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A ONDA DO TSUNAMI NÃO
AFUNDARÁ AO TURISMO MUNDIAL |
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Destino
Brasil após tsunami
Uma semana depois do maremoto na
Ásia, as agências de viagem européias voltam os
olhos para a América Latina, principalmente para o
Brasil e Caribe, embora muitos turistas também
aceitem viajar para as nações atingidas pela
tragédia, apenas evitando as áreas devastadas.
“Preparamos ativamente o Brasil. Para os que não
desejam ir tão longe, há as Ilhas Canárias”, disse
um porta-voz da operadora finlandesa Finnmatkat. A
sueca Ving oferece Egito, Tunísia ou Gâmbia,
enquanto a concorrente Fritidsresor, muito afetada
pela catástrofe asiática, para onde levou muitos dos
turistas que estão desaparecidos, propõe as ilhas
espanholas.
Para os alemães e italianos, o
Caribe é a alternativa. Já para os portugueses, é o
Brasil, enquanto os tchecos se interessam pelos dois
destinos e os espanhóis continuam preferindo
Argentina e México. A médio prazo, o Brasil e as
Canárias são os destinos melhor localizados para
absorver uma parte importante dos turistas europeus
que desistiram de ir para a Ásia, segundo o
professor sueco de geografia humana Bengt Sahlberg.
Mas muitos turistas europeus continuam preferindo o
sol e as paradisíacas praias asiáticas.
Várias operadoras anunciaram segunda-feira que irão
manter os pacotes já comprados para aquela região,
embora tenham modificado os roteiros e locais de
hospedagem. “Algumas pessoas cancelaram suas
reservas, mas a maioria mudou de destino, por
exemplo, da costa oeste para a costa leste da
Tailândia, que não foi afetada”, constatou a Jumbo,
maior
operadora da Áustria.
Autor: Panorama
Brasil Data: 05/01/05
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A ONDA
DO TSUNAMI NÃO AFUNDARÁ AO TURISMO MUNDIAL
Sete razões pelas
quais o desastre de 26 de dezembro não terá mais do que
um impacto reduzido sobre o turismo mundial.
 O
número de vitimas causadas pelo excepcional desastre
natural se qualificou como o mais elevado da história,
tanto entre a população local como entre os visitantes
dos lugares afetados.
Uma
reflexão imediata leva a pensar qual é o impacto desta
catástrofe no turismo mundial, fonte de atividade
econômica e de enriquecimento cultural nos países
afetados pelo tsunami e na maior parte dos países do
mundo. A resposta a esta importante questão é que seu
efeito deverá ser muito limitado referindo-se ao turismo
mundial, pelas razões a seguir:
-
A fatia de mercado
que destinos afetados representam: os cinco
destinos mais afetados Índia, Indonésia, Maldivas,
Tailândia e Sri Lanka - ainda que estão mostrando um
dinamismo muito importante em seu desenvolvimento
turístico e estão tendo muito sucesso como destinos
turísticos, registrarão em 2004 um aumento de mercado
de 3% do total de chegadas no turismo mundial.
-
O crescimento atual
do turismo na Ásia e no Pacífico: está é a região
do mundo que mais cresceu durante o ano de 2004, tanto
em termos econômicos, como turísticos. O sudeste
asiático registrou no ano de 2004 um crescimento
superior ao do resto dos países da região. O ano de
2004 está marcado por uma vigorosa recuperação depois
das duras quedas de crescimento que impôs o SARS e a
instabilidade econômica do ano 2003.
O ano passado foi
testemunha de uma grande aceleração econômica,
especialmente refletida nos resultados econômicos de
numerosos países asiáticos, especialmente entre os mais
importantes geradores de turismo. Segundo as estimativas
do Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2004 o PIB da
Austrália cresceu 3,6% , o do Japão 4,4%, da Índia 6,4%,
da República de Coréia 8,8% e o da China 9%. Isto
potencializou todo tipo de turismo, em especial o
turismo inter-regional, que significa 79% do turismo
total na região asiática, incentivado com o incremento
de visitantes chineses a países reconhecidos como
destino turístico autorizado.
Estamos fazendo menção a uma pequena estrutura do
turismo na Ásia do Sul e do Sudeste que não vai mudar
apesar da magnitude do desastre que o pôs a prova.
-
A caracterização das
áreas danificadas: ainda que constantemente nos
referimos aos países afetados, desde uma óptica
estritamente turística, devemos observar que a
catástrofe humanitária e as perdas materiais causadas
pelo tsunami afetaram apenas a alguns destinos
turísticos costeiros, e em alguns países, e em alguns
casos de forma limitada. O país que mais se viu
danificado pelo maremoto foi à Indonésia, a região
norte de Sumatra, mas sem afetar destinos turísticos
como Bali, Java ou Lombok.
Na Índia se registrou o
maior impacto na costa leste, ainda não muito
desenvolvida turisticamente enquanto se mantinha a pleno
funcionamento turístico destinos como Goa. Na Tailândia
é verdade que áreas turísticas como Phuket e sua área de
influência próxima e algumas outras na costa leste do
país sofreram a destruição das águas, ainda se pôde
manter ativa uma parte notável do equipamento turístico
ou já em recuperação. Destinos como Bangkok, Pataya ou
Chiangmai, estão plenamente em funcionamento. Nas Ilhas
Maldivas dois terços dos 85 centros turísticos estão
funcionando ou estarão em curto prazo de tempo. No caso
do Sri Lanka sua costa leste tem um desenvolvimento
limitado da atividade turística, os centros da costa sul
foram danificados, mas não o da costa oeste nem os
valiosos destinos de caráter cultural operativos em
áreas mais para o interior do país como Sigiriya ou
Kandy.
Em conjunto espera-se que o
volume do turismo afetado realmente nos cinco países
antes mencionados seja inferior a um 1% do total mundial
de chegadas. Isto abre esperança de que haja uma rápida
recuperação destes destinos, sendo necessário abrir um
caminho de cooperação e de contribuição do turismo
diante os enormes danos que o maremoto causou à
população local.
-
A capacidade de
recuperação de Ásia diante de catástrofes de todo
tipo: a crise econômica e financeira sofrida por
alguns países asiáticos, em especial a Indonésia e a
Tailândia, refletiu-se negativamente em 1% em 1997 e
0,5% em 1998 em toda Ásia. Superada a crise, o turismo
internacional, impulsionado pelo inter-regional,
cresceu em 1999 cerca de 11% (frente aos 3,5%
registrados como média mundial) e em 2000 contou com
12%. O surgimento do SARS impôs um golpe importante a
muitos destinos e a região fechou o ano com 8,8% a
menos de chegadas pelo turismo internacional em
relação a 2002. Os dados hoje disponíveis mostram que
tendo em conta os números da alta temporada, isto é
até o mês de agosto 2004, a Ásia cresceu 37%, o
Sudeste asiático 45% e a Ásia Meridional 23%. A média
mundial encontra-se em 12% para o mesmo período.
-
Os fenômenos de
compensação que operam na dinâmica dos fluxos
turísticos: estes fenômenos de compensação têm um
duplo sentido: geográfico e temporário. Num curto
prazo uma parte dos turistas que tinham decidido
passar suas férias em destinos como os afetados, podem
renunciar às férias planejadas até que se tenham
reposto as condições do destino escolhido. Nesse caso
a decisão usual não é renunciar às férias senão
procurar destinos com condições similares. Os que não
vão agora, regressarão algum tempo depois. Este
fenômeno de compensação é o que explica que o turismo
tem se mostrado tão resistente apesar das provas às
que viu submetido desde 2001 (atentados de 11 de
setembro). A tendência à flexibilidade e instabilidade
do mercado vai amplificar este fenômeno de
compensação. Essa flexibilidade do mercado se vê
potencializada tanto pelo comportamento das empresas a
cargo da distribuição como pelo crescente uso das
novas tecnologias que geram uma grande transparência
no mercado e na informação suficiente para selecionar
destinos alternativos. Uma parte do fluxo
turístico que agora não pode viajar ao Oceano Índico o
fará ao Caribe possivelmente. Uma parte relevante do
sucesso dos destinos asiáticos durante o ano passado
se explica precisamente pelo número de turistas que
renunciaram a seus planos de viagem durante 2003 pelas
incertezas percebidas como possíveis nas viagens para
alguns países asiáticos.
-
O paradigma da
segurança: a percepção que o turista está tendo do
desastre vivido é de que se trata de um fenômeno
excepcional e doloroso e ao mesmo tempo totalmente
particular no Oceano Indico. Existe entre as
autoridades e na indústria turística uma preocupação
razoável por assegurar o restabelecimento dos destinos
e estabelecimentos turísticos. Nessa tarefa as
administrações públicas do turismo e iniciativa
privada estão trabalhando conjuntamente, aplicando
todo o conhecimento adquirido na gestão das situações
de crises e dedicando os recursos disponíveis.
-
A própria
internacionalização do turismo: este fator que é
parte da essência mesmo do turismo, neste caso está
contribuindo com elementos chaves para a recuperação.
Por uma parte a consciência solidária desenvolvida
entre os turistas mais sensibilizados e conhecedores
da qualidade dos produtos turísticos que oferecem
estes países. Eles sabem que sua presença ali,
dependentemente das circunstâncias requeridas, será
uma maneira de expressar sua solidariedade com as
populações atingidas além de uma boa opção para
desfrutar de suas férias. Por outro lado, boa parte da
indústria turística que opera na área mantém laços
consolidados com empresas e operadores de outros
países e regiões que estão contribuindo seus
conhecimentos e o apoio necessário para encurtar os
períodos de recuperação do produtivo mercado
turístico. Eles querem operar o quanto antes no
mercado para não causar o duplo dano, no que a
população local poderia sofrer depois do tsunami, numa
possível diminuição da presença de turistas nos
destinos afetados.
Nessa mesma linha os
governos deverão mostrar solidariedade internacional na
reunião extraordinária do Conselho Executivo da OMT que
se celebrará no primeiro dia de fevereiro na cidade de
Phuket, na Tailândia, para avaliar as necessidades do
setor turístico nos países afetados e tomar as medidas
apropriadas. Na reunião serão convidadas outras
organizações, doadoras e representantes da indústria
turística.
Conclusão
Estamos
na presença de uma catástrofe natural que causou um
número de vitimas sem precedentes num longo período de
tempo. Além dessa primeira dimensão humanitária, também
para o turismo mundial supõe-se a maior catástrofe pelo
número de turistas que perderam a vida ou sofreram as
conseqüências do tão excepcional maremoto, bem como
pelos danos ocorridos aos equipamentos turísticos.
O
desastre vivido golpeou a população local e também muito
forte o turismo. Não obstante, há uma grande distância
também entre por um lado a percepção que se tem do fato,
muito presente aos meios de comunicação, mostrando a
globalização na que estamos instalados, e por outra, as
conseqüências que se esperam para o desenvolvimento do
turismo mundial. Ainda que agora se estejamos vivendo
momentos duros pelos estragos causados em vidas e bens
materiais, espera-se uma recuperação em curto prazo, que
não terá uma incidência mais do que limitada durante o
ano de 2005.
A
experiência acumulada na OMT depois de ter analisado
outras situações de crises, mostra que apesar das
incalculáveis vidas humanas e do impacto que se pode
derivar do desenvolvimento socioeconômico a este
inesperado acontecimento, o turismo mundial seguirá
sendo, também nos países afetados, uma força ao serviço
da reconstrução das comunidades e da geração da riqueza
que lhes assegure uma vida melhor.
Madrid, 4 de janeiro de 2005.
Tradução:
www.turismologia.com.br
Fonte original: www.world-tourism.org
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