Indivíduos, que se
consideram superiores, reúnem-se para definir o destino
dos que, iludidos, desconhecem suas reais intenções. Nas
reuniões às claras eles desfilam uma retórica
incongruente com seus atos, e uma austeridade
incompatível com suas posses. Parecem pessoas ilustradas
e bem-intencionadas, mas nos encontros secretos são
extremamente ladinas e vorazes, em busca de proveito
próprio. Crêem-se membros de uma aristocracia moderna e
vivem de criar benefícios para si, sustentados por
pesados e múltiplos impostos para os outros. A justiça
divina não os perturba... A justiça secular não os
atinge, sabe-se lá por quê...
Parece um conto de
Edgard Allan Poe?
A população vive
assolada por seres que vivem do sangue do povo; não se
enxergam nos espelhos; vivem rodeados de mortos-vivos,
que cumprem cegamente suas ordens... São como vampiros
modernos! Não temem a luz do sol. Freqüentam igrejas,
sem medo de água-benta e crucifixos – alguns até criam
suas próprias, como forma de obter auto-indulgência. Não
temem réstias – muitos, aliás, adoram comida francesa,
de preferência saboreada lá. Não temem estacas de
madeira, pois a cara-de-pau está em sua essência... Os
incautos que, inocentemente, lhes abriram as portas e
deixaram-nos entrar, são vendidos e obrigados a cavar as
próprias sepulturas...
Seria uma nova versão
do “Drácula”, de Bram Stocker?
Insaciáveis, legam
sua herança macabra à “escolhidos”, construídos de
pedaços de si próprios ou de lendas mal contadas, aos
quais dão vida e cobram obediência e tributo eterno. Só
que eles não tem a aparência assustadora – a cirurgia
evoluiu muito desde o Século XIX -, embora continuem
levando pânico às populações indefesas.
Mary Shelley guardava
algum manuscrito secreto de uma nova versão de
“Frankenstein”?
Esses “escolhidos”
tornam seus mestres imortais, pois vivem de suscita-los
e ressuscita-los, sempre que se sentem ameaçados.
Sinopse de um filme
de vodu?
Às vezes eles chegam
como se viessem de outro planeta, de uma civilização
superior, capaz de mudar as coisas. Mas pouco depois
iniciam uma escalada de destruição, cruéis e
insensíveis...
H. G. Wells e “A
Guerra dos Mundos”?
Se não destroem,
tentam corromper oferecendo a realização de sonhos em
troca de submissão eterna...
Um excerto do
“Fausto”, de Göethe?
Sentindo-se
acorrentada e impotente, a vítima é assediada por
aves-de-rapina, que consomem seu fígado cada vez que ele
se recompõe do ataque anterior...
Estamos diante de uma
releitura de “Prometeu Acorrentado”?
São mutantes, sem
serem o resultado de experiências genéticas. Assumem
várias personalidades e formas. São fantasmas,
sanguessugas, pragas de gafanhotos, infestação de
vermes, espíritos malignos, que consomem a paz, a carne
e a vida de inocentes.
Um novo
“best-seller” de Stephen King?
Só que sua atuação
afeta um público que não vêem e, quase nunca, os vê.
Sendo assim, não se abatem ou amedrontam com as vaias. O
aplauso dos parentes, amigos e sequazes lhes basta,
embora quem pague os ingressos que os mantêm seja o
povo, que nunca é convidado...
Mas
o
que
é
isso,
afinal?
Seria
um
filme
de Roger Corman
ou
da Hammer,
estrelado
por
Boris Karloff.
Bela
Lugosi, Lon Channey Jr., Christopher Lee, Peter Cushing,
Ida
Lupino
ou
Vincent Price,
que
tirava
apenas
uma
noite
de
sono
de
crianças
e
adolescentes?
Não!
Olhando bem, está
mais com cara de mais um dia na vida dos brasileiros
honestos: as vítimas, bem entendido...