|
Uma
luz intensa brilhava no céu... Indicava uma direção e,
mais que isso, a efetivação de uma promessa: Deus, que
já havia se comunicado com a humanidade de várias
formas, havia decidido enviar seu próprio filho para
fazê-lo! Mandou-o comandando um exército de anjos
exterminadores, montados em carros de fogo, para
libertar Israel de seus opressores pagãos e colocar a
pátria de Abraão no comando do mundo? Não! Fê-lo nascer
de uma mulher, como qualquer um de nós, sem pompa nem
circunstância, mais cheio de glória. Nasceu judeu, na
mesma linhagem de Davi e, portanto, do mesmo patriarca
Abraão.
A
humanidade já não prestava mais atenção em sinais, e
ninguém percebeu que havia algo de diferente naquela
mulher grávida. Apenas os magos eram capazes de
pressentir as maravilhas que se avizinhavam; e havia os
maus e os bons. Os maus amedrontaram um rei ganancioso,
que com medo de perder seu trono, mandaria matar um sem
número de inocentes (Nada de novo sob o Sol...); mas os
bons seguiram aquela intensa luz até encontrarem o
verdadeiro rei que deveriam presentear e adorar.
Encontraram-no numa manjedoura, mas viram além das
aparências, do ouro e do poder temporal, que sempre
marcaram a ascensão e queda dos grandes impérios. Nenhum
deles era judeu, mas conheciam o Deus de Israel, que era
o mesmo dos árabes.
Deus,
que já havia mandado do céu o maná, alimento para o
corpo; agora mandava seu filho, alimento para o
espírito!
Ele
veio para colocar povos acima de povos, para dizer que
uns são melhores que os outros, para impor sua doutrina
a ferro e fogo? Não, ele veio para anunciar a "boa nova"
de uma aliança expandida para todos os povos, e pregar a
paz!
Um
coro de anjos se ouviu, e seu canto ecoou pelos ares de
forma que sempre pudesse ser ouvido. A humanidade tinha
mais uma oportunidade para realizar que todos somos
filhos do mesmo Deus e, portanto, irmãos, sem distinção
de credo, raça ou posição social! Mas isso nunca
interessou aos que vivem e reinam em nome das
diferenças. Para estes o poder é encarado como um sinal
de luz divina, mesmo quando deixa a humanidade
mergulhada em trevas.
Os
tempos mudaram? Nem tanto... As crianças ainda nascem,
como símbolos de esperança; mas os "magos" que as
visitam se apressam em apagar essa luz, cada um
cooptando-a para servir aos seus deuses particulares,
sejam eles: o dinheiro, o vício, a violência ou qualquer
outra espécie de poder.
Ainda
podem ser vistas luzes no céu, brilhando em várias
partes do mundo; mas nem sempre elas são sinais do
renascimento de uma esperança universal: Nas favelas
brasileiras, no Oriente Médio e em qualquer lugar onde
haja conflitos; as balas e bombas traçantes que cruzam
as noites escuras representam a morte, perpetrada por
anjos exterminadores tortos, que não sabem bem a quem
servem ou com que propósito.
A
explosão das bombas é fascinante; mas essa luz
maravilhosa, como todas as criadas pelos seres humanos
de má-fé, é efêmera, e logo substituída por uma
prolongada escuridão. Assim, a pobreza, a fome, a
mentira, a violência e a guerra são, desde o início da
humanidade, parceiras de uma imensa escuridão, mantida
por aqueles que só pensam em acumular, em vez de
compartilhar. Para eles, a paz não é lucrativa! Gastar
fortunas com armamentos é uma prioridade, mas resolver
problemas sociais e ambientais, não!
O
canto dos anjos do Natal ainda ecoa, mas os gritos de
guerra, os clamores de vingança, a histeria dos
fanáticos e o ruído das armas de destruição ensurdecem a
humanidade, a ponto de um não entender o que o outro
fala, mesmo quando fala a mesma coisa! Na Babel das
línguas, credos e preconceitos, transformaram a ganância
e violência na linguagem universal! São tantas trevas
induzidas e luzes artificiais e enganosas... Se fosse
hoje, será que os reis magos saberiam qual estrela
seguir?
Com
certeza, sim! Pois a verdadeira luz do Natal não é
externa, nem exclusiva, nem artificial: Ela está no
coração de cada um que reconheça o próximo como um
irmão, e cada criança como uma esperança a ser
preservada.
Mas
como encontrar essa luz? É simples: Basta remover as
trevas do egoísmo, da ignorância e da passividade, e
aprender a ouvir além das palavras, e ver além das
aparências.
No
Natal, como em qualquer tempo, deveríamos imaginar
nossos corações como uma manjedoura; depois, como a alma
nunca é estéril, ver o Cristo, recém-nascido, sobre ela
e sentir a luz clarear e limpar o espírito. Então, o eco
do canto dos anjos se tornará cada vez mais nítido,
forte e belo, para nos lembrar da única fórmula capaz de
acabar com todos os males que assolam da humanidade:
"Glória a Deus, nas alturas; e paz na terra, aos homens
- e mulheres - de boa vontade!".
|
|
A ALMA DO NEGÓCIO
Até o
início dos anos 1960 era hábito entre os principais
compositores - e uma quase imposição do mercado
fonográfico - fazer músicas para três eventos: Carnaval,
Festas Juninas e Natal. No caso específico do Natal -
data comemorada universalmente -, além das composições
clássicas, também tínhamos obras-primas modernas,
consagradas nas vozes de Chico Alves, Bing Crosby, Elvis
Presley e, até, John Lennon.
"Noite
Feliz", "Natal Branco", "O Primeiro Natal" e muitas
outras fazem parte do repertório de todos as
apresentações natalinas e trilhas sonoras de shopping
centers; mas existem algumas, que também foram
produzidas para essa época, só que como "jingles", ou
seja, associados a campanhas publicitárias. Prova de que
o Natal é uma eterna fonte de inspiração, até por conta
de sua forte relação com a infância, é fácil lembrar de
letras como: "Estrelas brasileiras no céu azul,
iluminando de Norte à Sul. Mensagens de amor e paz:
Nasceu Jesus! Chegou o Natal! Papai Noel voando a jato
pelo céu, trazendo um Natal de felicidade e um Ano Novo
Cheio de prosperidade..."; ou, então: "Dezembro, vem o
Natal! Os presentes mais bonitos, as lembranças mais
humanas, pra seus entes queridos, todos vão comprar...
Que em todos os lares, a paz seja total; e mais os
nossos votos de um Feliz Natal!"; ou, versos como: "Pois
a festa mais bonita é viver, é querer bem!".
Às
vezes, nem o autor tem noção do alcance de sua obra,
como se ela escapasse de seu controle para,
efetivamente, cair no gosto popular. As imagens também
ajudam bastante, pois uma bela melodia fica irresistível
quando cantada por um coral de crianças vestidas como
anjos: "Quero ver você não chorar, não olhar pra trás,
nem se arrepender do que faz.".
As
empresas podem não ir bem das pernas ou, atém, não
existirem mais; o mesmo com as agências de publicidade
que organizaram essas campanhas. Por que essas canções
eminentemente comerciais ficaram? Tinham apelo
subliminar? Ou apenas por serem bonitas?
Pode
ser um pouco disso tudo, mas não há como negar que todas
têm uma mensagem que transcende, mesmo que
involuntariamente o simples desejo de vender mais,
tirando proveito da sensibilidade das pessoas. Nem todos
pensarão na viagem de avião, na loja de departamentos,
no supermercado ou no banco; mas sempre se lembrarão da
mensagem de amor, paz e esperança que o Natal
representa. Isso prova que o Natal não é, como muitos
querem fazer crer, o ponto culminante do consumismo
materialista. É, sobretudo, uma festa de louvor e
sentimentos: Uma grande festa de aniversário para a qual
todos nós somos convidados para receber,
individualmente, o mesmo maravilhoso presente coletivo!
Então,
se a propaganda é a alma do negócio, que o negócio seja
fazer publicidade de amor, paz e esperança!
Isso
não pesa no bolso e deixa a alma infinitamente mais
leve!
Feliz
Natal!
|