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Revista Partes - Ano V - fevereiro de 2005 - nº 54 

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Democracia e atualidade
Por Roberto Carlos Simões Galvão

 

 

Será que vivemos em um mundo aonde o regime democrático vem ganhando espaço? Se por um lado temos a democracia formal estatuída na Carta Magna de diferentes países, por outro lado se encontra a violência do Estado, o desrespeito aos direitos humanos, as crianças mendicantes e os cidadãos entregues ao descaso e à miséria

A democracia pode ser entendida como o regime político fundamentado na soberania popular e na distribuição igualitária do poder. Na prática social, porém, o regime democrático parece muitas vezes esconder sutilezas que contrariam sua própria concepção teórica.  

Para o cientista político Reis Friede, quando o Estado de omite em suas obrigações por impotência ou desinteresse ocorre que ainda que haja um estado democrático de direito, não se fará plena a democracia

Os objetivos de uma democracia são claros: assegurar a todos os cidadãos a garantia aos direitos fundamentais previstos na ordem constitucional, como liberdade de expressão, emprego, saúde, educação, moradia, etc. 

A democracia é tão necessária ao convívio social que nem mesmo os piores tiranos ousaram assumir a ausência de práticas democráticas em seus países. Não raro muitos ditadores disseram ser democracia regimes que, em verdade eram ditatoriais. Caso de Cuba, um país livre segundo Fidel Castro. 

Com o progresso das relações políticas e sociais o homem tornou-se ciente de que deve ser o artífice de sua própria condição social. Assim, na proporção em que um número maior de cidadãos passou a participar da realidade política de seu país, os regimes autoritários retrocederam e a democracia avançou. Isto se deu nas últimas décadas de maneira bastante visível nos países da América do Sul

No Brasil, afirma-se haver democracia após 21 anos de ditadura militar (1964-1985). Porém, resta no Brasil o autoritarismo social. Nossa sociedade é hierárquica no sentido de dividir as pessoas em superiores e inferiores, de acordo com o poderio econômico de cada um, em diferentes segmentos e circunstâncias. Apesar da formalidade das eleições, dos partidos políticos e das garantias constitucionais, ainda falta muito para que tenhamos a prática da igualdade

Como assevera o jurista Sahid Maluf “a democracia é um ideal que as gerações presentes não atingiram, mas procuram realizar para as gerações vindouras. É um mundo de justiça social que ainda divisamos longe da época em que vivemos, mas que não deve ser perdido de vista em nenhum momento como objetivo da nossa vida pública”.

 

 

 

 

Roberto Carlos Simões Galvão é Bacharel em Direito, Pós-Graduado em Filosofia (UEL-PR), Mestrando em Educação (UEM-PR).



 

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