Entrevista do presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva, durante Café da Manhã com jornalistas do
Comitê de Imprensa da Presidência da República
Brasília-DF, 23 de dezembro de 2004
Jornalista: Presidente, o que a
gente pode esperar em 2005?
Presidente: Olha, eu acredito que em
2005 o povo brasileiro vai ter um ano ainda mais
auspicioso, melhor – do ponto de vista do crescimento do
emprego, da geração de emprego, da distribuição de
renda, do crescimento da economia – do que nós tivemos
em 2004, que já foi um ano muito bom.
Eu acho que 2004 foi bom. Primeiro, porque o governo
agiu com seriedade nas coisas em que tinha que agir com
seriedade, sobretudo na política fiscal do governo, no
controle dos gastos.
Segundo, eu acho que foi bom porque isso deu
credibilidade de investimento para vários setores da
iniciativa privada.
Terceiro, pelo comportamento do Congresso Nacional,
que votou todas as reformas importantes que precisavam
ser votadas e termina o ano votando a PPP, que é uma
coisa extremamente importante para o Brasil.
Eu acho que o povo brasileiro teve paciência
suficiente para entender que a tarefa de recuperar o
Brasil era uma tarefa difícil e soube compreender isso.
E isso nos ajudou muito.
E, por isso, eu estou mais otimista para 2005. Eu
acho que 2005 vai ser um ano muito bom para o Brasil, as
condições estão todas colocadas, os investimentos para
infra-estrutura, as parcerias que nós vamos fazer. E eu
só posso dizer a vocês que nós estamos cumprindo com as
nossas metas de atingirmos 6 milhões e meio de famílias
atendidas pelo Bolsa Família. Seis milhões e meio não é
pouca coisa neste país.
Nós aprovamos o ProUni, que é uma coisa que vai
garantir a entrada de milhares de jovens na universidade
para estudar, grande parte de graça, outra parte pagando
metade. Nós vamos começar o ano, eu diria, mais alegres.
Eu quero, por isso, aproveitar este momento para
dizer ao povo brasileiro que eu espero que ele tenha um
Natal, senão o Natal dos seus sonhos, mas um Natal muito
melhor do que ele teve nos anos anteriores. Quero
desejar um Feliz Ano Novo, dizendo que eu vou continuar
vendendo otimismo por este país afora, porque um país só
vai para a frente se o seu povo estiver acreditando que
é possível fazer este país se transformar numa grande
nação. E nós vamos transformar.
Jornalista: O senhor acha que vai
ser um ano do afeto? O senhor se referiu a isso.
Presidente: Eu acho. Tem duas coisas
que precisam ser cuidadas: a questão do afeto, da nossa
relação com as nossas crianças, a questão da relação com
os nossos velhos, a questão da relação dentro da
família. Eu sou amplamente favorável a que a gente tenha
um trabalho intenso para que possamos garantir que a
família esteja cada vez mais unida, cada vez mais
consolidada, porque a desagregação, muitas vezes, leva
jovens a caírem na criminalidade, na prostituição.
Então, eu acho que o ano que vem vai ser o ano que
nós tivermos competência de fazer. Eu acredito que será
muito melhor, vou fazer muito mais força para que seja
melhor, o governo está muito preparado e muito
convencido. E eu só posso desejar um Feliz Natal e um
Feliz Ano Novo a vocês da imprensa, ao povo brasileiro e
a todo ser humano do planeta Terra.