b)
competitividade exacerbada;
c)
encasulamento, o não se relacionar e ter mundo
próprio;
d)
busca pela impossível auto-suficiência;
e)
ergonomia e conforto para trabalhar e executar
todas as atividades com facilidade em casa;
f)
tecnologias em todas as áreas e aspectos da vida
doméstica;
g)
descartabilidade de valores, coisas e pessoas;
h)
doenças mentais e psicossomáticas oriundas de um
cotidiano desregrado e que incita à perda do
contato com o que é natural, desconfiando de tudo
e todos, não sabendo distinguir o real, o
hiper-real e o virtual.
A sociedade
pós-moderna é um grande tabuleiro de xadrez, um
labirinto, uma colcha de retalhos, enfim: uma era
fascinante na evolução humana. Parece ser um universo do
"vale tudo", desregrado. Mas a Física afirma que até o
caos é organizado, numa anarquia, a princípio, sem
sentido.
Relacionar e
relacionar-se são artes e necessidades humanas negadas
pelos hábitos pós-modernos, em geral. Reeducar costumes
pode otimizar o planeta. "Assim como as demais
atividades de lazer, o turismo pode ser uma simples
ocasião de consumo conformista ou de desenvolvimento
pessoal e social crítico e criativo". (Marcellino, 2002)
A percepção
da vida como um jogo e/ou um mero negócio e/ou uma
experiência imagética transformam as viagens em meros
ensaios ao invés de serem instrumentos reveladores de
interpretações e (re)criações do olhar. Sempre
incompletos. Durante e sobre tais incomplitude e
insatisfação,
"O homem
reage aos estímulos internos e externos com seus
pensamentos a respeito das sensações e emoções que o
mesmo oferece. Do perceber até o adotar uma posição ou
comportamento, por mais imediato que seja, exigiu dele
uma certa reflexão sobre o acontecido (no contexto),
seleção da resposta a ser dada (tomada de decisão), e a
ação (comportamento propriamente dito)". MULLER,2001
Mas tanto faz
se através de um vídeo game ou numa viagem de
carro em alta velocidade, imaginando estar num circuito
de Fórmula Um.
Para que o
ser humano não perca o prazer em evoluir, aproveite a
vida, produzindo e transformando o mundo, pode utilizar
o turismo como prática sustentável e salutar,
desenvolvendo, a partir dela, o lazer, a fim de
experimentar o viver em todas as suas nuances e a
espetacularização autêntica do (fato de) ser, sem se
consumir e perder autoridade sobre o próprio viver,
podendo viajar o olhar a partir do seu vivenciar.
Referências bibliográficas
BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo.
Editora Senac: São Paulo: São Paulo, 1999.
DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e Cultura Popular. Editora
Perspectiva: São Paulo, 2001.
GASTAL, Susana. Turismo na pós-modernidade. Edipucrs:
Porto Alegre, 2003.
OLIVEN, Ruben G. Aantropologia de grupos urbanos.Petrópolis:
Vozes, 2002.
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perspectiva dos estudos culturais. 2a.
edição, Petrópolis: editora Vozes, 2000.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Teoria cultural e educação – um
vocabulário crítico. Editora Autêntica: Belo Horizonte,
2000.
URRY, John. O olhar do turista. Editora Senac-SP: São
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ZILIOTTO, Denise Macedo (org.). O consumidor – objeto da
cultura. Editora Vozes: Petrópolis, 2003.
www.ine.gov.mz/censo2/08/brochura/08forcade.htm
acesso em 26 de maio de 2004.
http://www.embratur.gov.br/hotsite-sinalizacao/conteudo/principal.html
acesso em 7 de agosto de 2004.
Referências incompletas:
MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma
introdução.
MULLER, Ursula. Percepção do clima motivacional nas
aulas de Educação Física. Edunisc: 2001.
Wanderley Guilherme dos Santos (em "O estado social da
nação", 1985).