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Naquela
sexta-feira,
Pachecão,
como
era
conhecido,
engordou a
já
obesa
estatística
de desemprego no Brasil.
Seu
ex-patrão, o
novo
gerente
de
logística,
que
tinha
a
metade
da
sua
idade
e o
dobro
do
seu
salário,
lhe
explicou o
inexplicável:
Uma consultoria alemã realizara
um
downsizing
para
a
obtenção
da certificação ISO. O
trabalho
que
fora
dele
por
25
longos
e
rotineiros
anos
agora
era
realizado
em
uma cidadezinha de
nome
estranho,
que
ficava na China.
“Tudo
por
causa
de
um
alemão
fdp”, praguejava, tentando
achar
um
culpado
pela
sua
situação.
A
cerveja
naquela
sexta
não
estava
tão
gelada
nem
o
bar
tão
animado
quanto
nos
sem
número
de sextas-feiras
que
brindou ao
futuro
com
seus
amigos.
Aliás,
o
brinde
semanal
estava ficando
cada
vez
menor,
por
falta
de quórum. As
cabeças
estavam rolando na
empresa
já
havia meses.
Em
uma
tarde
de
domingo,
uma
ou
duas
semanas
depois
de
ter
se
tornado
um
número,
Pachecão decidiu
que
não
iria se
deixar
abater.
Iria
realizar
seu
sonho
–
montar
seu
próprio
negócio.
Qual
negócio?
Hora
do
jantar.
Horário
ideal
para
comunicar
sua
resolução.
Aproveitando o
início
da
novela,
oportunamente
a
hora
em
que
sua
esposa
não
iria
prestar
muita
atenção
na
conversa,
comunicou
sua
decisão.
Seus
dois
filhos
o aplaudiram. Maria,
sua
esposa,
desligou a
televisão.
Percebeu
que
aquela seria uma
longa
noite.
Maria foi a
primeira.
Certamente
pensando no
fundo
de
garantia,
que
estava a
cada
dia
garantindo
menos,
perguntou
qual
seria
esse
negócio?
Pachecão havia sido
pego
desprevenido.
Ele
não
sabia
que
negócio
queria
montar.
Ouvira
falar
que
um
amigo
de
sua
irmã estava ganhando
muito
dinheiro
com
canecas
personalizadas.
“Canecas
personalizadas?” indagou o
filho
mais
velho,
estudante
de
economia.
A
idéia
foi descartada.
“Vamos
montar
um
bar”,
falou o
mais
novo.
Pachecão lembrou das inúmeras
vezes
que
ficara pedindo
para
o
português,
dono
do
boteco
a
que
ia
toda
sexta-feira,
pendurar
a
conta
que
nunca
era
paga.
Mais
uma
idéia
descartada.
“Pai,
o
que
você
sabe
fazer?”.
A
pergunta
mais
sábia
da
noite.
Pachecão fazia
parte
de uma
linha
de
produção
de
motores
de
geladeira.
Não
sabia
como
se montava
um
motor
ou
qual
a
função
da
peça
que
era
de
sua
responsabilidade.
Não
sabia
como
funcionava uma
geladeira
e
muito
menos
qual
era
o
custo
ou
o
material
empregado
na
peça.
Em
resumo,
não
sabia
nada,
não
sabia
fazer
nada.
Podia
montar
qualquer
negócio.
Todos
seriam
igualmente
difíceis.
Maria,
que
permanecera
calada
durante
todo
o
tempo,
se manifestou,
com
um
brilho
nos
olhos:
“Vamos
vender
trufas,
empadas
e salgadinhos
para
festas”.
Espanto
geral.
“A Zuleide,
minha
amiga
do
cabeleireiro,
montou uma lojinha
depois
de
vender
salgadinhos
para
festas
durante
um
ano.
Está super
feliz.”
“Eu
cuido das finanças”, se pronunciou o
futuro
economista.
“Eu
vendo os salgadinhos”, falou o
mais
novo.
“Eu
entrego os salgadinhos ”, falou Pachecão.
Mal
sabia
ele
que,
após
ser
despedido
por
um
gerente
de
logística,
se tornaria
um. |