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Revista Partes - Ano V - janeiro de 2005 - nº 53 

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Tsunamis na cidade
Por Gilberto da Silva

Verde
O novo secretário da pasta do Verde e Meio Ambiente de São Paulo é o ex-petista Eduardo Jorge, hoje no PV. Jorge foi o primeiro secretário da Saúde da prefeita Marta Suplicy (PT). O novo secretário foi a alternativa encontrada pelo prefeito Serra para contemplar o PV com um cargo, já que o partido o apoiou no segundo turno das eleições. 

Câmara
A mídia tratou a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo de uma forma equivocada. Como este espaço não é para análise de conjuntura política, deixo a polêmica para outros analistas. Devemos ter como alento a eleição de Roberto Trípoli, novo presidente da Casa. Tripoli é um velho conhecido da luta pelo meio ambiente, sobretudo da defesa dos animais. Espera-se que as questões ambientais sejam, em seu mandato, uma prioridade. Foi o primeiro tsunami na cidade.

Tsunami
O desastre ocorrido no sul da Ásia é motivo para reflexões. Tivemos pela mídia uma fartura de imagens. Pouco se falou sobre a falta de infra-estrutura hoteleira, sem esquemas de prevenção ou de resposta a desastres naturais. Que isto sirva de alerta para nossos governantes que teimam em querer implantar um sistema de turismo “auto sustentável” que não se sustenta com um vento mais forte.

 

Marina
Lula terá que mudar e realizar alterações no seu Ministério em 2005. Na queda de braço com os setores mais afoitos pelo desenvolvimento é bem possível que sobre para Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. Tem muita gente torcendo para que isto aconteça (a queda da moça). Se a queda da ministra consumar-se, será a tristeza de quem sonhava com um Brasil ambientalmente sustentável.


 

Bendita
A Fapesp renovou seu quadro de dirigentes. Em novembro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, escolheu Marcos Macari para vice-presidente, Ricardo Renzo Brentani como diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) e Carlos Henrique de Brito Cruz para diretor científico da Fundação.
Em dezembro, Alckmin escolheu Joaquim José de Camargo Engler para ser o diretor administrativo do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP de 2005 a 2008.  A Fapesp é conhecida no meio científico como “A bendita” por ser uma das poucas fontes de financiamento de pesquisa no Brasil.

 

Capivari-Monos
Existem na área APA do Capivari-Monos as chamadas áreas especiais de zoneamento. Temos a ARA
- Áreas de Recuperação Ambiental que compreende ocorrências localizadas de usos ou ocupações que exijam intervenções de caráter corretivo, onde quer que se localizem. São assentamentos habitacionais ainda não adensados, desprovidos de infra-estrutura de saneamento ambiental e causadores de impacto.
Temos também a APP - Áreas de Preservação Permanente que compreende as Áreas de Preservação Permanente (APPs), onde quer que elas ocorram, as florestas e demais formas de vegetação natural, definidas no artigo 2º da Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965 – Código Florestal

 

 

O protocolo de Kyoto
Rússia adere

Putin, presidente da falida Rússia, ratificou definitivamente o Protocolo de Kioto, pacto de combate ao aquecimento global. Foram sete anos de espera, desde a assinatura do protocolo em Kyoto, Japão, em 1997 por 180 países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática. O ato era o último passo a ser dado e deve entrar em vigor em janeiro de 2005, 90 dias após a ONU protocolar a adesão da Rússia, que é responsável por 17% da poluição mundial.

O que é o Pacto?
O Pacto de Kyoto divide o mundo em países industrializados (denominados anexo 1) e países em desenvolvimento (denominados não-anexo 1). No anexo 1 estão 39 países.
Para os países industrializados a meta de Kyoto é reduzir as emissões de gases do efeito estufa em aproximadamente 5%, com relação aos níveis de 1990, até 2012.
Os signatários do Protocolo de Kyoto estarão sujeitos a punições se não cumprirem suas metas de corte de emissão de poluentes

O MDL
Além de cortar emissões na indústria e no consumo de combustíveis de fósseis (petróleo, por exemplo) os países poderão finamciar projetos e comprar créditos certificados de reduções nos países em desenvolvimento. O MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo permite que os países do anexo 1 financiem e comprem créditos de carbono pela redução de emissões ou captação de gases do efeito estufa nos países em desenvolvimento. Projetos de reflorestamento, por exemplo, podem entrar na cota. O preço básico para a tonelada de carbono é de US$ 5.

Brasil
As principais fontes de emissões no Brasil são o desmatamento e as mudanças de uso do solo. O Brasil tem uma matriz energética limpa e emite 80 milhões de toneladas de carbono ao ano, contra 1,6% dos EUA. A decisão da Rússia pode trazer benefícios ao Brasil. A Ministra Marina Silva em nota oficial se congratulou com o presidente russo, por, finalmente, este país ter aderido ao protocolo.


IBGE
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta em recente pesquisa que a participação das fontes de energia, como o carvão e a lenha caiu de 17,2% em 1992, para 11,9% em 2002. Porém, o uso de fontes não renováveis, como o petróleo e seus derivados, aumentou de 41,7% para 43,1% no mesmo período. Fontes renováveis de energia são formas de obtenção de energia que não são esgotáveis, como o petróleo, que tem uma reserva finita no mundo. As principais fontes renováveis são as hidrelétricas, carvão vegetal e derivados de cana-de-açúcar.


EUA
Os maiores poluidores do mundo são os EUA. Eles respondem por cerca de 36% das emissões de dióxido de carbono do anexo 1 e desistiram de assinar o protocolo em marco de 2001dizendo que ele era prejudicial à sua indústria.. O dióxido de carbono é um gás que liberado pela queima de combustíveis fósseis, é um dos responsáveis pelo efeito estufa. A China é o 2.º maior, na casa dos 18%, mas não figura entre os países que precisam reduzir as emissões.
A Austrália, outra grande poluidora, se recusou a assinar o acordo.

Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br


               

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Gilberto da Silva, jornalista e sociólogo. Editor da Revista Partes.
gilberto@partes.com.br
 



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