ao cair os restos

ao
cair os restos da tarde
em
trapos de bandeira
espalma a fina poeira
recolhe-os na palma aberta
contrários entre si são os jogos
auto-sedução e comiseração
perdidos em auto flagelo
os
dados atirados ao acaso
ricocheteiam no tampo da mesa
observo bolas pretas
sulcadas em velho marfim
(amarelo e com micro-trincas)
se
confundem ao buscar
o
pano verde e horizonte
não
há amigos
quem
são os que se vislumbram
nos
outros cômodos
escondidos que estão
nas
frinchas do assoalho
no
smog da noite e cigarros
repleto de olhos tristes
ao
mesmo tempo vingativos
neblinas acusadoras
a
esses
servimos adagas e garfos
forma
de peixe e cabos de ágatas azuis
sobre
baixelas de prata e gelo
(o
gelo fino dos trópicos)
_
as
cartas se abrir
e sem
resposta
sussurram arengas antigas
(guardadas num baú
ainda
sob a cama)
_
tenho
vivido como que morto todos os dias
ressuscito a fórceps todas a manhãs
remorro de novo ao escurecer
não
há gozo sobre a glória efêmera
não o
menor prazer sem conseqüências
remorsos com pontas de diamantes
eu
que tenho todas as respostas
procuro perguntas aos forasteiros
e
monges mendicantes de pés feridos
folheio um novo livro
o
Oráculo Pessoal
de
Baltazar Gracián
o prudente é invisível
aos olhos de todo o Mal