Foram 2.819 mortos em Nova York, no
fatídico 11 de setembro de 2001. Já Madri, em 11 de
março de 2004, registrou 191 vítimas fatais. O dia 3 de
setembro de 2004 viu 370 pessoas perderem a vida na
Rússia, a maioria crianças.
Dentre tantos outros eventos similares, o
mundo tem assistido a tragédias provocadas por homens
contra homens, ou melhor, por homens contra homens,
mulheres e crianças. Atentados que ceifam vidas,
contadas uma a uma, contabilizadas. Vidas perdidas por
obra do ocaso, por ação de pessoas que tinham outros
propósitos que não vida: propósitos econômicos,
políticos, religiosos.
Agora, a tragédia que nos afligiu
recentemente na Ásia foi promovida pela natureza. Nela,
as vidas perdidas não são contadas uma a uma, mas às
centenas, aos milhares. Não se sabem quantas se foram,
nem quantas irão. Não se pode mensurar a amplitude da
dor, seu efeito multiplicador, geométrico. Faltam urnas,
mas não faltam valas; faltam mantimentos e medicamentos,
mas não faltam lágrimas; não falta sofrimento, mas
também não falta solidariedade.
Pessoalmente, estou não apenas em luto,
mas em luta. Luta pela vida, pela “vida em abundância,
que se amplia além das fronteiras da morte”, como nos
disse o Mestre.
Fardado, minhas armas são outras. Minhas
armas são dentes para sorrir, mãos para afagar, braços
para envolver, palavras para acalentar, ouvidos para
ouvir, olhos para marejar. São armas para conforto, para
compartilhar, para confraternizar – com os
fraternos, ou seja, com os irmãos. Folhas de papel,
folhas em branco esperando para serem escritas, folhas
escritas esperando para serem lidas.
Somos seres muitos frágeis, feito poeira
no vento. Como é fácil perdermos a vida: um acidente
fortuito a bordo de um automóvel; uma emboscada, numa
trincheira, uma arma de fogo que dispara; um exaltar de
ânimos que opõe pessoas que tudo tinham para serem
amigas.
Mas, como poeira no vento, pequenas
partículas de vida, podemos de fato alterar o curso da
história mediante pequenos ou grandes gestos, atos,
ações, feitos. Como poeira no vento, podemos viajar
soltos, leves, polinizando os caminhos com sementes de
amor.
Este é apenas mais um texto dentre tantos
e tantos que certamente grassarão pela rede, jornais,
revistas, rádios, televisões, mesas de bar e bancos
escolares, de todo o mundo, em todo o mundo. Afinal, há
muito por se comentar, muito a se debater e uma
necessidade inequívoca de se manifestar. Talvez para nos
conscientizarmos, ainda que brevemente, de como somos
apenas poeira no vento.
Tom
Coelho,
com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela
ESPM/SP, especialização em Marketing pela MMS/SP e em
Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é
empresário, consultor, professor universitário,
escritor e palestrante.
Diretor da Infinity
Consulting e Diretor Estadual do NJE/Ciesp.
Contatos através do e-mail
tomcoelho@tomcoelho.com.br.
Visite: www.tomcoelho.com.br.