.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - dezembro de 2004 - nº52 

  Principal

 Agenda

 Colunistas

 Cultura e Humor

 Editorial

 Educação

 Em Questão

 Em Rhede

 Entrevistas

 Notícias

 Poesias e Crônicas

 Política e Cidadania

 Reportagens

 Reflexão

 Sócio Ambiental

 Turismo e Lazer

 Terceira Idade

 Outras edições

 

   Participe

 Cartas

 Expediente

 Fale Conosco

  

   Especiais

 SP 450 anos

 Gilberto Freyre

 Igrejas

 Meio Ambiente

 Assédio Moral

 Em Questão

Eco dos Anjos
Por Adilson Luiz Gonçalves

Uma luz intensa brilhava no céu... Indicava uma direção e, mais que isso, a efetivação de uma promessa: Deus, que já havia se comunicado com a humanidade de várias formas, havia decidido enviar seu próprio filho para fazê-lo! Mandou-o comandando um exército de anjos exterminadores, montados em carros de fogo, para libertar Israel de seus opressores pagãos e colocar a pátria de Abraão no comando do mundo? Não! Fê-lo nascer de uma mulher, como qualquer um de nós, sem pompa nem circunstância, mais cheio de glória. Nasceu judeu, na mesma linhagem de Davi e, portanto, do mesmo patriarca Abraão.

A humanidade já não prestava mais atenção em sinais, e ninguém percebeu que havia algo de diferente naquela mulher grávida. Apenas os magos eram capazes de pressentir as maravilhas que se avizinhavam; e havia os maus e os bons. Os maus amedrontaram um rei ganancioso, que com medo de perder seu trono, mandaria matar um sem número de inocentes (Nada de novo sob o Sol...); mas os bons seguiram aquela intensa luz até encontrarem o verdadeiro rei que deveriam presentear e adorar. Encontraram-no numa manjedoura, mas viram além das aparências, do ouro e do poder temporal, que sempre marcaram a ascensão e queda dos grandes impérios. Nenhum deles era judeu, mas conheciam o Deus de Israel, que era o mesmo dos árabes.

Deus, que já havia mandado do céu o maná, alimento para o corpo; agora mandava seu filho, alimento para o espírito!

Ele veio para colocar povos acima de povos, para dizer que uns são melhores que os outros, para impor sua doutrina a ferro e fogo? Não, ele veio para anunciar a "boa nova" de uma aliança expandida para todos os povos, e pregar a paz!

Um coro de anjos se ouviu, e seu canto ecoou pelos ares de forma que sempre pudesse ser ouvido. A humanidade tinha mais uma oportunidade para realizar que todos somos filhos do mesmo Deus e, portanto, irmãos, sem distinção de credo, raça ou posição social! Mas isso nunca interessou aos que vivem e reinam em nome das diferenças. Para estes o poder é encarado como um sinal de luz divina, mesmo quando deixa a humanidade mergulhada em trevas.

Os tempos mudaram? Nem tanto... As crianças ainda nascem, como símbolos de esperança; mas os "magos" que as visitam se apressam em apagar essa luz, cada um cooptando-a para servir aos seus deuses particulares, sejam eles: o dinheiro, o vício, a violência ou qualquer outra espécie de poder.

Ainda podem ser vistas luzes no céu, brilhando em várias partes do mundo; mas nem sempre elas são sinais do renascimento de uma esperança universal: Nas favelas brasileiras, no Oriente Médio e em qualquer lugar onde haja conflitos; as balas e bombas traçantes que cruzam as noites escuras representam a morte, perpetrada por anjos exterminadores tortos, que não sabem bem a quem servem ou com que propósito.

A explosão das bombas é fascinante; mas essa luz maravilhosa, como todas as criadas pelos seres humanos de má-fé, é efêmera, e logo substituída por uma prolongada escuridão. Assim, a pobreza, a fome, a mentira, a violência e a guerra são, desde o início da humanidade, parceiras de uma imensa escuridão, mantida por aqueles que só pensam em acumular, em vez de compartilhar. Para eles, a paz não é lucrativa! Gastar fortunas com armamentos é uma prioridade, mas resolver problemas sociais e ambientais, não!

O canto dos anjos do Natal ainda ecoa, mas os gritos de guerra, os clamores de vingança, a histeria dos fanáticos e o ruído das armas de destruição ensurdecem a humanidade, a ponto de um não entender o que o outro fala, mesmo quando fala a mesma coisa! Na Babel das línguas, credos e preconceitos, transformaram a ganância e violência na linguagem universal! São tantas trevas induzidas e luzes artificiais e enganosas... Se fosse hoje, será que os reis magos saberiam qual estrela seguir?

Com certeza, sim! Pois a verdadeira luz do Natal não é externa, nem exclusiva, nem artificial: Ela está no coração de cada um que reconheça o próximo como um irmão, e cada criança como uma esperança a ser preservada.

Mas como encontrar essa luz? É simples: Basta remover as trevas do egoísmo, da ignorância e da passividade, e aprender a ouvir além das palavras, e ver além das aparências.

No Natal, como em qualquer tempo, deveríamos imaginar nossos corações como uma manjedoura; depois, como a alma nunca é estéril, ver o Cristo, recém-nascido, sobre ela e sentir a luz clarear e limpar o espírito. Então, o eco do canto dos anjos se tornará cada vez mais nítido, forte e belo, para nos lembrar da única fórmula capaz de acabar com todos os males que assolam da humanidade: "Glória a Deus, nas alturas; e paz na terra, aos homens - e mulheres - de boa vontade!".

 

        

A ALMA DO NEGÓCIO

 

Até o início dos anos 1960 era hábito entre os principais compositores - e uma quase imposição do mercado fonográfico - fazer músicas para três eventos: Carnaval, Festas Juninas e Natal. No caso específico do Natal - data comemorada universalmente -, além das composições clássicas, também tínhamos obras-primas modernas, consagradas nas vozes de Chico Alves, Bing Crosby, Elvis Presley e, até, John Lennon.

"Noite Feliz", "Natal Branco", "O Primeiro Natal" e muitas outras fazem parte do repertório de todos as apresentações natalinas e trilhas sonoras de shopping centers; mas existem algumas, que também foram produzidas para essa época, só que como "jingles", ou seja, associados a campanhas publicitárias. Prova de que o Natal é uma eterna fonte de inspiração, até por conta de sua forte relação com a infância, é fácil lembrar de letras como: "Estrelas brasileiras no céu azul, iluminando de Norte à Sul. Mensagens de amor e paz: Nasceu Jesus! Chegou o Natal! Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um Natal de felicidade e um Ano Novo Cheio de prosperidade..."; ou, então: "Dezembro, vem o Natal! Os presentes mais bonitos, as lembranças mais humanas, pra seus entes queridos, todos vão comprar... Que em todos os lares, a paz seja total; e mais os nossos votos de um Feliz Natal!"; ou, versos como: "Pois a festa mais bonita é viver, é querer bem!".

Às vezes, nem o autor tem noção do alcance de sua obra, como se ela escapasse de seu controle para, efetivamente, cair no gosto popular. As imagens também ajudam bastante, pois uma bela melodia fica irresistível quando cantada por um coral de crianças vestidas como anjos: "Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz.".

As empresas podem não ir bem das pernas ou, atém, não existirem mais; o mesmo com as agências de publicidade que organizaram essas campanhas. Por que essas canções eminentemente comerciais ficaram? Tinham apelo subliminar? Ou apenas por serem bonitas?

Pode ser um pouco disso tudo, mas não há como negar que todas têm uma mensagem que transcende, mesmo que involuntariamente o simples desejo de vender mais, tirando proveito da sensibilidade das pessoas. Nem todos pensarão na viagem de avião, na loja de departamentos, no supermercado ou no banco; mas sempre se lembrarão da mensagem de amor, paz e esperança que o Natal representa. Isso prova que o Natal não é, como muitos querem fazer crer, o ponto culminante do consumismo materialista. É, sobretudo, uma festa de louvor e sentimentos: Uma grande festa de aniversário para a qual todos nós somos convidados para receber, individualmente, o mesmo maravilhoso presente coletivo!

Então, se a propaganda é a alma do negócio, que o negócio seja fazer publicidade de amor, paz e esperança!

Isso não pesa no bolso e deixa a alma infinitamente mais leve!

Feliz Natal!


 


Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro
, Professor Universitário e Articulista
algbr@ig.com.br 

 




Escoreio.gif (6450 bytes)tamos recebendo contribuições dos leitores para a revista. Envie-nos seu artigo, crônica, conto, poesia, ensaio, notícias ou reportagem para publicação.
Envie já a sua contribuição

 

© copyright Revista P@rtes 2000-2004
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil