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Revista Partes - Ano V - janeiro de 2005 - nº 53 

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Idosos precisam de mais autonomia

Pesquisa mostra que, em bairro periférico de São Carlos, maior parte dessa população depende de alguém da família para exercer certos tipos de atividade. Quase a totalidade necessitou dos serviços de saúde nos últimos seis meses.

A população idosa brasileira vem aumentando e, com ela, a probabilidade de sobrevivência a partir dos sessenta anos de idade. No entanto, esse aumento da expectativa de vida depende, em grande parte, da possibilidade de acesso a condições dignas de vida e de renda, fator determinante da qualidade com que se vai envelhecer. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade de São Paulo resolveram traçar o perfil da condição de vida e de saúde da população idosa de baixa renda de um bairro periférico do município de São Carlos (SP).

Participaram do estudo 523 idosos, sendo a maioria analfabeta e da faixa etária que vai dos 60 aos 69 anos. De acordo com artigo publicado na edição de novembro/dezembro de 2004 dos Cadernos de Saúde Pública, 82,8% não exerciam atividade remuneradas. Além disso, cerca de 50,0% das mulheres relataram ter um companheiro, enquanto, entre os homens, 75,4% conviviam com uma companheira. Pouco mais da metade dos idosos informou viver com os filhos ou netos.

Os pesquisadores constataram também que cerca de 83% não praticavam atividades físicas. Entre as doenças referidas, as de mais alta prevalência nos participantes foram: a hipertensão arterial, os problemas de coluna e os problemas de má circulação. Quanto à capacidade funcional ou autonomia para as atividades da vida diária, 23,6% dos participantes relataram completa independência, enquanto 13,7% referiram dependência parcial ou total para mais de sete atividades. Grande parte contava com o apoio domiciliar dos filhos e de seus cônjuges.

O estudo revelou ainda que 22,4% dos idosos precisaram passar por algum tipo de internação nos últimos dois anos e 87,0% procuraram algum serviço de saúde nos últimos seis meses. Outro dado importante é o de que cerca de 70% deles utilizavam regularmente algum tipo de medicamento.

Segundo a equipe, torna-se necessário estimular a manutenção da autonomia total do idoso pelo maior tempo possível: “neste sentido, a atenção básica, considerada a porta de entrada para os serviços de saúde, deve ser reorganizada para atender às necessidades desta população idosa que deverá contar, entre outros fatores, com a presença de profissionais devidamente treinados”. Os pesquisadores ressaltam também a importância do apoio familiar. “Levando em consideração que o ambiente familiar constitui-se na principal fonte de apoio ao idoso, há que se estimular o fortalecimento das relações familiares com o propósito de se minimizarem as dificuldades e angústias vivenciadas por ambos, idosos e familiares”, afirmam no artigo.


Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)


            

Mutirão contra catarata atinge pessoas carentes
Por Agência Notisa

Pesquisa mostra que perfil de pacientes atendidos pelo programa é de população acima de 50 anos, com baixo nível escolar e que depende do serviço público de saúde.

A catarata é a principal causa mundial de cegueira, e atinge principalmente pessoas com idade superior a 50 anos. No Brasil, estima-se que existam atualmente cerca de 350 mil pacientes cegos devido à catarata, sendo que, 95% destes casos poderiam ser revertidos. Por isso, têm surgido, cada vez mais, mutirões de combate à doença, que atendem geralmente uma população economicamente carente, com baixa acuidade visual, pouco nível de instrução e que depende do serviço público de saúde. Essa é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo.

A pesquisa foi realizada com 133 pessoas atendidas, em outubro de 2002, no Mutirão de Catarata do Departamento de Oftalmologia da universidade. Todas foram entrevistadas e questionadas sobre o projeto. De acordo com artigo publicado na edição de setembro/outubro de 2004 dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, o objetivo do trabalho foi identificar o perfil socioeconômico e epidemiológico, bem como avaliar a satisfação dos pacientes.

Segundo os pesquisadores, a maioria era branca, casada, tinha mais de 50 anos, baixo nível de instrução e uma renda mensal inferior a R$ 500. Eles constataram também que boa parte havia realizado exame oftalmológico há menos de um ano e através do SUS. Quanto ao mutirão, os dados coletados mostraram que os pacientes souberam de sua realização principalmente por meio de amigos e parentes, tiveram que usar mais de um meio de transporte para chegar ao local e precisaram, em sua maioria, de um acompanhante. Cerca de 90% aprovaram o atendimento.

A equipe observou ainda que 92% das pessoas entrevistadas não possuíam convênio médico: “constatamos com isso que os mutirões vão ao encontro do objetivo proposto, que é justamente atender e assistir a população carente e sem outro recurso disponível”.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que, apesar do importante papel desses programas na melhoria do acesso ao tratamento oftalmológico, é necessário garantir o atendimento continuado, através da rede pública, a toda a população. “O caminho para a resolução de tal problema exige um planejamento em quatro setores: educação da população em saúde ocular; priorização do atendimento e uso de tecnologia apropriada; aumento de verbas para a saúde de modo geral e trabalho conjunto entre especialistas, autoridades e usuários”, afirmam no artigo.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

 

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