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Revista Partes - Ano V - janeiro de 2005 - nº 53 

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Lições de Astronomia
por Tom Coelho


“A hora mais escura da noite é justamente aquela que nos permite ver melhor as estrelas.
(Charles Beard)



Uma moto, dois jovens e um carro em alta velocidade. Um acidente. E Bruno, 19 anos, foi ter com a UTI da Santa Casa. Salvo pelo uso do capacete, que manteve a integridade de suas funções cerebrais, e pela providência divina, que lhe preservou a coluna, um garoto exemplar teve interrompida sua adolescência, recebendo como presente, às vésperas de seu vigésimo aniversário, cirurgias, tubos e pinos.

Seu pai, Márcio, um dentre tantos empresários que lutam diuturnamente, com dificuldade, pela perenidade de seu negócio, alijado do crédito oficial, tomando recursos em empresas de factoring a juros exorbitantes, viu-se num primeiro momento sem chão. E sem céu. Foi quando me disse: “Eu estava desanimado, deprimido, sem o menor estímulo para trabalhar. Mas quando vi meu filho abrir os olhos, como que anunciando sua luta pela vida, percebi que agora, acima de tudo, não poderia me entregar. Quero ter a empresa em ordem para quando ele voltar. Eu sou estrela, e não cometa”.

Cometas são corpos celestes formados por pequenas partículas sólidas, poeira, gelo e gases congelados que descrevem órbitas, em geral muito alongadas, ao redor do Sol. Ao se aproximarem dele, a ação da radiação solar sobre os gases do cometa provoca o aparecimento da cauda, que pode atingir milhões de quilômetros de extensão.

Mas o que nos chama a atenção com relação aos cometas são outros aspectos. Vistosos, irrompem o espaço deixando um rastro de luz, atraindo os olhares de cientistas, curiosos e amantes. À distância, parecem belos. E inofensivos. Mas um desvio de suas rotas que possa sinalizar colisão em terra é suficiente para provocar apreensão, angústia e preocupação. Com longos períodos de circulação, normalmente superior a 100 anos, passam sem deixar lembrança, caindo no esquecimento até mesmo de quem muito os admirou.

Estrelas também são corpos celestes formados a partir da concentração, por ação gravitacional, de nuvens de gás, especialmente hidrogênio, e poeira cósmica, capazes de produzir e emitir radiação eletromagnética e com deslocamento escalar quase imperceptível ao olho humano.

Na verdade, as estrelas evoluem muito lentamente, em intervalos da ordem de milênios ou até milhões de anos. E deslocam-se muito rapidamente, mas como estão a distâncias tão grandes, sua posição relativa só é percebida através dos séculos.

Porém, o que admiramos nas estrelas é sua capacidade singular de produzir luz própria e iluminar os céus. Assim foi na noite do nascimento de Cristo, quando uma delas guiou os três reis magos para que encontrassem a manjedoura. Assim é nas noites que agora se sucedem. Quando estamos tristes, chegam a nos acalentar; quando alegres, parecem a nós piscar; quando perdidos, podem nos orientar; quando amedrontados, são as ruas a alumiar.

Assim podemos igualmente trilhar nosso caminho pela vida. Luz vermelha fulgurante na juventude, luz azul brilhante na maturidade. Desenvolvimento gradual e contínuo. Referência a estudiosos, inspiração a poetas, admiração a enamorados. Presença marcante no decorrer de anos. No firmamento e na memória.


     

 


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Tom Coelho, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting e Membro Executivo do NJE/Fiesp. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br



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