| Colunistas
- Tom Coelho |
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Lições de
Astronomia
por Tom Coelho |
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“A hora mais escura da
noite é justamente aquela que nos permite ver
melhor as estrelas.”
(Charles Beard)
Uma moto, dois jovens e um carro em alta velocidade. Um
acidente. E Bruno, 19 anos, foi ter com a UTI da Santa
Casa. Salvo pelo uso do capacete, que manteve a
integridade de suas funções cerebrais, e pela
providência divina, que lhe preservou a coluna, um
garoto exemplar teve interrompida sua adolescência,
recebendo como presente, às vésperas de seu vigésimo
aniversário, cirurgias, tubos e pinos.
Seu pai, Márcio, um dentre tantos empresários que lutam
diuturnamente, com dificuldade, pela perenidade de seu
negócio, alijado do crédito oficial, tomando recursos em
empresas de factoring a juros exorbitantes, viu-se num
primeiro momento sem chão. E sem céu. Foi quando me
disse: “Eu estava desanimado, deprimido, sem o menor
estímulo para trabalhar. Mas quando vi meu filho abrir
os olhos, como que anunciando sua luta pela vida,
percebi que agora, acima de tudo, não poderia me
entregar. Quero ter a empresa em ordem para quando ele
voltar. Eu sou estrela, e não cometa”.
Cometas são corpos celestes formados por pequenas
partículas sólidas, poeira, gelo e gases congelados que
descrevem órbitas, em geral muito alongadas, ao redor do
Sol. Ao se aproximarem dele, a ação da radiação solar
sobre os gases do cometa provoca o aparecimento da
cauda, que pode atingir milhões de quilômetros de
extensão.
Mas o que nos chama a atenção com relação aos cometas
são outros aspectos. Vistosos, irrompem o espaço
deixando um rastro de luz, atraindo os olhares de
cientistas, curiosos e amantes. À distância, parecem
belos. E inofensivos. Mas um desvio de suas rotas que
possa sinalizar colisão em terra é suficiente para
provocar apreensão, angústia e preocupação. Com longos
períodos de circulação, normalmente superior a 100 anos,
passam sem deixar lembrança, caindo no esquecimento até
mesmo de quem muito os admirou.
Estrelas também são corpos celestes formados a partir da
concentração, por ação gravitacional, de nuvens de gás,
especialmente hidrogênio, e poeira cósmica, capazes de
produzir e emitir radiação eletromagnética e com
deslocamento escalar quase imperceptível ao olho humano.
Na verdade, as estrelas evoluem muito lentamente, em
intervalos da ordem de milênios ou até milhões de anos.
E deslocam-se muito rapidamente, mas como estão a
distâncias tão grandes, sua posição relativa só é
percebida através dos séculos.
Porém, o que admiramos nas estrelas é sua capacidade
singular de produzir luz própria e iluminar os céus.
Assim foi na noite do nascimento de Cristo, quando uma
delas guiou os três reis magos para que encontrassem a
manjedoura. Assim é nas noites que agora se sucedem.
Quando estamos tristes, chegam a nos acalentar; quando
alegres, parecem a nós piscar; quando perdidos, podem
nos orientar; quando amedrontados, são as ruas a
alumiar.
Assim podemos igualmente trilhar nosso caminho pela
vida. Luz vermelha fulgurante na juventude, luz azul
brilhante na maturidade. Desenvolvimento gradual e
contínuo. Referência a estudiosos, inspiração a poetas,
admiração a enamorados. Presença marcante no decorrer de
anos. No firmamento e na memória.
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na cidade
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Tom
Coelho,
com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP,
especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de
Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor,
professor universitário,
escritor e palestrante.
Diretor da
Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp.
Contatos através do
e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br. |
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