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A
educação em valores é uma questão fundamental da
sociedade atual, imersa numa rede complexa de situações
e fenômenos que exige, a cada dia, intervenções
sistemáticas e planejadas dos profissionais da educação
escolar.
A escola tem sido, historicamente, a
instituição escolhida pelo Estado e pela família, como o
melhor lugar para o ensino-aprendizagem dos valores, de
modo a cumprir, em se tratando de educação para a vida
em sociedade, a finalidade do pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o mundo do trabalho.
Cabe, pois, à escola a missão, por excelência,
de ensinar valores no âmbito do desenvolvimento moral
dos educandos, através da seleção de conteúdos e
metodologias que favoreçam temas transversais (Justiça,
Solidariedade, Ética etc) presentes em todas as matérias
do currículo escolar, utilizando-se, para tanto, de
projetos interdisciplinares de educação em valores,
aplicados a contextos determinados, fora e dentro da
escola.
Por estar inserida em determinada comunidade, a escola
traz para o seu interior os conflitos, as aflições e as
mais diversas demandas comunitárias que levam
professores, alunos e gestores escolares a criarem
espaços, em seus projetos pedagógicos, para que as
crianças e adolescentes discutam e opinem sobre suas
inquietações e aspirações pessoais e coletivas. É
exatamente nesse momento, quando os agentes educacionais
criam espaços, ocasiões, fóruns para discussão sobre a
violência urbana, meio ambiente, paz, família,
diversidade cultural, eqüidade de gênero e sociedade
informática, que a educação em valores começa a ser
desenhada e vivenciada como processo social que se
desenvolve na escola.
Se a escola deixa de cumprir o seu papel de
educar em valores, o sistema de referenciação ético de
seus alunos estará limitado à convivência humana, que
pode ser rica em se tratando de experiências pessoais,
mas pode estar também pode estar carregada de desvios de
postura, atitude comportamento ou conduta; e mais,
quando os valores não são bem assimilados, podem ser
encarados pelos educandos como simples conceitos ideais
ou abstratos, sobretudo para aqueles que não os
vivenciam, sejam porque não participam de simulações de
práticas sociais ou não constroem novos valores no
cotidiano.
Por isso, a escola não pode, pelo menos, nos onze anos
(oito anos de ensino fundamental e 3 anos de ensino
médio, na atual estrutura da Educação Básica onde as
crianças e jovens ficam a maior parte do dia, deixar de
ensinar explicitamente a prática de valores).
Não há, necessariamente, aula, com dia e
horário previamente estabelecidos, para o ensino de
valores. Ao contrário, o ensino de valores decorre de
ocasiões que surgem ao acaso – como uma flagrante de uma
cola durante a realização de uma prova em sala de aula
ou de uma briga entre alunos na hora do recreio – ou de
ocasiões já previstas na proposta pedagógica para o
bimestre ou semestre e, dependendo da sensibilização do
professor, um tema considerado relevante para a educação
moral dos alunos.
Podemos dizer, em substância, que educamos em
valores quando os alunos se fazem entender e entendem os
demais colegas; aprendem a respeitar e a escutar o
outro; aprendem a ser solidários, a ser tolerantes, a
trabalhar em grupo, a compartilharem ou socializarem
suas idéias e o que sabem, a ganharem e a perderem, a
tomarem decisões, enfim. É, assim, o resultado da
educação em valores na escola: ajuda os alunos a se
desenvolverem como pessoas humanas e faz ser possível,
visível ou real, o desenvolvimento harmonioso de todas
as qualidades do ser humano.
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